No outro dia, Trident Marine, Ísis fechou o notebook com cuidado, como se aquele clique seco fosse um ponto-final no dia e também uma tentativa de organizar a própria cabeça.
Ela arrumava a bolsa quando ouviu o som da porta abrindo e não precisou virar para saber quem era. Alex tinha um jeito próprio de ocupar o ambiente: não era barulhento, mas era presença. O ar parecia mudar quando ele chegava.
Antes dela acabar o que estava fazendo, os braços dele envolveram sua cintura por trás, firme o suficiente para que ela sentisse a segurança do abraço e suave o suficiente para não parecer invasão. O peito dele encostou nas costas dela, quente, e Ísis prendeu um riso por reflexo, como se o corpo reagisse antes de qualquer defesa.
— Como foi seu dia, senhorita difícil? — ele perguntou perto do ouvido, a voz baixa, brincalhona, com aquela calma que parecia sempre esconder alguma segunda intenção.
Ísis riu, mas não se virou de imediato. Continuou ajeitando a bolsa, como se fingir indiferença fosse uma forma de não entregar o quanto aquela intimidade a mexia.
— Bem corrido… — respondeu, encaixando o celular no lugar. — Mas estou aprendendo o serviço. Quando minha amiga chegar de viagem, já vou saber todo o trabalho.
Ela sentiu a respiração dele roçar a curva do pescoço. Alex inclinou o rosto e depositou um beijo leve ali, no ponto exato onde a pele dela sempre arrepiava.
Foi só um beijo. Mas foi um beijo de alguém que sabia o efeito que tinha.
Ísis fechou os olhos por um segundo, só um, antes de recuperar o tom.
— Beijo no pescoço pode, né? — perguntou, quase num sussurro, mais curioso do que ousado, testando os limites dela.
Ísis sorriu, um sorriso pequeno, contido, que não escondia completamente o arrepio que sentiu. Ela virou levemente, o rosto na direção dele, sem se afastar.
— Pode. — respondeu, devolvendo o sorriso, numa concessão consciente.
Alex sorriu satisfeito. A mão apertando de leve a cintura dela, como quem marca presença sem pedir licença.
Ele respirou fundo antes de falar de novo, agora com um brilho diferente no olhar.
— Vamos jantar juntos… — disse, aproximando-se um pouco mais, mas sem pressionar. — E depois você dorme em minha cobertura? — fez uma pausa curta, estratégica. — No domingo você escapou… mas hoje eu não vou deixar.
Ela ajeitou a gravata dele com as duas mãos. O gesto era íntimo, mas o olhar dela era firme.
— Ainda está muito cedo pra dormirmos na casa um do outro. — disse com uma calma. — Temos muito que nos conhecermos, querido. E não é porque sou viúva que as coisas vão ser fáceis demais. Tudo liberado. — Ela deu um meio sorriso, quase divertido. — Sinto muito, mas hoje eu e Laura vamos ao cinema.
Alex fez um som baixo, um “hm” carregado de paciência… e de desafio. Ele passou a mão pela lateral do rosto dela, sem insistir demais, só roçando o polegar.
— Eu sou paciente. — disse ele, sério agora. — Vou esperar o seu tempo. Eu disse que quando eu encontrasse a pessoa certa pra mim… eu ia mudar de vida.
Ísis ergueu uma sobrancelha, divertindo-se com a própria audácia.
— Vamos ver se o senhor conquistador barato vai conseguir ficar um mês sem beijo e sexo.
Alex soltou uma risada curta, baixa.
— Isso vai ser interessante. — respondeu. — Mas, posso facilmente te fazer mudar de ideia. Sou irresistível. Você não vai conseguir resistir por muito tempo. — Ele fez uma pausa, e a voz desceu para um tom mais honesto. — Falando sério agora… eu vou esperar o tempo que for preciso. Você vai ver que eu quero algo sério com você.
A frase bateu num lugar delicado dentro dela. Ísis sentiu o peito apertar, não por medo do Alex, mas por medo do que aquilo poderia significar. A possibilidade de se permitir de novo. De confiar de novo.
Ela respirou fundo, abriu um sorriso pequeno e fingiu leveza para não mostrar o impacto.

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