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Rejeitada: A Luna do Alfa supremo romance Capítulo 170

O eco do grito de Renee, que até segundos atrás todos acreditavam ser Lua, se espalhava pelos corredores de pedra como um canto profano, atravessando o chão, as tochas, o ar sufocado pela fumaça das lamparinas.

Atlas ainda a segurava, os dentes cravados no pescoço delicado, o sangue escorrendo pela boca dele. A plateia de lobos aplaudia, extasiada, sem perceber o que realmente acontecia, o ritual completo, a cerimônia da marca, a promessa de uma união forjada à força.

Mas algo quebrou.

Literalmente.

O som veio como vidro estilhaçando no ar. Uma onda de energia explodiu do corpo de Renee, empurrando o próprio Atlas para trás. Ele tropeçou, cambaleando, a mão indo direto ao colar verde preso no peito, o objeto vibrou, pulsando com uma luz irregular, como se algo tivesse se partido dentro dele.

Os símbolos no chão começaram a brilhar, prata viva correndo em direção às bordas do círculo. A magia que sustentava o glamour começou a morrer.

Renee caiu de joelhos, ofegante, o corpo estremecendo. O feitiço que escondia sua verdadeira forma cedeu, o cabelo prateado escureceu, tornando-se o tom alaranjado de uma raposa, a pele ganhou mais cor, o rosto jovem ganhou algumas linhas a mais e apesar dos olhos continuarem lilases, eles eram olhos de raposa, todos podiam ver.

Um murmúrio coletivo tomou o salão.

Atlas, ofegante, olhava para ela sem acreditar.

— O que… — ele começou, a voz rouca. — O que é isso?

O ancião, ainda ajoelhado perto do altar, empalideceu.

— Meu rei… — murmurou, trêmulo. — Essa… essa não é a loba oráculo.

Atlas piscou, sem entender de imediato, a luz do colar oscilava.

— Como é que é? — rosnou, a voz crescendo até virar um rugido.

O ancião se levantou, tropeçando.

— Essa maldita estava usando magia! — apontou com os dedos manchados de sangue. — Nem sequer é uma loba! É… é uma raposa!

O salão inteiro pareceu encolher, os lobos começaram a se entreolhar, confusos, murmurando. Atlas deu um passo à frente, o olhar fixo em Renee, a respiração dele cada vez mais pesada.

— Uma… raposa? — ele repetiu, baixo, o tom mais perigoso do que um rugido.

Ele a olhou como se visse o próprio diabo diante de si.

Renee levantou o rosto, o sangue escorrendo pelo pescoço, os olhos lilases ardendo com um brilho desafiador. Mesmo acorrentada, mesmo ferida, ela sorriu.

— Isso é mentira.

— Não — o ancião insistiu, cambaleando de medo. — O sangue foi derramado, o círculo aceitou, o feitiço foi selado. Ela é sua companheira, você a vinculou a si mesmo, meu rei… e não poderá fazer o mesmo com a loba oráculo enquanto… Enquanto estiver ligado a esta.

O salão caiu num silêncio absoluto e Renee começou a rir, um som leve, rouco, desesperadamente vitorioso.

— Parabéns, Atlas. — disse, entre risadas. — Agora somos companheiros, uma união entre um lobo e uma raposa… O que pode dar errado?

Os lobos se entreolharam, confusos, e alguns começaram a recuar.

Atlas, por um instante, pareceu atordoado, depois, a risada dele veio, alta, rasgada, histérica. Ele soltou Renee, deu dois passos para trás, a cabeça jogada para o alto.

— Companheiros? — repetiu, gargalhando. — Uma raposa e um rei! — a risada soava mais como um grito. — Uma vadia disfarçada achando que venceu alguma coisa!

Renee limpou o sangue do canto da boca com as costas da mão e o olhou com calma.

— Eu não preciso vencer. — disse. — Só precisava atrasar você.

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