Olívia ficou parada por um segundo, o coração apertando. Laura entrou logo atrás, sem pedir licença. Ela foi direto até a janela e puxou as cortinas com força. A luz invadiu o quarto de uma vez, agressiva, cortando a escuridão.
Ísis soltou um gemido irritado e se mexeu na cama, tentando se sentar. O movimento foi lento, pesado, como se o corpo dela estivesse carregando toneladas. Mas, no instante em que os olhos dela se acostumaram à claridade, ela congelou.
O peito subiu num sobressalto curto. O olhar correu do vulto perto da janela… até a televisão. E quando reconheceu Olívia e Laura ali, um choque atravessou o rosto dela, como se alguém tivesse arrancado o ar do quarto.
— O quê…? — a voz saiu falhada, incrédula.
Ela piscou algumas vezes, como se estivesse tentando ter certeza de que não era imaginação.
— Olívia?… Laura?…
A garganta dela apertou. O orgulho tentou reagir, tentou levantar uma barreira… mas o corpo não acompanhava.
— Por que vocês fizeram isso? — ela perguntou, com dificuldade, a voz tremendo. Os olhos estavam inchados, vermelhos, sem brilho… mas agora havia algo pior ali. Medo. E vergonha.
Laura apertou os braços contra o próprio corpo, firme.
— Porque nós não vamos deixar você morrer neste quarto. — respondeu, com os olhos marejados.
Olívia deu um passo à frente, a garganta fechando. Ela se aproximou devagar, como se tivesse medo de assustar Ísis, como se ela fosse um vidro prestes a estilhaçar.
— Nós não aceitamos te perder pra depressão, Ísis. — Olívia falou num tom baixo, mas irredutível. — Você ainda tem muito pra viver. E você não vai passar por isso sozinha.
Ísis tentou segurar, tentou engolir o choro. Mas foi como se aquela frase abrisse um buraco dentro dela. O rosto dela se contorceu. Os ombros tremeram. E, de repente, ela começou a chorar. Um choro profundo, de soluçar, como se cada respiração doesse.
Olívia foi até a cama sem pensar. Sentou de um lado. Laura sentou do outro. As duas envolveram Ísis ao mesmo tempo, apertando-a com cuidado, mas com firmeza, como se estivessem segurando alguém à beira de cair.
Ísis se encolheu entre elas, o rosto escondido, tremendo inteira. E então, sufocada pelas próprias lágrimas, ela tentou afastá-las. Empurrou de leve os braços delas, desesperada.
— Se afastem… — ela soluçou, quase sem ar. — Por favor… se afastem…
A voz dela saiu infantil, frágil, como se ela estivesse pedindo socorro e fugindo dele ao mesmo tempo. Olívia não soltou. Laura também não. Porque naquele momento, elas sabiam que Ísis não estava pedindo distância.
Ela estava pedindo para alguém ficar.
Laura passou a mão pelos cabelos, nervosa, e respirou fundo, como se precisasse se segurar para não desabar também.
— Você não vai se livrar da gente, Ísis. — ela disse, com a voz firme, mas falhando no final. — Nem que você grite. Nem que você nos xingue. Nem que tente nos expulsar daqui.
Olívia apertou Ísis um pouco mais, o rosto encostado no cabelo dela, como se quisesse transferir força.
— Você pode estar quebrada agora… — Olívia murmurou. — Mas você não está sozinha.
Ísis chorou ainda mais forte.O corpo dela tremia. A respiração vinha curta, descompassada. Ela puxou o edredom contra o peito, num gesto automático de proteção, como se estivesse exposta demais… como se elas estivessem vendo não só o estado físico dela, mas tudo o que ela tinha tentado esconder do mundo.
— Ele… ele disse que ia cuidar de mim… — Ísis conseguiu dizer, entre soluços, apertando o tecido com força. — Disse que eu não estava mais sozinha…
Ela balançou a cabeça, como se estivesse revivendo cada palavra.
quebrou
— Eu não queria amar mais ninguém… eu estava bem sozinha… — a voz . — Eu sei que eu menti… eu sei.
Ela levantou o rosto, os olhos ardendo, e a vergonha se misturou com raiva.
— Mas quem nunca mentiu? — ela disparou, num tom desesperado. — Como ele pôde pensar que eu me deitava com outros homens depois de tudo que conversamos?
Ela levou a mão ao próprio peito, batendo de leve, como se a dor fosse física.
— Por que ele me fez amá-lo? — a voz subiu, trêmula. — Pra depois me jogar fora? Pra me destruir?
— Anda, Ísis. — Laura disse, batendo as mãos uma na outra num gesto impaciente. — Levanta.
Ísis se encolheu, assustada. Laura apontou para o banheiro, sem negociação.
— Se você não levantar dessa cama agora… — ela fez uma pausa, respirando fundo, como se estivesse tentando não chorar também — eu vou buscar água gelada pra jogar em você.
Olívia virou o rosto, incrédula.
— Laura!
Laura deu de ombros, com os olhos marejados e o nariz vermelho.
— O quê? Eu estou tentando salvar a vida dela! Nesse momento precisamos ser duras para ela sair dessa cama.
Ísis soltou um soluço tão forte que quase virou uma risada curta… mas morreu no meio. A vergonha voltou com força. Ela passou a mão no rosto, tremendo. E, finalmente… cedeu.
Com esforço, ela se arrastou até a beirada da cama e sentou, os ombros caídos, o olhar vazio. Ela tentou desviar o olhar, como se não suportasse ser vista daquele jeito… mas Olívia não deixou.
— Você vai sair disso. — Olívia disse, com a voz embargada, mas firme. — Você vai batalhar pra voltar pra sua profissão… e vai reconquistar tudo o que você perdeu.
Ísis respirou fundo, falhando. Olívia continuou, com cuidado, mas sem deixar espaço para desistência.
— Se o Alex for pra você… vocês ainda vão se acertar. — ela disse, com honestidade. — Mas agora você precisa sobreviver primeiro.
Laura respirou fundo, limpando uma lágrima com raiva. Olívia apertou as mãos de Ísis.
— Olha pra mim e pra Laura como exemplo. — ela sussurrou. — Quem diria que estaríamos casadas e felizes depois de tudo que passamos e ainda estamos passando? — Ela tocou o rosto de Ísis, com um carinho cheio de verdade. — Não temos o mesmo sangue… mas somos irmãs de alma. — a voz falhou no final. — E você não está sozinha.
Ísis tentou negar, mas a garganta travou. Ela estava fraca demais para lutar. Com muita dificuldade, ela se levantou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Postem os novos capítulos, já faz duas semanas que não postam nada , ou será que o livro vai ficar incompleto...
por favor postem os outros capítulos, já tem alguns dias e não postam nada...
Volta a liberar 3 por dia...
Nao postam mais como antes 3 por dia ai comprar nao da....
E vai postar o restante quando, não tem capítulo diário, não tem semanal, será agora mensal. Afff viu...
514 libera mais.........
Podia liberar td livro....
Eu fiquei 15 dias pensei noss vai ter um mont2 de páginas pea mim devorar tinha somente 5 páginas. Desumano com quem tem ansiedade kkkkk...
Ansiosa pelo capítulo 530 , será que vai ser postado hoje , pq semana passada foi postado no domingo...
Super ansiosa estou no capitulo 512. So ue estão demorando muito pra soltar novos...