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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 358

Cap. 164 encerramento.

Finalmente era dia que antecedia o casamento de atila e Katleia.

A noite que antecedia o casamento trouxe consigo uma calmaria rara e quase sagrada para a mansão que atila tinha comprado para viver com Katleia.

Longe dos relatórios de guerra de Adon e das estratégias institucionais de Selene, o andar superior estava imerso em um silêncio reconfortante. Na sala da noite — um ambiente íntimo, banhado pela luz mansa e dourada de um abajur de canto —, Katleia estava sentada no centro do grande sofá de veludo. Ela vestia um robe de seda clara, as mãos repousando sobre os joelhos. Embora seus olhos transmitissem a paz de quem finalmente encontrara um porto seguro, havia uma leve sombra de preocupação em seu semblante.

A porta se abriu devagar e Átila entrou. vestia apenas uma calça escura e uma camisa de algodão leve com as mangas dobradas até os antebraços.

Seus olhos focaram instantaneamente em Katleia, e toda a rigidez que ele sustentava diante do mundo desmoronou em um milésimo de segundo.

Ele caminhou até o sofá e sentou-se ao lado dela, puxando-a para perto. Katleia não hesitou; deitou a cabeça no peito dele, escutando o bater compassado e firme daquele coração que batia exclusivamente por ela.

— Você está muito quieta — Átila murmurou, a voz grave ressoando contra os cabelos dela. Suas mãos grandes e calejadas começaram a acariciar os ombros da noiva com uma delicadeza impressionante. — O Dr. Arnaldo disse que as sessões de terapia foi excelente, apesar da minha... pequena interferência com o questionário. Mas sinto que sua mente ainda está correndo. É o casamento de amanhã?

Katleia suspirou, virando o rosto para encará-lo. Ela buscou a mão dele, entrelaçando seus dedos.

— Não é o casamento, Átila. Eu mal posso esperar para ser sua esposa diante de todos. É que... hoje de manhã, eu vi os exames médicos sobre a mesa. Os relatórios da equipe ginecológica. Eu sei o quanto você sonha em construir uma família real, em ter um filho correndo por esses corredores. E eu sinto que o meu corpo falhou com você naquela mesa de hospital. Tenho medo de não conseguir te dar isso.

Átila travou por um instante. Ele segurou o queixo de Katleia com extrema suavidade, forçando-a a olhar diretamente no fundo de seus olhos escuros, onde não havia espaço para dúvidas.

— Olha para mim, Katleia — ele pediu, a voz firme, lavada por uma verdade absoluta. — Escuta bem o que eu vou te dizer. Eu não me casei com a promessa de um útero ou de uma linhagem. Eu me apaixonei por você. Pela sua força, pela sua alma, pela mulher que me trouxe de volta da escuridão. O nosso foco absoluto a partir de amanhã, e nos próximos meses, é a sua saúde. Nenhuma gestação vai acontecer nesta casa até que os médicos digam que você está cem por cento forte, segura e pronta, além disso se quiser crianças, lembra daqueles quatro diabinhos? Eles podem te fazer companhia, só não sei se vou viver na mansão se eles entrarem, porque essas crianças tem pregos dentro deles que não ficam quietos, por isso não se preocupe, se não sentir segurança de no futuro ter os nossos, pegamos os dos outros.

Katleia sentiu as lágrimas subirem aos olhos, mas desta vez eram de puro alívio.

— Você jura? — ela sussurrou.

— Eu juro — Átila respondeu, aproximando sua testa da dela. — Naquela sala da terapia, nós prometemos que passaríamos por isso juntos. Aqui, nesta noite, nós fazemos um pacto, sem pressa, sem cobranças. Primeiro a sua cura, depois o nosso futuro. Uma promessa nossa.

Ele selou o pacto com um beijo calmo, profundo e cheio de cumplicidade.

O dia seguinte amanheceu com um céu cristalino, e a ala nobre da propriedade foi tomada por uma agitação floral e perfumada.

A sala de fotos da noiva estava deslumbrante, decorada com arranjos imensos de rosas brancas, orquídeas e folhagens que perfumavam o ambiente.

Katleia estava no centro de tudo, simplesmente radiante.

O vestido de noiva, moldado perfeitamente ao seu corpo, exibia um corte clássico com rendas delicadas que subiam pelo pescoço, conferindo-lhe uma aura de pura realeza. Ela parecia uma miragem de tão linda, e seu sorriso iluminava o cômodo.

Ao redor dela, suas amigas de infância, as meninas que haviam compartilhado as dores e a sobrevivência nos tempos sombrios do antigo orfanato, dividiam o espaço com risadas e ajustes de última hora. Entre elas estava Guilhermina, Mima ainda exibia traços de fraqueza física devido aos traumas recentes, mas seus olhos estavam vivos e cheios de gratidão por estar ali, vestindo um lindo vestido de madrinha em tom pastel.

