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Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato romance Capítulo 281

Quase uma hora depois, Ísis saiu do banheiro. Os cabelos ainda estavam úmidos, presos de qualquer jeito, e o rosto continuava abatido… mas havia algo diferente nela. Um traço mínimo de presença. Como se, por alguns minutos, a água quente tivesse conseguido afastar a dor do corpo, mesmo que não tivesse alcançado a alma.

Ela parou ao ver a bandeja sobre a cama. Laura já estava sentada, ajeitando o travesseiro atrás das costas, e olhou para ela com aquele jeito direto, quase mandão, mas carregado de afeto.

— Agora nós vamos jantar. — ela disse, apontando para a bandeja. — Senta aqui Ísis. Essa canja está com uma cara ótima.

Ísis soltou um suspiro pequeno. O canto da boca tremeluziu num sorriso fraco. Ela caminhou até a cama com passos lentos e sentou com cuidado.

— Obrigada, meninas… — disse, a voz baixa, mas sincera. — Eu… me sinto um pouco mais animada depois desse banho.

Olívia se aproximou e sentou ao lado dela, pegando a tigela com calma.

— Vai melhorar mais ainda depois que você comer um pouco. — disse com doçura. — Nem que seja devagar.

Ísis assentiu. As três começaram a comer juntas. Por alguns minutos, o quarto não pareceu tão sufocante. Laura falava coisas aleatórias, histórias bobas, comentários irônicos, implicâncias leves e, mesmo com os olhos ainda inchados, Ísis acabou sorrindo em alguns momentos. Um sorriso pequeno, tímido… mas real.

Olívia observava aquilo em silêncio, como se estivesse respirando aliviada a cada vez que Ísis conseguia reagir. Ela comeu menos da metade. Então parou. O rosto dela empalideceu, e ela levou a mão a boca, fechando os olhos com força. A respiração ficou curta.

— Está enjoada? — Olívia perguntou na mesma hora, inclinando-se, atenta.

Ísis assentiu, engolindo em seco, como se lutasse contra a ânsia. Laura largou a colher imediatamente.

— Quer que eu pegue uma sacola? — ela perguntou, já se levantando.

Ísis balançou a cabeça rápido, ainda tentando controlar.

— Não… eu só… — ela respirou fundo, apertando o lençol com a mão. — Só me deu ânsia.

Olívia estreitou o olhar, preocupada. O olhar dela desceu, instintivo, para o ventre de Ísis e então voltou para o rosto dela.

— Será que você está grávida, amiga? — perguntou com cuidado, sem acusar, só preocupada.

Ísis soltou uma risadinha fraca, sem humor.

— Não estou. — respondeu, firme, mas cansada. — Apesar de eu e o Alex termos transado sem preservativo… eu tenho certeza que não estou.

Olívia manteve o olhar nela, como se ainda tentasse entender. Ísis respirou fundo e abaixou os olhos. A voz ficou mais baixa. Mais íntima.

— Eu fiquei assim também quando o Caio faleceu… — ela confessou, com a garganta apertando. — Mas dessa vez… está pior.

Na mansão de Savana, Liam entrou na sala de estar com passos firmes. Ela estava sentada no sofá, com uma xícara de chá nas mãos, mas não parecia ter tomado um gole sequer. O rosto dela estava abatido e, ainda assim, havia uma força ali. Liam se aproximou devagar.

— Como a senhora está? — perguntou, com respeito.

Savana levantou os olhos, e o sorriso que tentou oferecer foi pequeno demais para esconder o cansaço.

— Estou… sobrevivendo. — ela respondeu, com a voz baixa.

Liam respirou fundo e foi direto ao ponto, como sempre.

— O Alex parou de beber?

Savana soltou um suspiro longo, apertando a xícara entre os dedos, como se aquilo fosse o único apoio.

— Parou. — respondeu. — Mas continua sem falar direito comigo. — Ela desviou o olhar por um instante, engolindo em seco. — Ele continua me culpando… dizendo que eu não tinha o direito de ter escondido dele. — a voz falhou, mas ela recuperou o controle. — O Alex repete o tempo todo que o filho é ele… que quem deveria ter sido protegido era ele… não a Ísis. Mas… eu quis proteger os dois.

Liam endureceu o olhar, a mandíbula travando.

— Ele é cabeça dura. — disse, com a voz baixa e firme, sem paciência. — Mas não vai aguentar ficar muito tempo longe dela.

Savana fechou os olhos por um segundo, como se quisesse acreditar, mas não conseguiu. Quando abriu, havia um brilho úmido ali.

— Olha quem fala… — ele ironizou, com veneno. — O grande exemplo de homem correto.

Liam inclinou a cabeça de leve, sem se abalar.

— Eu nunca fui exemplo pra ninguém. — respondeu, seco. — Você melhor do que ninguém sabe disso. — Ele deu um passo à frente, a presença dominando o quarto. — E você abriu meus olhos em muitos momentos… quando eu estava sendo um monstro. — Liam pausou, o tom virando ainda mais sério. — Agora os papéis se inverteram.

Alex apertou o maxilar.

— Eu não estou sendo um monstro. — ele disse, firme, quase rosnando. — Eu deixei a cobertura com a empregada. Com tudo pago. Não vai faltar nada pra ela.

Liam sustentou o olhar, impassível.

— Não vai faltar nada pra ela? — repetiu, num tom baixo, perigoso. — Você fala como se ela fosse um contrato. Um imóvel. Um investimento.

Alex desviou o olhar por um segundo, irritado.

— Duck parou de aprontar. — Liam disse, lançando um olhar rápido para o cachorro. — Está estranho.

Alex piscou. Por um instante, a máscara dele falhou.

— Até o cachorro… — ele murmurou, amargo, com a voz carregada de cansaço. — Até o cachorro se enfeitiçou por ela.

Liam não sorriu. Não fez piada. Apenas avançou mais um passo, e o tom dele ficou ainda mais implacável.

— Eu só vim te dizer que eu torço… — ele disse devagar, pesando cada palavra — pra um homem de verdade enxergar a Ísis.

Alex levantou o rosto, o olhar estreitando. Liam continuou, sem recuar.

— Porque, com todo respeito… depois da Olívia me contar a fundo sobre ela… eu cheguei a uma conclusão. — Ele fez uma pausa curta. — Ela é linda por dentro. E por fora.

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