Por instinto, Edgar reagiu segurando o braço de Laura com firmeza. Não agressivo, mas urgente. Desesperado.
— Laura… — começou, a voz baixa, quase suplicante. — Não é o que você está pensando.
Ela virou o rosto na mesma hora para Marcela e depois para ele novamente, os olhos marejados, o maxilar tenso.
— Solta o meu braço agora. — disse entre os dentes. — Eu não estou pensando. Eu estou vendo.
O movimento brusco fez Luna recuar um passo, confusa. A menina olhava de um para o outro, tentando entender aquele clima pesado que não combinava com chocolates.
Ísis vinha logo atrás e parou ao ver a cena: Edgar segurando o braço de Laura, o rosto dela transtornado.
— Eu posso explicar… — ele insistiu, odiando cada sílaba daquela frase pronta demais.
Laura puxou o braço com força.
— Fica longe de mim! — gritou, a voz falhando, o corpo inteiro tremendo.
O gesto foi tão abrupto que a cesta de doces escorregou de suas mãos e caiu no chão, espalhando chocolates pelo piso. Laura nem olhou. Virou-se e saiu andando rápido, quase correndo, o choro já rompendo sem controle.
— Laura! — Ísis chamou, largando tudo para trás.
Ela deixou a cesta em qualquer prateleira e saiu atrás da amiga.
Edgar fez menção de ir atrás também, mas Marcela segurou o braço dele com firmeza suficiente para fazê-lo parar.
— Onde você vai? — disse num tom duro. — Vai deixar sua filha sozinha?
Ele se virou lentamente para ela, o olhar pesado, carregado de reprovação.
— Por que você fez isso? — perguntou, baixo e cortante. — Você sabe muito bem da nossa situação.
Luna puxou a mão do pai, assustada.
— Papai… o que está acontecendo? — perguntou, a voz fina, insegura.
Edgar se agachou diante da filha na mesma hora. O semblante mudou, a voz suavizou, tentando esconder o caos interno.
— Filha… sua mãe vai comprar o chocolate com você, tá? — falou com cuidado. — Você vai pra casa com ela e não vai correr na frente sozinha. Combinado? Mais tarde eu chego.
Luna assentiu, ainda confusa.
— Tá bom, papai. Te amo. — disse, abraçando Edgar.
— Papai também te ama. — respondeu, beijando a testa dela.
Ele se levantou e lançou um último olhar sério para Marcela.
— Depois conversamos.
E saiu correndo.
Do lado de fora, Laura já caminhava pela Times Square como se estivesse perdida dentro do próprio corpo. O coração disparado, o rosto pálido, o suor frio escorrendo pelas costas, a visão embaçada pelas lágrimas. As luzes, as pessoas, os sons. Tudo girava rápido demais.
Ísis alcançou-a e segurou seu braço.
— Laura, fala comigo! O que aconteceu?
Laura tentou continuar andando, mas as pernas falharam. Parou de repente, o choro explodindo.
— Ele tem uma filha… — disse entre soluços. — Ele mentiu pra mim. Comigo ele não quis filho. — levou a mão à cabeça. — Ele é casado… minha cabeça está doendo muito…
O mundo escureceu antes que Ísis pudesse reagir.
Laura desmaiou.
— Laura! — Ísis se abaixou na mesma hora, segurando o rosto dela. — Pelo amor de Deus, acorda!
Algumas pessoas se aproximaram.
— Está tudo bem?
— Vamos chamar uma ambulância!

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