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Rejeitada: A Luna do Alfa supremo romance Capítulo 189

As garras do supremo desceram.

Lyra viu.

Viu o arco do golpe, viu o brilho metálico da própria morte refletida nas lâminas negras, viu o mundo se estreitar em um único ponto: o peito dela, a garganta, o lugar exato onde River a tinha beijado uma vez, rindo, dizendo que nada nunca a machucaria enquanto ele estivesse ali. Viu o sorriso de Atlas lá atrás, viu a neve suja de vermelho, viu Lua em algum lugar do campo, tentando chegar perto, e então fez a única coisa que podia fazer.

Fechou os olhos.

Ela não rezou.

Não pediu perdão.

Não implorou à deusa.

Só pensou nele. No homem, não no monstro, pensou no River que a salvou naquela noite, que deu a ela sua vingança contra Kael, no River que a chamou de Luna pela primeira vez, no River que sempre fez de tud por ela, que nunca mediu esforços para fazê-la feliz.

“Eu te amo. Protege nossa filha”, foi sua última decisão consciente. Depois, só esperou.

Mas a morte não veio.

O que veio foi um som.

Um som de esforço cortando o ossos.

Um uivo preso, estrangulado, como se uma garganta enorme estivesse tentando conter algo que não cabia mais dentro dela. Lyra abriu os olhos em um sobressalto, o coração batendo tão rápido que parecia querer sair pela boca. As garras do supremo estavam ali, sim, mas paradas a centímetros de sua garganta, o ar frio raspando na ponta das lâminas, tão perto que ela sentiu o cheiro de sangue nelas.

O corpo gigantesco de River tremia.

Cada músculo, cada fibra, cada pedaço dele parecia travar uma guerra interna. Ele estava em cima dela, ainda a prendendo contra o chão, mas não avançava. A pata erguida tremia como se pesasse toneladas, os tendões do braço esticados, a coluna arqueada numa posição impossível, como se forças opostas o puxassem por dentro. Um som rouco escapava do peito dele, um misto de rosnado e gemido.

Os olhos.

Os olhos não eram mais totalmente verdes.

O brilho do comando ainda estava lá, venenoso, latejante, mas algo engolia aquele verde de dentro pra fora. Uma cor vermelha começava a surgir, primeiro num pequeno anel, depois num lampejo mais forte, como brasas acendendo em cinzas molhadas. Verde e vermelho se chocavam na íris, dançando numa luta silenciosa, um empurrando o outro, até que os olhos tremulavam, instáveis, como se duas versões de River estivessem presas naquele olhar ao mesmo tempo.

— O QUE ESTÁ FAZENDO? — a voz de Atlas cortou o ar, furiosa, histérica, ecoando por toda a encosta. — NÃO OUSE PARAR!

Ele ergueu a mão, o colar brilhando no peito. A pedra esverdeada queimava, as veias negras já tinham subido até o pescoço, denunciando o preço daquela magia antiga, mas Atlas estava cego. Cego de ódio, de obsessão, de vingança. Ele apertou os dedos ao redor do pingente e, com um rugido, lançou outra ordem, jogando mais poder em cima do supremo.

Atlas viu aquilo, e percebeu que River estava resistindo.

— NÃO! — a voz dele explodiu, transbordando ódio. — NÃO TE DEI PERMISSÃO PRA LUTAR, SEU MALDITO!

Ele apertou o colar com tanta força que os dedos ficaram brancos. O pingente esverdeado brilhou ainda mais, uma luz doentia que se espalhou pelo campo, arrancando gemidos de alguns lobos e raposas mais sensíveis à magia ao redor. Atlas fechou os olhos um segundo, concentrando todo poder naquele comando único.

— VOCÊ É MEU CÃO, RIVER! — rugiu, cuspindo cada palavra. — VOCÊ OBEDECE!

A magia bateu no supremo como uma parede.

Lyra sentiu. O corpo de River ficou rígido de novo, o tremor se transformou em convulsão. As veias saltaram sob a pele grossa, os músculos se contorceram como cordas em chamas. Um uivo poderoso saiu dele, tão alto que fez alguns lobos recuarem instintivamente. O verde voltou a engolir o vermelho por um instante, como se o comando de Atlas tivesse vencido. A pata desceu mais um pouco.

Ela viu a própria morte de novo.

Mas, dessa vez, Lyra não fechou os olhos.

Não ia morrer sem olhar pro rosto do homem que amava, mesmo que não fosse mais ele. Então o encarou, de baixo, olhos prateados cravados nos olhos verdes.

“Eu te amo”, ela repetiu, pela conexão, quase sem voz. “Mesmo que me mate. Mesmo que nunca volte. Eu te amo. E eu te libero, se for pra me matar. Só… por favor… protege nossa filha. Se sobrar qualquer pedaço de você aí dentro, protege ela.”

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