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Romance Proibido romance Capítulo 58

—Não, ele achava que eu sabia. — Digo, tentando amenizar as coisas, minha voz vacilando enquanto conto para ele como funcionam os casamentos turcos. Tento manter a calma, mas sinto o peso da tempestade que se forma diante de mim.

Meu pai se levanta do sofá com um movimento brusco, carregado de indignação. Seu olhar faiscante atravessa a sala, e o silêncio que se segue parece tão ensurdecedor quanto um trovão.

—Sinto muito, Emily, mas isso não fica assim. Esse desgraçado vai assumir esse filho. Vou falar com ele. Ele não viverá sua vida perfeita enquanto você assume sozinha essa responsabilidade.

Meu coração dispara, como se tentasse escapar da prisão do meu peito.

—Pai... as coisas para o turco não funcionam assim. — Minha voz é um fio trêmulo, mas prossigo, agarrando-me à coragem que ainda resta. — Uma vez Kayra me disse que eles assumem a mulher e o filho caso as engravidem, é uma questão de honra. Ele não se satisfará em ver o filho de vez em quando, participar pouco da criação.

—Então ele que te assuma! Ele que se case com você.

Eu o olho em choque, como se tivesse acabado de ser atingida por um raio.

—Pai, eu não quero um casamento assim.

—Não? Pensasse nisso antes.

As palavras dele caem sobre mim como uma chuva gelada, cada gota carregada de julgamento.

—Pai, hoje em dia uma mãe solteira não é uma tragédia.

—Você acabou de me dizer que o homem turco assume seus erros.

—Sim, é verdade. — Respondo, endireitando o corpo, mesmo que por dentro tudo pareça desmoronar. — Por isso eu não quero falar para ele que engravidei. Tenho meu orgulho, não quero forçar uma situação.

—E seu filho não terá um sobrenome? Pai desconhecido?

Meu rosto arde de vergonha. Nem sequer pensei nisso.

Pai desconhecido?

Eu fungo, tentando me recompor, mas as lágrimas ameaçam voltar.

—Tudo bem, pai. Mas eu falo com ele. Eu conto para ele sobre a gravidez. Mas me casar por causa desse filho está fora de cogitação.

—Ótimo. — Ele diz, cruzando os braços, a tensão nítida em cada músculo de seu rosto. — Mas saiba: se você não contar, eu conto. E não sei se de uma maneira civilizada.

Dias depois da descoberta da gravidez de Emily…

Okan

Estou no meu horário de almoço, sentado no restaurante do hotel. Hoje, não estou sozinho. Sila está comigo. Horas antes, a trouxe para conhecer o hotel, afinal, ela será parte disso. Estamos perto de uma janela, com vista para o jardim de inverno, onde a luz suave do sol filtra pela vidraça e ilumina o ambiente tranquilo.

Ajusto o paletó do meu terno, afastando-o um pouco para me sentir mais à vontade nesse ambiente luxuoso, que ainda mantém a sobriedade característica do Savoy. O ar parece mais denso e, apesar de estarmos em um lugar imponente, uma sensação de leve desconforto persiste dentro de mim.

Sila sorri amavelmente para mim enquanto esperamos os pedidos, mas mesmo assim, não consigo me sentir completamente em paz. Horas antes, ela não poupou elogios ao hotel e à minha administração. Com orgulho, compartilhei a trajetória que fez deste lugar o que é hoje, desde o esforço do meu pai até as longas noites que passei para consolidar seu sucesso. A conversa agora flui de maneira amena, mas uma parte de mim está distante, perdida em pensamentos. Eu sorrio para ela, mas, dentro de mim, um vazio me consome, uma sensação de que algo está errado. Tenho apostado no tempo, mas começo a me perguntar quantos dias, ou meses, eu precisarei para esquecer Emily de uma vez por todas.

Sila me chama novamente, interrompendo meu turbilhão interno. Eu me viro, ainda em choque, e ela olha para trás, tentando entender a expressão congelada no meu rosto. Mas não posso desviá-la de Emily.

Ela está sentada no bar, com a mesma elegância, e meu coração se agita no peito, como se soubesse que o que estou prestes a fazer vai mudar tudo. Sem pensar, dou a ordem.

— Sila, infelizmente não poderemos continuar o almoço. Eu tenho algo a resolver. Vá para casa. Vou chamar um táxi para te levar, depois conversamos.

Ela aperta os lábios, o olhar confuso, mas parece perceber que não há mais espaço para diálogo.

— Okan! Não entendo! — ela protesta, mas minha mente está longe, perdida no impulso de ir até Emily.

Eu a ignoro por completo, fixando os olhos no ponto onde Emily está. Tento não perder o foco, mas é impossível. O alívio que sinto ao vê-la ali é quase palpável.

Sila, olhando em minha direção, pergunta com um tom que misturava dor e raiva.

— Quem é ela, Okan? É por causa dela que você quer interromper nosso almoço? Quem é essa mulher?

Meu coração dispara. A raiva e a frustração se misturam, mas, no fundo, eu sei que preciso dar esse passo. Não posso mais fugir disso. Eu tenho um compromisso com Sila, não é justo sair daqui sem resolver as coisas com ela. Esse noivado, mesmo que agora pareça um peso, é algo que eu comecei e preciso encerrar antes de seguir para outra história.

Eu a encaro, e tudo se torna mais claro.

— O nome dela é Emily. Ela é o motivo de você me ver tantas vezes aéreo, distante — confesso, a voz pesada com a sinceridade que eu tanto temia.

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