Os grupos estavam separados uns dos outros, de um lado as raposas, sob o comando de Bertil, faziam o que podiam com a pouca experiencia em batalha que tinham. Algumas já estavam mortas, mas muitas resistiam, fazendo de tudo para que o final daquela guerra fosse a vitória.
Não muito longe deles, Lua e Caleb também entregavam tudo para garantir que venceriam os lobos do rei das montanhas, mas para cada lobo que matavam, dois pareciam surdir no lugar como uma hidra que, quanto mais cabeças se cortam, mais nascem.
Lua lutava como a oráculo que finalmente aceitara seu destino. O corpo dela, mesmo em forma de loba, brilhava com energia arroxeada, pulsante, como uma estrela viva. Cada ataque dela era guiado não só por força, mas por visão. Ela via onde os inimigos estavam antes deles avançarem, previa seus movimentos e usava isso para atacar com brutalidade.
E Caleb…
Caleb era um colosso branco.
A fera surgiu completamente, imensa, majestosa, assustadora. Os pelos brancos pareciam chamas congeladas. As presas eram longas, curvas, brilhantes. Ele se movia com uma brutalidade elegante que só os supremos conheciam. Agora já não tinha medo do descontrole precisava dele, precisava do monstro para proteger aqueles que amava e aceitava que a fera era parte de si, seu lobo.
Ele derrubou cinco lobos de uma vez, saltou sobre outros três, protegeu Lua de todos os ataques.
E Lua atacou também, a garota que nunca quis lutar, que vivia numa redoma protegida pelo grande supremo e pela lendária Luna prateada, agora arranhava a terra, derrubava adversários, mordia com precisão.
Eles estavam machucados, feridos, cansados, mas eram um só. O vínculo recém formado, guiava os movimentos em sincronia e não tinham medo de nada, porque estavam juntos.
Rugiam juntos.
Sangravam juntos.
Lutavam juntos.
E nada poderia quebrá-los.
Mas nada era tão brutal quanto o momento em que Lyra e o supremo ficaram frente a frente.
O mundo pareceu parar, a guerra virou pano de fundo para algo muito mais intenso, muito mais profundo.
Lyra respirou fundo, o peito erguendo e abaixando devagar. Sempre que o sol batia em seu pelo, fazendo-a brilhar como se fosse uma divindade . Ela encarou o monstro que um dia chamara de marido, aquele que agora ruía tudo ao redor.
River.
Ainda que não fosse mais ele.
Ele rugiu, mas não era o rugido de River, era o rugido de um supremo despedaçado, manipulando pela dor, pela magia, completamente despido de quem um dia foi, restando apenas um monstro, uma casca repleta de ódio. O som cortou o ar, dividiu a neve e abriu fendas no chão.
Lyra tentou alcançá-lo pela mente, pelo vínculo.
“River… me escuta… por favor… me escuta…”
Mas não havia resposta, nada, só silêncio.
Então River atacou.
Ele correu em linha reta, um borrão negro colossal, e Lyra desviou no último momento, sentindo a vibração da passagem dele rasgar o ar. Ele virou com velocidade monstruosa, tentando mordê-la. Lyra rolou pela neve, saltou, correu, desviou.
Ela sempre se levantava, era a Luna prateada e era a mulher de River. Não se deixaria deter não ainda, precisava continuar tentando mesmo que seu coração se partisse em mil pedaços por ver seu marido daquele jeito, por vê-lo transformado no mostro que sempre evitou ser.
Caminhou de volta, mancando, mas firme, encarando o supremo com um amor que doía mais que qualquer ferida.
Foi quando Atlas apareceu.
Do nada, do meio da fumaça e sangue, em sua forma de lobo cinzento. Seu olhar era de orgulho, memso que muitos dos seus estivessem morrendo, ele estava vencendo e agora podia assistir, em primeira mão, seu irmão se tornar o assassino de sua companheira.
Ele rosnou, aproximando-se de Lyra e sua voz entrou na mente dela, venenosa, suja, vitoriosa.
“Eu vou deixar que ele te mate, Lyra, com as próprias mãos. O supremo vai arrancar sua garganta… e não vai nem perceber que está matando o amor da vida dele.”
Lyra sentiu o mundo girar por um segundo.
Atlas uivou, e a pedra do colar pulsou, então, deu a ordem.
“MATE A LUNA PRATEADA.”
River ouviu e obedeceu.
Ele rugiu tão alto que rachou o chão, e avançou contra Lyra com toda a violência que existia no corpo de um supremo.
E a guerra se dissolveu em caos, sangue e desespero.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Rejeitada: A Luna do Alfa supremo
Excelente pena que nao tem o livro impresso....
Muito bom! Livro excelente! História bem amarrada! Estou quase no final! Recomendo!...