As lágrimas começam a escorrer sem que eu perceba, uma mistura de raiva e tristeza. Eu me sinto profundamente traída e, ao mesmo tempo, uma raiva cega toma conta de mim, fazendo minha cabeça doer como se fosse explodir.
Eu sabia que ele ainda estava noivo, mas ele me disse que não havia sentimentos envolvidos entre eles. Mas, no momento em que entrei no restaurante, vi claramente o contrário: o gesto de Okan quando pousou a mão sobre a dela, o olhar de Sila, cheio de ódio na minha direção. Era óbvio que estavam falando de mim, de alguma forma, me colocando como a culpada.
Sim, eu mereço isso!
Burra! Burra!
Eu devia ter sido mais prudente, não a idiota que fui.
— Hum, quem é vivo sempre aparece. — Ouço a voz de Letícia ao meu lado, e uma onda de alívio percorre meu corpo, como se ela fosse uma tábua de salvação.
Me levanto do sofá, sem conseguir esconder a dor que ainda me consome, e vou até ela. Quando a abraço, não consigo mais controlar as emoções. Soluço em seus ombros, deixando a angústia transbordar.
— Deus! O que aconteceu? — Letícia pergunta, com a voz carregada de preocupação.
Eu retiro um lenço da bolsa e assoo meu nariz, tentando recompor-me, mas a sensação de estar à deriva é quase insuportável.
— Tudo! — Respondo, minha voz abafada pela emoção.
— Sente-se. — Letícia me pede, mas eu vejo uma empregada passando pela sala e não consigo.
— Vem, vamos para o meu quarto. — Ela me conduz até o cômodo, onde, assim que tranca a porta, me encara com uma expressão grave. Eu me sento, e, sem hesitar, despejo tudo sobre ela. Cada palavra sai como um rio impetuoso, sem omitir nenhum detalhe.
— Deus, Emily. Que situação! Então, aquele homem... aquele pedaço de mal caminho... é irmão de Kayra? — Letícia fala, em choque, tentando entender toda a complexidade do que estou vivendo.
— Sim. Exatamente. Agora eu não sei o que fazer. Que raiva me deu vê-lo com sua noiva! — Minha voz falha, misturando dor e frustração.
A porta se abre de repente, interrompendo meu desabafo. O irmão de Letícia, Jonathan, de sete anos, entra no quarto e, ao me ver, estaca, observando-me com curiosidade.
— Jonathan! Já disse para não entrar no meu quarto assim! — Letícia grita, e ele me avalia com um olhar curioso e preocupante.
— Emily, você está chorando? — Ele pergunta, a ingenuidade de uma criança tentando compreender o que está acontecendo.
Letícia se levanta, decidida.
— Saia, Jonathan. Eu estou tendo uma conversa séria com Emily. — Sua voz é firme, mas, ao mesmo tempo, carinhosa, como uma irmã protetora.
Jonathan a encara por um momento e, então, sai sem dizer mais nada, deixando-nos sozinhas novamente.
— Está bom! Mais tarde podemos jogar videogame? — Jonathan pergunta, animado, com uma expressão de expectativa genuína.
— Sim, depois jogamos. Faz tempo que vocês chegaram? — Respondo, tentando não transparecer o turbilhão de emoções que estou vivendo.
— Não, agora. Mamãe comprou um casaco lindo para você. — Ele diz, com entusiasmo, e eu consigo ouvir a alegria em sua voz.
— Está certo, diga para ela que estou com Emily e depois eu vejo.
Quando ele sai, Letícia tranca a porta com uma expressão séria, sem deixar transparecer mais do que a preocupação com a situação.
— Pronto. — Ela diz, me olhando com uma intensidade silenciosa.
Eu me levanto da cama e, sem graça, aliso o meu vestido, tentando disfarçar o quanto me sinto desconfortável.
— Desculpe-me por estar te atrapalhando com meus problemas. Sei que você não tem muito a me dizer agora e nem como me ajudar. Eu só precisava desabafar mesmo. — Falo, tentando me desculpar pelo peso que estou colocando sobre ela, mas é como se uma parte de mim ainda não soubesse como lidar com essa situação.
Letícia me observa por um momento, pensativa.
— Ai, Emily, me perdoe. Acho que estou piorando as coisas. — Ela murmura, e sinto a sinceridade de suas palavras, mas não há nada que ela possa fazer para aliviar a dor que está me consumindo.
Eu a afasto um pouco, enxugando as lágrimas.
— Não, não está. Meu pai está decepcionado mesmo. Acho que pensaria assim também, caso tivesse uma filha tão inconsequente como eu. — As palavras saem de mim, pesadas e amargas, e sei que minha autocrítica está tomando conta de mim, mas não consigo impedir.
— Pare com isso! Não pense assim! Como você ia adivinhar que fosse acontecer o acidente da camisinha? E de primeira, hein? Boa pontaria a dele. — Letícia tenta aliviar um pouco a tensão com uma piada, mas, ao ouvir suas palavras, algo dentro de mim se parte ainda mais. Não consigo rir.
— Bem, vou para casa. Deseje-me sorte. — Falo, tentando recuperar um pouco da compostura.
Ela me observa por um instante, avaliando meu estado.
— Você não voltará ao trabalho agora? — Ela pergunta, e posso perceber a preocupação dela com o meu bem-estar.
Meneio a cabeça, sem muita convicção.
— Não, nem tenho cabeça para isso.
— Fique aqui então. Assim você esfria um pouco a cabeça e só depois vai embora. Almoce conosco. — Ela sugere, e eu respiro fundo, sentindo que não tenho forças para argumentar.
— Eu aceito. É bom, pois não quero desmoronar na frente de meus pais. Se eu for agora, vou piorar as coisas. Eles precisam me ver fria e resoluta em resolver isso. — Digo, tentando reunir toda a coragem que ainda tenho.
— É assim que se fala. Mas você falará com Okan ou vai tentar convencer seus pais a criar esse filho sem o conhecimento dele? — Letícia pergunta, curiosa, mas ao mesmo tempo preocupada com a decisão que eu ainda não tomei.
Eu solto outro suspiro profundo, sabendo que não tenho todas as respostas.
— Não sei ainda. Meu coração está cheio de dúvidas sobre o que é melhor para mim e para o meu filho. — Falo com um pesar silencioso, como se a incerteza estivesse me engolindo, me impedindo de seguir em frente com clareza.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Romance Proibido
Não consigo liberar para leitura, mesmo tendo saldo disponível....
Fiz a compra e não desbloqueia para ler , falta de respeito com o leitor!!!...