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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 355

Cap. 161

POV ÁTILA

Eu sou o vice-líder da maior organização criminosa deste lado do continente.

Eu sou o homem que faz os cobradores de impostos do submundo tremerem e que limpa a sujeira que ninguém mais tem coragem de tocar.

Mas ali, sob o sol forte das duas horas da tarde, olhando para uma horda de trinta pequenos seres humanos hiperativos e barulhentos, eu percebi que a verdadeira definição de inferno tinha sido atualizada, aqui? Eu não sou nada além de alguém prestes a fugir na primeira oportunidade.

Tudo por culpa da Selene. E do meu irmão, claro. Aquele traidor, eu já nem trato mais Selene como minha irmã, pra mim... ela é a vilã de toda a minha historia, não me deixa em paz nem um segundo, mesmo depois que Katleia me perdoou, ela não perdoa ninguém.

No dia anterior, após eu me livrar da pena do Estado com um suborno gordo, Selene entrou no meu escritório com um sorriso que faria o próprio diabo dar um passo para trás. “Você achou que ia se safar de devolver algo para o mundo, Átila? Não na minha guarda. Você vai ser voluntário”, ela disse. E contra Selene, nem mesmo o Don tem poder de veto.

— Afastem-se! Eu já disse para manterem a distância mínima de segurança! — ordenei, a minha voz de comando militar ecoando pelo pátio gramado do orfanato para esses cabeças minúsculas e sorridentes.

A resposta que obtive? Risadinhas estridentes.

Eu estava segurando um tablet de última geração e uma câmera profissional, encarregado de registrar o "dia de caridade" para os registros internos, e para a maldita fachada filantrópica que meu pai tanto queria.

Mas era impossível focar. Um garotinho de no máximo quatro anos, vestindo uma camisa do Batman três vezes maior que ele, puxou a barra da minha calça de linho importada.

— Tio, me dá o carrinho azul? — ele pediu, apontando para a montanha de caixas de brinquedos que as meninas haviam trazido.

— Meu nome não é tio. É Senhor Felix, eu sou o chefe aqui, E o carrinho azul é para a distribuição organizada. Volte para a fila antes que eu... — Tentei soar ameaçador, mas o garoto simplesmente piscou os olhos enormes e puxou meu tecido com mais força, tentei me afastar, mas ele se pendurou na minha camisa, ele não sabe o que é não? — Que inferno. Pega essa porra desse carrinho de uma vez e suma da minha frente!

— Atila! Xinga mais uma vez perto deles e eu te amarro em uma vala! — Selene gritou do outro lado.

— ate parece que ela tem força para isso! — bufei indiferente.

— e se eu ajudar? — Adon perguntou, mas ignorei entregando os brinquedos.

Entreguei o brinquedo com uma brutalidade ensaiada, mas o moleque saiu pulando e gritando de alegria, o que atraiu a atenção do resto do bando. Em segundos, eu estava cercado.

— Ele tem mais! O tio bravo tem os melhores! — um dos mais velhos gritou.

— Não corram! Parem de correr! — esbravejei, começando a recuar.

Quando percebi que eles iam avançar em bloco, eu cometi o pior erro tático da minha carreira militar, eu dei as costas e corri.

Sim, eu, o Corvo, estava fugindo de um bando de crianças de trinta quilos e uns de 15 ou vinte, sei la. Eu corria pelo gramado com passos largos, tentando proteger o equipamento fotográfico, enquanto os meninos vinham atrás de mim, rindo alto, achando que aquilo era a brincadeira mais divertida do mundo.

— Afastem-se, seus mini-demônios! Eu estou armado! Eu sei artes marciais! — eu gritava, olhando por cima do ombro, a gravata já frouxa e o suor descendo pela têmpora. Mas quanto mais irritado e bruto eu parecia, mais eles corriam atrás de mim, achando que o meu desespero era parte do show.

Passei perto do banco de madeira onde Katleia estava sentada. Ela usava um vestido claro, as bochechas coradas pelo sol e uma expressão que eu não via há muito tempo, ela estava rindo. Uma risada limpa, alta e genuína que fez meu coração errar uma batida, mesmo no meio daquele caos.

Ao lado dela, as outras meninas da mansão, que também haviam crescido em abrigos parecidos, distribuíam doces e ensinavam as crianças menores a desenhar. O clima era de pura animação.

— Katleia! Pelo amor de Deus, me tira daqui! — implorei enquanto dava a volta no canteiro de flores, com três meninos quase agarrando o meu paletó. — Cria uma distração! Manda eles irem comer algodão-doce!

Katleia limpou uma lágrima de riso no canto do olho, apoiando os cotovelos nos joelhos para me assistir passar vergonha.

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