O clima no balcão mudou. O ar ficou mais denso, pesado, carregado de tensão. Ísis cruzou os braços, sustentando o olhar da recepcionista.
— E por que isso seria uma piada? — perguntou, com a voz firme.
A recepcionista soltou um suspiro impaciente.
— A senhora tem horário marcado? —
perguntou, fria.
— Por que seria uma piada? — perguntou Ísis novamente, inclinando-se levemente para a frente e apoiando a mão no balcão de mármore, os dedos batendo de leve na superfície lisa, num gesto contido de impaciência.
A recepcionista ergueu o olhar por cima dos óculos, cruzando os braços com um meio sorriso carregado de descrença.
— Olha, senhora… nada contra — disse, fazendo um gesto vago com a mão, como quem já estava cansada daquele tipo de situação. — Mas só hoje, contando com você, já apareceram seis mulheres aqui dizendo que são namoradas do senhor Cole. — Ela soltou um suspiro curto, balançando a cabeça de leve, os lábios se curvando num sorriso irônico. — Então entende por que fica difícil levar isso a sério, né?
Ísis estreitou os olhos, apenas o suficiente para demonstrar que não estava ali para joguinhos.
— Não. Eu não entendo — respondeu, com a voz calma, porém firme. — E, sinceramente, isso não é um problema meu.
Ela apoiou as duas mãos no balcão, mantendo a postura ereta, sem elevar o tom, mas deixando claro que não aceitaria ser diminuída.
— Por gentileza, seja profissional e faça o seu trabalho ligando para a sala do Alex. Ele mesmo vai autorizar minha entrada. — Um leve sorriso contido surgiu em seus lábios, não de deboche, mas de absoluta segurança. — Eu garanto que essa ligação vai esclarecer tudo.
A recepcionista fechou a expressão, visivelmente cansada.
— Senhora, por favor… — ela suspirou, passando a mão rapidamente pelo rosto, como quem tentava conter o cansaço. — Colabora comigo. Já estou no final do meu expediente.
Ela apoiou o cotovelo no balcão por um instante, levando os dedos à têmpora, os ombros visivelmente tensos.
— Meu filho está internado — disse, com a voz um pouco mais baixa, engolindo em seco. — Eu preciso ir direto para o hospital. — completou, erguendo os olhos para Ísis, agora sem ironia, apenas exaustão e um pedido silencioso de compreensão. — Então, por favor… — fez um pequeno gesto com a mão, quase suplicante. — Não arrume confusão pro meu lado. Preciso sair no horário certo.
Ísis respirou fundo, tentando manter o controle.
— Aqui ninguém quer confusão. — disse, mais calma, porém firme. — Eu também acabei de sair do trabalho, estou exausta e só queria fazer uma surpresa para o Alex. Por favor, liga pra ele. Não vai ter problema nenhum.
A recepcionista inclinou a cabeça, desconfiada.
— Se a senhora é a namorada, por que não liga pra ele?
Ísis apertou os lábios por um segundo.
— Meu Deus… o senhor está testando minha paciência? — soltou, num tom contido. — Meu celular descarregou. Meu dia foi tão corrido que mal consegui respirar, quanto mais colocar o telefone pra carregar.
A recepcionista ficou em silêncio por alguns segundos, observando Ísis por cima dos óculos, avaliando-a com um olhar calculado.
“Essa é mais insistente que as outras, concluiu mentalmente. Vou dar um chá de banco nela.”
— Ok. — disse por fim, ajeitando alguns papéis de propósito, como se estivesse ocupada. — Faça assim: sente ali, que eu vou ver se consigo um horário com o doutor Cole.
Ela apontou de forma vaga para as poltronas da recepção, sem muito compromisso, já desviando o olhar de Ísis, como quem encerrava o assunto.
Ísis sentou-se.
Cruzou as pernas com calma aparente, mas por dentro o corpo estava em alerta. Pegou o celular, tocou na tela escura e soltou um suspiro impaciente. Olhou ao redor: o saguão elegante, silencioso demais, o som distante dos elevadores subindo e descendo, o relógio na parede marcando cada segundo como uma provocação.
Trinta minutos se passaram.
Ísis também levantou, mas de forma lenta e controlada, como quem se recusa a ser empurrada pela situação. Ela ergueu o queixo e sustentou o olhar da recepcionista, a expressão firme, porém educada.
— Se encerrou, então eu fico aqui sentada esperando o Alex sair por um daqueles elevadores. — respondeu, apontando discretamente com o queixo na direção dos elevadores ao fundo.
O ar entre as duas ficou pesado, carregado de um desafio silencioso.
— Isso não é permitido. — respondeu a recepcionista, já impaciente. — Por favor, se retire.
Ísis cruzou os braços.
— Daqui eu não saio. — disse, firme. — E quando o Alex souber da sua postura, que não foi nem um pouco profissional, não vai gostar nem um pouco.
A recepcionista perdeu de vez a paciência.
— Segurança, por favor! — gritou.
Dois seguranças se aproximaram rapidamente.
— O que está acontecendo aqui? — perguntou um deles.
— Essa mulher se recusa a sair, e o expediente já acabou. — explicou a recepcionista.
Um dos seguranças se aproximou de Ísis.
— Senhora, por favor, nos acompanhe. — disse, estendendo a mão e apontando discretamente para a saída.
— Eu só saio daqui com o Alex. — respondeu, sem baixar o olhar. — Vocês estão cometendo um erro gravíssimo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Quero mais, tava na hora de Olivia ter um pouquinho de felicidade...
Escritora não demore pra postar,...
QUEROOOO MAIS CAPITULOOOOOS, POR FAVOR HAHAHAH...
Mds, queroooo mais!!!...
nossa quanto tempo mais? ai quando solta é so 10 capitulos...
Faz 10 dias sem novidades...
Aguardando para novos capítulos, voltou a ficar interessante...
Aí meu Deus, n demora com os próximos pfvr!...
Demora pra sair novos capítulos?...
Ahhhhh cadê novos capítulos? Isso tá muito chato....