O sorriso do médico desapareceu. O tom mudou.
— Antes de qualquer coisa, preciso entender melhor a situação. — disse com seriedade clínica. — O que você é dela? E o que exatamente aconteceu com a paciente?
— Sou o namorado dela. — respondeu Edgar, direto.
Ísis, ao lado, desviou o olhar por um segundo e respirou fundo. Não disse nada, mas a tensão em seu rosto denunciava que aquela palavra, namorado, não era verdadeira.
Ela então se adiantou um passo.
— Estávamos comprando doces para irmos ao cinema. — explicou, com a voz firme, ainda que carregada de emoção. — Eu a vi de longe com o Edgar. De repente, ela começou a andar rápido e saiu da loja chorando, na rua estava muito agitada, falando rápido demais… — engoliu em seco. — E desmaiou.
O médico ouviu com atenção, assentindo lentamente.
— Laura teve uma crise de ansiedade severa. — explicou. — Houve um gatilho emocional muito forte. — fez uma breve pausa. — Crises assim não surgem do nada. Geralmente são o resultado de um acúmulo emocional importante.
Ele voltou o olhar para Edgar, agora com a seriedade de quem fala de igual para igual.
— Você é médico. Sabe que, quando o corpo chega a esse ponto, é porque o psicológico já vinha em sofrimento há algum tempo.
Edgar fechou os olhos por um instante, absorvendo o peso daquelas palavras.
— Eu vou cuidar dela. — disse, baixo. — Posso vê-la?
— Pode. — respondeu o médico. — Mas ela vai passar a noite aqui. Precisa descansar. — respirou fundo. — E recomendo fortemente acompanhamento psicológico.
Sem mais comentários, o médico se afastou pelo corredor.
Um dos seguranças aproximou-se com discrição.
— Com licença, já informamos ao senhor Liam sobre o estado da senhorita Laura. Vamos atualizá-lo com as orientações médicas.
Ísis fez um breve aceno com a cabeça.
— Estou falando com a Olívia. — avisou, digitando rapidamente no celular.
Quando desligou, virou-se para Edgar. O olhar agora era duro, sem concessões.
— Então, senhor namorado… — disse, carregando a palavra de ironia contida. — O que exatamente aconteceu pra ela ter essa crise?
Edgar passou a mão pelo rosto, cansado.
— Ela viu minha filha… — respondeu, hesitando. — E a mãe dela.
Os olhos de Ísis se arregalaram.
— Meu Deus… — murmurou. — Aquela mulher e aquela criança… — encarou Edgar com incredulidade. — Você é casado. E tem uma filha. Agora eu estou entendendo tudo.
— Marcela é apenas a mãe da minha filha. — apressou-se em explicar. — Moramos juntos por causa da Luna. Ela é extremamente grudada comigo. — respirou fundo. — Mas eu já estou providenciando um lugar pra mim. Eu queria ter conversado com a Laura antes… — a voz falhou. — Mas ela me bloqueou. Não quis me ver.
Ele fez uma pausa, como se tentasse retomar algum controle.
— A propósito… qual é o seu nome?
— Ísis. — respondeu sem suavizar o tom. — Sou amiga dela. Estava na boate naquele dia. — inclinou levemente a cabeça. — Com a confusão, você provavelmente nem me notou.
Ela sustentou o olhar dele, firme.
— Não sei o que houve entre vocês no passado. — continuou. — Mas como você espera que ela acredite que você mora com a mãe da sua filha e não tem nada com ela? — a voz ficou mais dura. — Você sabe melhor do que eu dos problemas da família da Laura. Do pavor que ela tem de ser amante na vida de um homem.
— Aqui nos Estados Unidos isso é comum. — insistiu Edgar, defensivo. — Eu sei que é difícil entender… e sei que você não vai acreditar em mim.
Ísis não desviou o olhar.
— Edgar… — disse com frieza controlada. — Eu já vi de tudo nessa vida. — uma pausa curta. — Mas quem precisa acreditar em você… é a Laura. Não eu.
O silêncio que se seguiu foi pesado demais para qualquer tentativa de defesa.
— Isso é suficiente. — disse friamente. — Para pagar por ter ficado aqui com minha filha.
Ísis ergueu o queixo, mantendo a postura firme, sem agressividade.
— Guarda seu dinheiro, senhora. — respondeu com tranquilidade. — Eu ajudei uma amiga. E mesmo que não fosse, eu jamais aceitaria dinheiro por ajudar uma pessoa.
Laura soltou um riso curto, amargo.
— Guarda esse dinheiro, mãe. — disse, sem olhar para ela. — E vai embora agora.
Érica respirou fundo, claramente irritada.
— Você está mandando sua mãe ir embora para ficar com uma desconhecida?. — disse, tentando recuperar algum controle. — Eu ouvi seu avô conversando com sua avó que você passou mal na rua. Fiquei preocupada.
Laura virou o rosto para Ísis, como se precisasse contextualizar aquilo antes que a mãe falasse qualquer coisa.
— Ísis, não leva em consideração esse comportamento da minha mãe. — disse com firmeza. — Infelizmente, ela não gosta de gente negra. Ela é racista. — respirou fundo. — Eu sou igual ao meu pai, que sempre admirou pessoas negras. E isso sempre foi uma das revoltas dela. — a voz endureceu. — Meredith era a obsessão do meu pai, sabia?
O rosto de Érica se fechou de vez.
Sem dizer mais nada, virou-se e saiu do quarto, batendo a porta com força.
O silêncio que ficou era pesado.
Ísis respirou fundo, ainda assimilando tudo.
— Nossa… — murmurou. — Sua família é complicada.
Antes que Laura respondesse, a porta se abriu novamente.
Edgar entrou no quarto devagar, o semblante preocupado, os olhos buscando imediatamente os dela.
— Como você está, amor?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato
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Liberem os próximos capítulos, estou extremamente ansiosa pra saber o desfecho, cada dia esse livro esta melhor....
Nossa que desfecho maravilhoso da Isís iurulll...
Libera mais páginas estou ansiosa . Apaixonada por cada capitulo...
Libera mais capítulos..... sofro de ansiedade kkkkk...
Eu não consigo colocar crédito. Já tentei 3 cartões...
Sera que existe liam na vida real super protetor?...
Liberem os próximos capítulos super ansiosa.... Liam e ta surpreendendo depois de ser tão mulherengo.......
195 desbloqueio da sequência desses capitulos...
Estou tento de ansiedade 🥺esperando o próximo episódio...