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Rejeitada: A Luna do Alfa supremo romance Capítulo 171

O calabouço cheirava a ferrugem e mofo. As paredes de pedra suavam umidade, e o som da água pingando do teto era o único ritmo constante naquele inferno. A luz das tochas vacilava, lançando sombras que dançavam nas grades enferrujadas.

Atlas estava ali, e a raiva que exalava dele era quase palpável.

Renee estava jogada contra a parede, os pulsos presos por correntes que deixavam marcas em sua pele, a mordida no pescoço ainda sangrava, o vestido rasgado, a pele coberta de hematomas. Mesmo assim, ela o olhava com o mesmo sorriso desafiador de antes.

Aquele sorriso era uma ofensa, e Atlas não suportava ofensas.

— Você vai falar — rosnou ele, aproximando-se. — Vai me dizer o que fizeram com a oráculo, e onde ela está.

Renee riu, cuspindo sangue no chão.

— Falar o quê? Que você perdeu? Todo mundo já sabe.

Atlas avançou, o tapa veio rápido, o estalo ecoando. Ela caiu para o lado, a corrente arrastando pelo chão enquanto a dor tomava sua bochecha.

— Vai me provocar, é isso? — ele perguntou, ofegante, as veias negras subindo pelo pescoço. — Eu posso te matar agora, raposa.

Ela ergueu o rosto, os olhos brilhando no escuro.

— Pode tentar, mas vai doer, você sabe.

Ele franziu o cenho, confuso por um segundo.

— O quê?

Renee sorriu, fraca, mas vitoriosa.

— A ligação, idiota. — sussurrou. — Você me marcou, agora somos companheiros. Tudo o que você fizer comigo, vai sentir também.

Atlas hesitou, por um instante apenas, depois riu. Um som baixo, rouco, perturbado.

— Eu não tenho medo de sentir dor. — disse. — Acha que isso me assusta, raposa?

E a agarrou pelo pescoço.

As correntes se esticaram quando ele a levantou, os pés dela flutuando acima do chão.

Renee tentou respirar, mas o ar não vinha, os dedos dele apertavam mais e mais, e Renee ficava cada vez mais perto da inconsciência, e então, como se alguém tivesse cravado uma adaga em seu peito, Atlas gritou.

O som foi bruto, inesperado, ele cambaleou para trás, soltando-a.

Renee caiu, tossindo, as mãos no pescoço, e o rei das montanhas levou as mãos a garganta sentindo a mesma dor que ela, a mesma falta de ar, mesmo que ele não tivesse sido tocado. O vínculo devolvia tudo, a pressão, o sufoco, o sangue latejando.

Ela o fitou, quase sem forças.

— Dura o suficiente. — respondeu. — Até ela chegar.

Ele se inclinou sobre ela, segurando o queixo da raposa entre os dedos, forçando-a a olhar para cima.

— Ela? — perguntou, zombeteiro. — A Luna?

Renee sorriu, o lábio partido.

— Sim. — murmurou. — E quando ela chegar, você vai entender o que é medo.

Atlas largou o queixo dela e recuou, o peito arfando, o suor escorrendo pelo colar.

Ele precisava sair dali, a dor o enlouquecia, o ar parecia denso, envenenado.

— Fiquem de olho nela. — ordenou aos guardas, a voz rouca. — Volto mais tarde para terminar o trabalho.

Ele subiu as escadas, cambaleante, o som dos passos ecoando até desaparecer na escuridão, engolidos pelo calabouço mofado.

Renee respirou fundo, o corpo inteiro doendo, encostou a cabeça na parede fria, os olhos fechando por um instante. Mesmo sangrando, mesmo ferida, ela sorriu, porque cada segundo que ganhava ali era um segundo mais para Lyra planejar o ultimo e definitivo ataque que acabaria com aquela guerra.

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