Laura soltou uma risada curta, sem humor.
— Eu desliguei e bloqueei ele. — Ela ergueu o queixo, como se repetisse uma decisão necessária. — Ele tem uma mulher, Ísis. Eu tenho certeza. E eu não vou ser amante igual minha mãe.
A frase veio com uma força que não era só raiva; era medo antigo. Um medo que Laura carregava como quem carrega uma herança que não pediu.
Ísis segurou a mão dela.
— Eu só acho que vocês precisam conversar. — disse, com cuidado. — Eu não sei o que aconteceu pra vocês se separarem… o real motivo. Mas se ele sabe dos problemas da sua família, do histórico da sua mãe, do seu medo de repetir a mesma história… por que ele te procuraria estando com outra?
Laura desviou o olhar, o peito subindo e descendo como se ela tentasse conter algo.
— Porque ele não suportou ver eu com outro. — disse, amarga. — Ver eu entrando no carro de outro. — Ela apertou os dedos. — Por eu ter sido a primeira… ele acha que tem posse sobre mim. Só isso.
Ísis inclinou a cabeça, olhando nos olhos dela.
— Laura… tem como saber quando um homem quer só curtição ou quando ele quer algo sério. Quando não é só sexo.
Laura soltou o ar, e o olhar dela amoleceu, mas só o suficiente para mostrar a verdade.
— Eu amo o Edgar loucamente. — confessou, baixo, como se fosse perigoso dizer aquilo em voz alta. — Eu não esperava ele reaparecer e me levar pra uma suíte… e eu me entregando pra ele de novo… porque eu jurei pra mim mesma que ele nunca mais me tocaria. Mas falhei. — Ela engoliu seco, e os olhos brilharam com raiva e saudade misturadas. — Nenhum outro homem me conhece tão bem quanto ele. Nenhum consegue me dar prazer como ele… me tirar do eixo. — O canto da boca dela tremeu num sorriso triste. — Como eu estava com saudades do meu preto.
Ísis apertou a mão dela com mais força, os dedos entrelaçando-se num gesto silencioso de apoio.
— Eu acho que a história de vocês ainda não terminou. — disse firme, mas gentil, sustentando o olhar da amiga. — Vocês só precisam sentar, conversar, se entender. Colocar na mesa o que fez vocês se separarem no passado. Só isso.
Laura fez um gesto de rendição, erguendo levemente as mãos, como quem não quer brigar com a verdade, mas ainda não consegue abraçá-la. O ar saiu pesado dos pulmões.
— Não sei se essa conversa vai ter um dia. — disse, respirando fundo. E então, como se mudasse de assunto para não chorar, ajeitou a bolsa no ombro e forçou um sorriso: — Só sei que estou animadíssima pra ver esse filme. Vamos na Hershey’s comprar uns doces? Filme sem guloseimas não tem graça.
Ísis riu, balançando a cabeça, tentando acompanhar o tom mais leve da amiga.
— Vamos. — disse, puxando Laura pelo braço num gesto cúmplice.
Elas foram até o estabelecimento com a empolgação típica de amigas que tentam se salvar com açúcar. O cheiro de chocolate era quase uma armadilha — doce, intenso, impossível resistir.
Ísis parou diante das prateleiras, os olhos percorrendo as opções como se estivesse diante de tentações alinhadas.
— Nossa… — comentou, pegando uma barra e depois outra, avaliando o peso na mão. — Vou ter que me matar na academia pra perder as calorias que esses doces vão me dar. — fez uma careta divertida, já colocando tudo no cesto.
Laura pegou duas barras e jogou dentro também, sem o menor remorso.
— Vale cada caloria. — respondeu, dando de ombros, decidida.
Ela parou de repente, bateu a mão de leve na testa, como quem acaba de lembrar de algo importante.
— Esqueci de pegar uma bebida. — disse, já se virando.
Ísis apontou discretamente para o relógio no pulso, arqueando as sobrancelhas.
— Não demora que já vai começar a sessão. — avisou, num tom meio sério, meio brincalhão.
— Já volto, Ísis. Vai ser rápido. — respondeu Laura, já se afastando apressada.
E a realidade se encaixou com uma violência silenciosa.
— Papai? — repetiu, em choque, como se a palavra não coubesse na boca dela.
A menina inclinou a cabeça, observando Laura com curiosidade inocente, sem perceber o abalo que causava.
— Papai, quem é ela? — perguntou, segurando forte a mão dele.
A voz de Edgar falhou. Ele abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu. Eles levantaram lentamente.
Foi então que outra mulher se aproximou, os passos firmes, o semblante controlado.
— Luna, eu já te disse que você não pode correr na frente assim. — repreendeu com doçura contida, segurando a mão da criança. E então, olhando diretamente para Edgar, a voz carregada de significado. — Amor… você precisa conversar com ela.
A palavra “amor” atravessou Laura como um golpe seco no peito.
Ela piscou algumas vezes, tentando organizar o que via. Os olhos se arregalaram quando o reconhecimento veio, tardio e cruel.
— Marcela? — a voz saiu quebrada. Era nome e acusação ao mesmo tempo.
A mulher parou. O olhar passou por Laura com um misto de desconforto e determinação.
Laura voltou os olhos para Edgar, o peito subindo e descendo rápido, a garganta seca demais para engolir.
— Amor… Marcela… filha? — perguntou, em choque absoluto, as palavras se atropelando. — Como assim?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato
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Liberem os próximos capítulos, estou extremamente ansiosa pra saber o desfecho, cada dia esse livro esta melhor....
Nossa que desfecho maravilhoso da Isís iurulll...
Libera mais páginas estou ansiosa . Apaixonada por cada capitulo...
Libera mais capítulos..... sofro de ansiedade kkkkk...
Eu não consigo colocar crédito. Já tentei 3 cartões...
Sera que existe liam na vida real super protetor?...
Liberem os próximos capítulos super ansiosa.... Liam e ta surpreendendo depois de ser tão mulherengo.......
195 desbloqueio da sequência desses capitulos...
Estou tento de ansiedade 🥺esperando o próximo episódio...