Liam continuava olhando fixo para a porta.
Por um segundo, o quarto ficou silencioso — mas nada ali tinha calma. A tensão era espessa, quase palpável, como se ocupasse cada centímetro de ar entre eles.
Olívia respirava fundo, tentando organizar o próprio caos interno, mas cada vez que abria a boca, vinha mais dor do que controle.
Liam percebeu duas coisas ao mesmo tempo:
ela não ia parar
e a sombra do lado de fora ainda não tinha ido embora.
Foi o suficiente para fazê-lo reagir.
— Que merda… — ele soltou enfim, sem elevar o tom. — É exatamente por isso que eu nunca quis me casar.
A voz dele era baixa, dura, absolutamente estável.
Nada de grito. Nada de tremor.
A frieza vinha lapidada por anos de autocontrole—e de dureza.
— Chego de uma viagem desgastante e tenho que ouvir cobrança como se eu tivesse obrigação de justificar cada passo que dou.
Ele deu um meio sorriso frio, sem humor algum — um sorriso que não alcançou os olhos.
— Você repete as mesmas coisas como um disco arranhado. Cansa. Irrita. Enche o saco.
Agora ele olhava diretamente para ela, impassível, sem um fiapo de paciência.
— Ontem eu disse que queria conversar. — lembrou. — Você virou as costas. Fez a sua escolha. E agora aparece reclamando? Já cansei de te falar que a vida é feita de escolhas. E todas elas têm consequências.
Ele passou uma mão pelo cabelo, depois outra pela cintura, e gesticulou no ar como quem tenta manter o controle ansioso de não explodir.
— Precisava daquele espetáculo na escada? — completou. — Era só ter assumido o óbvio: você está com ciúmes da Bárbara.
O sangue de Olívia ferveu instantaneamente.
Ela deu um passo à frente, o queixo erguido, o olhar afiado.
— E você está irritado porque não está acostumado a ser rejeitado por uma mulher. — devolveu, firme. — E porque eu falei do seu pai.
A menção a Felipe acertou Liam como um estalo seco.
O olhar já frio desceu alguns graus. Uma sombra pesada apareceu ali.
Ela viu.
E apertou mais.
— Seu pai pelo menos tem uma qualidade: ele não tenta esconder quem é. — disse, cada palavra uma lâmina. — Todo mundo sabe a vida promíscua que ele leva. O teu pai fala as coisas, mesmo que seja pra ferir. Já você… não. Você esconde tudo. Mantém todo mundo no escuro—e quando eu descubro alguma coisa, é sempre como uma bomba.
A raiva dela não era infantil; vinha acumulada, dolorida, amadurecida.
— Eu até fiquei com dó da forma como ele te trata. — admitiu ela, com crueldade calculada. — Mas agora eu vejo que cada pai sabe o filho que tem. E trata como acha que merece.
Liam sentiu.
Ele não demonstrou de forma escancarada, mas ela viu o maxilar tensionar, o pescoço endurecer, a respiração ficar mais pesada.
Não descontrole — fúria contida.
Ele precisava engolir. Avaliar. Não podia perder o controle ali — não com alguém talvez ouvindo atrás da porta.
— Olívia. — disse, por fim, a voz baixa, grave. — Eu disse chega.
Ela riu. Um riso curto, cansado e sem humor.
— Quem é você pra falar “chega”? — contrapôs. — Você não manda em mim. Eu não vou calar a boca porque você quer. Eu vou colocar pra fora tudo que está engasgado.
Soltou o ar como quem expulsa algo tóxico.
— Eu tô de saco cheio desse seu jeito mandão, possessivo, ciumento, vingativo. — continuou. — Se continuar assim, vai acabar sozinho na vida, Liam. Sozinho. Porque nem o nosso filho vai te suportar.
Ele percebeu que ela não ia parar.

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