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Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato romance Capítulo 156

Laura soltou uma risada curta, sem humor.

— Eu desliguei e bloqueei ele. — Ela ergueu o queixo, como se repetisse uma decisão necessária. — Ele tem uma mulher, Ísis. Eu tenho certeza. E eu não vou ser amante igual minha mãe.

A frase veio com uma força que não era só raiva; era medo antigo. Um medo que Laura carregava como quem carrega uma herança que não pediu.

Ísis segurou a mão dela.

— Eu só acho que vocês precisam conversar. — disse, com cuidado. — Eu não sei o que aconteceu pra vocês se separarem… o real motivo. Mas se ele sabe dos problemas da sua família, do histórico da sua mãe, do seu medo de repetir a mesma história… por que ele te procuraria estando com outra?

Laura desviou o olhar, o peito subindo e descendo como se ela tentasse conter algo.

— Porque ele não suportou ver eu com outro. — disse, amarga. — Ver eu entrando no carro de outro. — Ela apertou os dedos. — Por eu ter sido a primeira… ele acha que tem posse sobre mim. Só isso.

Ísis inclinou a cabeça, olhando nos olhos dela.

— Laura… tem como saber quando um homem quer só curtição ou quando ele quer algo sério. Quando não é só sexo.

Laura soltou o ar, e o olhar dela amoleceu, mas só o suficiente para mostrar a verdade.

— Eu amo o Edgar loucamente. — confessou, baixo, como se fosse perigoso dizer aquilo em voz alta. — Eu não esperava ele reaparecer e me levar pra uma suíte… e eu me entregando pra ele de novo… porque eu jurei pra mim mesma que ele nunca mais me tocaria. Mas falhei. — Ela engoliu seco, e os olhos brilharam com raiva e saudade misturadas. — Nenhum outro homem me conhece tão bem quanto ele. Nenhum consegue me dar prazer como ele… me tirar do eixo. — O canto da boca dela tremeu num sorriso triste. — Como eu estava com saudades do meu preto.

Ísis apertou a mão dela com mais força, os dedos entrelaçando-se num gesto silencioso de apoio.

— Eu acho que a história de vocês ainda não terminou. — disse firme, mas gentil, sustentando o olhar da amiga. — Vocês só precisam sentar, conversar, se entender. Colocar na mesa o que fez vocês se separarem no passado. Só isso.

Laura fez um gesto de rendição, erguendo levemente as mãos, como quem não quer brigar com a verdade, mas ainda não consegue abraçá-la. O ar saiu pesado dos pulmões.

— Não sei se essa conversa vai ter um dia. — disse, respirando fundo. E então, como se mudasse de assunto para não chorar, ajeitou a bolsa no ombro e forçou um sorriso: — Só sei que estou animadíssima pra ver esse filme. Vamos na Hershey’s comprar uns doces? Filme sem guloseimas não tem graça.

Ísis riu, balançando a cabeça, tentando acompanhar o tom mais leve da amiga.

— Vamos. — disse, puxando Laura pelo braço num gesto cúmplice.

Elas foram até o estabelecimento com a empolgação típica de amigas que tentam se salvar com açúcar. O cheiro de chocolate era quase uma armadilha — doce, intenso, impossível resistir.

Ísis parou diante das prateleiras, os olhos percorrendo as opções como se estivesse diante de tentações alinhadas.

— Nossa… — comentou, pegando uma barra e depois outra, avaliando o peso na mão. — Vou ter que me matar na academia pra perder as calorias que esses doces vão me dar. — fez uma careta divertida, já colocando tudo no cesto.

Laura pegou duas barras e jogou dentro também, sem o menor remorso.

— Vale cada caloria. — respondeu, dando de ombros, decidida.

Ela parou de repente, bateu a mão de leve na testa, como quem acaba de lembrar de algo importante.

— Esqueci de pegar uma bebida. — disse, já se virando.

Ísis apontou discretamente para o relógio no pulso, arqueando as sobrancelhas.

— Não demora que já vai começar a sessão. — avisou, num tom meio sério, meio brincalhão.

— Já volto, Ísis. Vai ser rápido. — respondeu Laura, já se afastando apressada.

E a realidade se encaixou com uma violência silenciosa.

— Papai? — repetiu, em choque, como se a palavra não coubesse na boca dela.

A menina inclinou a cabeça, observando Laura com curiosidade inocente, sem perceber o abalo que causava.

— Papai, quem é ela? — perguntou, segurando forte a mão dele.

A voz de Edgar falhou. Ele abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu. Eles levantaram lentamente.

Foi então que outra mulher se aproximou, os passos firmes, o semblante controlado.

— Luna, eu já te disse que você não pode correr na frente assim. — repreendeu com doçura contida, segurando a mão da criança. E então, olhando diretamente para Edgar, a voz carregada de significado. — Amor… você precisa conversar com ela.

A palavra “amor” atravessou Laura como um golpe seco no peito.

Ela piscou algumas vezes, tentando organizar o que via. Os olhos se arregalaram quando o reconhecimento veio, tardio e cruel.

— Marcela? — a voz saiu quebrada. Era nome e acusação ao mesmo tempo.

A mulher parou. O olhar passou por Laura com um misto de desconforto e determinação.

Laura voltou os olhos para Edgar, o peito subindo e descendo rápido, a garganta seca demais para engolir.

— Amor… Marcela… filha? — perguntou, em choque absoluto, as palavras se atropelando. — Como assim?

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