Maju, a mais animada do grupo, andava de um lado para o outro com os olhos brilhando.

Ela parou perto de um dos grandes vasos, mexendo nas pétalas das flores com um suspiro sonhador.

Guilhermina, percebendo a distração da amiga, caminhou até ela devagar, ajeitando a saia do próprio vestido.

— Relaxa, Maju — Guilhermina disse, com um sorriso brando e acolhedor. — Você logo vai ver ele. E, quem sabe, no futuro... pode até ser você se casando em uma sala linda como essa.

Maju deu um sorriso tímido, os dedos ainda traçando o contorno de uma rosa. Ela olhou para Mima com uma ponta de melancolia que as meninas do abrigo raramente conseguiam esconder por completo.

— Será, Mima? Às vezes eu paro para olhar tudo isso... a Katleia casando com o Átila, a Selene mandando em tudo com o Adon... e penso que essas coisas são boas demais para a gente, não é? Meninas como nós, que viemos do nada, que passamos pelo inferno... parece um sonho que pode quebrar a qualquer momento.

Guilhermina travou na pergunta. O peso do passado ainda era real, e por um segundo ela não soube o que responder para acalmar o coração da amiga.

No entanto, antes que o clima ficasse pesado, a porta dupla da sala de fotos se abriu de uma vez.

Dois homens idênticos, de ombros largos, vestindo os uniformes impecáveis e imponentes da elite dos Bertans, cruzaram o portal. Eram os gêmeos Bertans.

Eles caminhavam com uma postura marcial e rígida, mas traziam nas mãos duas caixas grandes de presentes, adornadas com laços de fita de cetim escura, uma cortesia para a noiva.

No mesmo instante em que eles entraram, Guilhermina estacou o corpo.

Seus olhos se fixaram nos dois oficiais, e uma mistura de choque e reconhecimento travou sua respiração.

Maju, que estava ao lado, percebeu imediatamente a mudança drástica na postura da amiga. Ela olhou para os gêmeos, depois para a expressão hipnotizada de Mima, e cutucou o braço dela com o cotovelo, curiosa.

— Mima? O que foi? Você conhece eles por acaso? — Maju perguntou em um sussurro audível, os olhos semicerrados com um sorriso malicioso começando a surgir.

Guilhermina piscou, as bochechas corando furiosamente sob a maquiagem leve. Ela desviou o olhar dos oficiais por um segundo, aproximando-se de Maju para responder no tom mais baixo possível:

— Não... eu não conheço eles bem. É que... eles me salvaram. No dia em que eu quase fui morta, Mas... eu não sei qual deles foi o que me carregou nos braços. Eles são tão parecidos... idênticos.

Maju olhou de volta para os dois soldados, que agora entregavam os presentes para os assessores na entrada da sala, mantendo a expressão séria de sempre. Ela soltou um risinho abafado, tentando descontrair a amiga.

— Bem... são gêmeos, né? Você vai ter que descobrir o nome de cada um se quiser agradecer direito, se bem que eles parecem tão distante, nem mesmo se importam com o que tem ao redor.

Antes que Guilhermina pudesse morrer de vergonha ou que Maju continuasse com as provocações, Katleia se virou na direção delas, segurando a cauda do vestido com elegância. O fotógrafo contratado já estava posicionando os refletores de luz ao fundo.

— Chega de fofoca no canto da sala, meninas! — Katleia cortou o clima com uma voz alegre e firme, chamando todas com um gesto de mão. O brilho em seu rosto afastava qualquer resquício de dor. — Vamos tirar fotos juntas de uma vez, porque depois daqui é a cerimônia direto, e logo em seguida eu e o Átila vamos sair para a nossa lua de mel. Só vamos nos ver depois de uma semana inteira, na volta! Eu quero registrar cada segundo com as minhas irmãs.

Selene, que terminava de ajustar as joias, aproximou-se sorrindo, puxando Maju e Guilhermina pelos braços para o centro do cenário montado.

As meninas se organizaram ao redor da noiva. Katleia ficou no centro, deslumbrante e protegida pelo carinho daquelas que haviam sangrado e sobrevivido ao seu lado. Selene posicionou-se à direita, imponente, Guilhermina e Maju acomodaram-se logo atrás, com sorrisos abertos e corações leves, esquecendo por alguns instantes o peso do mundo lá fora.

O fotógrafo fez a contagem regressiva. — Três... dois... um...

O flash da câmera iluminou a sala inteira, eternizando aquele momento mágico.

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