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Rejeitada: A Luna do Alfa supremo romance Capítulo 168

Os portões do castelo abriram com um estalo que pareceu partir o mundo em dois.

As correntes que os seguravam gemeram, os elos raspando nas pedras antigas como gritos de metal. Do outro lado, o exército de Atlas apareceu, uma torrente viva de lobos, homens e poeira.

Os gritos vieram primeiro, depois, o som dos tambores, as lanças batendo nos escudos, o cheiro de ferro, suor e sangue fresco. A guerra havia terminado, e eles achavam que tinham vencido.

No centro daquela procissão, Atlas vinha sorrindo como nunca, o corpo coberto por uma capa rasgada e pesada de lama seca. O colar em seu peito brilhava num tom doente, verde e pulsante, como um coração roubado batendo fora do corpo. Atrás dele, acorrentado por uma coleira grossa de prata, arrastava-se o Supremo.

River.

O Alfa Supremo.

O rei de todos os lobos agora andava como um animal domesticado.

A forma lupina dele era gigantesca, uma montanha de músculos, garras e pelos manchados de sangue. Mas não havia alma naquele corpo, os olhos, antes de um vermelho vivo e cheio de fúria, agora eram apenas um reflexo vazio de um verde morto.

A coleira o guiava, e o colar de Atlas ardia no mesmo ritmo, pulsando junto com a dor do que um dia fora um deus entre lobos.

Quando os portões se abriram por completo, os soldados rugiram em coro, o som ecoou pelo vale, subiu pelas muralhas e atravessou os corredores de pedra. Atlas ergueu a mão, e o silêncio caiu de uma vez.

— O Supremo — anunciou, com um sorriso gelado. — O invencível, o intocável, o mito… Agora é meu.

As risadas dos guerreiros o acompanharam, e atrás deles, em meio à confusão, dois soldados arrastavam uma corrente.

Renee, ainda com o feitiço que a fazia parecer Lua, vinha tropeçando, os tornozelos feridos, as correntes de prata queimando fundo a pele. O disfarce brilhava levemente sob a luz das tochas, uma pele perfeita, branca, cabelos alvos e olhos claros, tão idênticos à verdadeira oráculo que qualquer um acreditaria.

Ela mantinha a cabeça erguida, mesmo acorrentada, mesmo tremendo.

Atlas puxou a coleira de River com força.

— Vamos, cão — murmurou, baixo. — Hora de mostrar ao mundo quem manda.

O Lycan se moveu, lento, pesado, obediente, as correntes tilintavam enquanto ele avançava entre os gritos de triunfo dos guerreiros.

O castelo se erguia adiante, torres cobertas de musgo, janelas como feridas abertas, muralhas manchadas de sangue antigo. O chão do pátio estava forrado com peles e bandeiras roubadas de alcateias destruídas.

Um trono de pedra negra esperava no centro.

— E quanto à minha pequena oráculo? — perguntou, os olhos brilhando de satisfação. — Leve-a para os aposentos, preparem-na para a cerimônia.

As mulheres se aproximaram, duas lobas de olhar duro, e puxaram Renee pelas correntes.

Ela tropeçou, mas não gritou, não daria esse prazer a ele.

Foram até os corredores do castelo, o caminho era frio, cheirando a mofo e incenso queimado. As tochas lançavam sombras tortas nas paredes. Renee tentou respirar fundo, mas a prata queimava o pulso e o ar entrava seco.

As mulheres a levaram até uma sala escura. Jogaram um balde de água fria sobre ela, arrancaram as roupas rasgadas e começaram a esfregar sua pele com escovas rústicas. Depois, a vestiram, um vestido prateado, fino, colado ao corpo, com amarras nas costas. O tecido parecia bonito, mas pesava como uma corrente.

— A deusa te esqueceu, oráculo — disse uma das lobas, rindo, enquanto ajustava a gola. — Hoje, você vai se unir ao verdadeiro rei.

Renee não respondeu. Apenas olhou o reflexo pálido no espelho rachado, viu uma mulher que não era ela, uma Lua falsa, prestes a ser marcada pelo inimigo.

Por dentro, rezou, não para a deusa, mas para Lyra.

“Se preparem… Não podem perder mais uma vez...”

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