Enquanto a mesa fervia lá embaixo, o quarto no andar superior estava mergulhado em um silêncio denso.
Liam fechou a porta atrás de si com um movimento firme, o clique da fechadura marcando o início de um território onde ele acreditava ter controle.
Olívia caminhou alguns passos para longe, instintivamente buscando distância. Parou perto da janela, os braços cruzados à frente do corpo, como se quisesse se proteger com o próprio abraço.
Ela olhou para ele, a respiração ainda acelerada, mas o olhar firme.
— Pronto. — disse, a voz sem doçura. — Seu palco privado. Agora fala marido.
Liam apoiou a mão na maçaneta por um segundo, como se precisasse daquele ponto físico para não deixar a raiva dominar. Depois se afastou da porta, caminhando em direção a ela com passos calmos demais para serem naturais.
— Você está alterada. — começou, medindo cada palavra. — Não é o momento de…
— Não vem com esse tom neutro de empresário em reunião, Liam. — cortou, sem dar espaço. — Eu não sou sua funcionária. Sou a esposa perfeita que foi obrigada a dividir a mesa com a sua amante.
Ele parou a poucos passos dela, mantendo uma distância calculada.
— Nada aconteceu. — disse, frio. — Você está fazendo tempestade em copo d’água.
— Nada? — ela repetiu, com um sorriso curto, incrédulo. — Que interessante… porque, do meu ponto de vista, muita coisa aconteceu.
Ela ergueu a mão devagar, o movimento preciso, e começou a contar nos dedos, um por um, como se estivesse desmontando cada parte da mentira dele.
— Você viaja dizendo que é por conta de negócios. — o indicador se levantou.
— Volta com a sua amante no jatinho. — o dedo seguinte. — Isso se não foi com ela.
— Traz ela pra dentro da casa dos seus avós como se fosse a coisa mais natural do mundo… — outro dedo. — …com o único intuito de esfregar na minha cara que ela é “da família”. — fez aspas no ar, o olhar firme.
— Senta à mesma mesa que eu. — mais um dedo.
— Deixa ela fazer insinuações sobre vocês dois estarem juntos na frente de todo mundo… — o dedo final se ergueu. — Me expõe. Me ridiculariza. Porque essa foi a sua intenção, Liam.
O ar entre eles ficou denso — quente das emoções, frio da frieza que ele insistia em manter. Olívia respirou fundo, o peito subindo com força antes de continuar.
— Eu tendo que bancar a esposa desconfortável com a situação. — gesticulou, a voz falhando apenas de indignação, não de fragilidade. — Você, antes de viajar, disse que precisava falar comigo. Deu a entender que queria… sei lá… conversar como duas pessoas normais. Me deu um mínimo sinal de interesse.
Ela deu um passo para trás, criando distância física o suficiente para que a distância emocional ficasse ainda maior.
— E eu? — levantou o queixo, firme. — Eu sou a louca, a ciumenta, vendo coisa onde não tem… se você sempre deixou claro pra mim que ela é sua namorada? Que eu não presto? Que entre as suas acompanhantes e a mãe do seu filho não existe diferença nenhuma?
Ele apertou o maxilar com tanta força que o músculo do lado do rosto saltou. Os olhos dele ficaram mais escuros, uma sombra profunda passando por eles — raiva, orgulho ferido, culpa sufocada, tudo junto.
Mesmo assim, a voz de Liam saiu contida, como se ele estivesse segurando um animal selvagem dentro do peito.
— Era trabalho, Olívia. — repetiu, a voz baixa e cortante, cada sílaba presa num fio de autocontrole. — Se você prefere criar novela na sua cabeça, isso é contigo.
O riso dela veio sem humor algum. Apenas incredulidade ferida.
— Trabalho. — repetiu, inclinando um pouco a cabeça para o lado. — Claro. Uma modelo é essencial numa holding marítima. Faz todo sentido.
Os olhos dela desceram para o peito dele e voltaram ao rosto — um movimento lento, controlado, que fez Liam tensionar o maxilar. Ele tentou decifrá-la, mas não conseguiu. Aquilo o irritou ainda mais.
Olívia inspirou fundo, e quando falou de novo, a voz saiu mais baixa… e mais perigosa.


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