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Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato romance Capítulo 99

Enquanto a mesa fervia lá embaixo, o quarto no andar superior estava mergulhado em um silêncio denso.

Liam fechou a porta atrás de si com um movimento firme, o clique da fechadura marcando o início de um território onde ele acreditava ter controle.

Olívia caminhou alguns passos para longe, instintivamente buscando distância. Parou perto da janela, os braços cruzados à frente do corpo, como se quisesse se proteger com o próprio abraço.

Ela olhou para ele, a respiração ainda acelerada, mas o olhar firme.

— Pronto. — disse, a voz sem doçura. — Seu palco privado. Agora fala marido.

Liam apoiou a mão na maçaneta por um segundo, como se precisasse daquele ponto físico para não deixar a raiva dominar. Depois se afastou da porta, caminhando em direção a ela com passos calmos demais para serem naturais.

— Você está alterada. — começou, medindo cada palavra. — Não é o momento de…

— Não vem com esse tom neutro de empresário em reunião, Liam. — cortou, sem dar espaço. — Eu não sou sua funcionária. Sou a esposa perfeita que foi obrigada a dividir a mesa com a sua amante.

Ele parou a poucos passos dela, mantendo uma distância calculada.

— Nada aconteceu. — disse, frio. — Você está fazendo tempestade em copo d’água.

— Nada? — ela repetiu, com um sorriso curto, incrédulo. — Que interessante… porque, do meu ponto de vista, muita coisa aconteceu.

Ela ergueu a mão devagar, o movimento preciso, e começou a contar nos dedos, um por um, como se estivesse desmontando cada parte da mentira dele.

— Você viaja dizendo que é por conta de negócios. — o indicador se levantou.

— Volta com a sua amante no jatinho. — o dedo seguinte. — Isso se não foi com ela.

— Traz ela pra dentro da casa dos seus avós como se fosse a coisa mais natural do mundo… — outro dedo. — …com o único intuito de esfregar na minha cara que ela é “da família”. — fez aspas no ar, o olhar firme.

— Senta à mesma mesa que eu. — mais um dedo.

— Deixa ela fazer insinuações sobre vocês dois estarem juntos na frente de todo mundo… — o dedo final se ergueu. — Me expõe. Me ridiculariza. Porque essa foi a sua intenção, Liam.

O ar entre eles ficou denso — quente das emoções, frio da frieza que ele insistia em manter. Olívia respirou fundo, o peito subindo com força antes de continuar.

— Eu tendo que bancar a esposa desconfortável com a situação. — gesticulou, a voz falhando apenas de indignação, não de fragilidade. — Você, antes de viajar, disse que precisava falar comigo. Deu a entender que queria… sei lá… conversar como duas pessoas normais. Me deu um mínimo sinal de interesse.

Ela deu um passo para trás, criando distância física o suficiente para que a distância emocional ficasse ainda maior.

— E eu? — levantou o queixo, firme. — Eu sou a louca, a ciumenta, vendo coisa onde não tem… se você sempre deixou claro pra mim que ela é sua namorada? Que eu não presto? Que entre as suas acompanhantes e a mãe do seu filho não existe diferença nenhuma?

Ele apertou o maxilar com tanta força que o músculo do lado do rosto saltou. Os olhos dele ficaram mais escuros, uma sombra profunda passando por eles — raiva, orgulho ferido, culpa sufocada, tudo junto.

Mesmo assim, a voz de Liam saiu contida, como se ele estivesse segurando um animal selvagem dentro do peito.

— Era trabalho, Olívia. — repetiu, a voz baixa e cortante, cada sílaba presa num fio de autocontrole. — Se você prefere criar novela na sua cabeça, isso é contigo.

O riso dela veio sem humor algum. Apenas incredulidade ferida.

— Trabalho. — repetiu, inclinando um pouco a cabeça para o lado. — Claro. Uma modelo é essencial numa holding marítima. Faz todo sentido.

Os olhos dela desceram para o peito dele e voltaram ao rosto — um movimento lento, controlado, que fez Liam tensionar o maxilar. Ele tentou decifrá-la, mas não conseguiu. Aquilo o irritou ainda mais.

Olívia inspirou fundo, e quando falou de novo, a voz saiu mais baixa… e mais perigosa.

— Ciúmes? — repetiu, erguendo as sobrancelhas. — Não, Liam. O que eu estou é com muito ódio de você.

Olívia virou o rosto para longe dele, exasperada, e começou a andar pelo quarto. O salto dela contra o chão ecoava num ritmo irregular — raiva, frustração, ferida latejando.

Liam deu alguns passos para alcançá-la.

Quando a mão dele se ergueu para tocá-la no ombro, ela se desviou.

— Não toca em mim. — avisou, sem virar o rosto. — Você não tem esse direito.

Ela se moveu mais para frente, voltando as costas para a porta e foi exatamente ali, naquele ângulo, que Liam viu.

Uma sombra projetada no chão.

Alguém parado do lado de fora.

O olhar de Liam mudou. Como se algo dentro dele tivesse acabado de ligar um alerta silencioso.

— Olívia. Chega. — disse, baixo, ríspido, absolutamente controlado. Não havia emoção. Não havia pedido.

Era ordem pura.

Mas ela ignorou. O corpo dela tremia de uma indignação que não coube dentro dela.

— Chega nada. — continuou, sem sequer olhar pra ele. — Você vai ouvir. Porque eu fiquei calada pra sua família inteira, fingindo que estava tudo bem, quando você me expôs da forma mais humilhante possível. E aí você sobe as escadas me mandando vir para o quarto, como se eu fosse uma válvula que você abre ou fecha quando quer?

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