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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 11

POV Isadora Ferraz

Dante beijou minha testa e foi embora.

A porta se fechou com um clique suave, mas o som ficou ressoando dentro de mim como um trovão abafado.

Eu fiquei parada, no meio da sala, com a carta da minha ex-sogra rasgada em cima da mesa. O celular desligado. O peito apertado. E a cabeça fervendo.

Quando Olívia entrou pela porta, cheia de risos e cheiros de noite boa, bastou um olhar pra ela saber.

— O que aconteceu?

Me sentei no sofá como quem entrega o corpo. Falei tudo. Do bilhete da Célia. Da nova mensagem de Heitor. Da noite com Dante. Cada vírgula era pesada. Cada confissão, um espinho arrancado.

Olívia ouvia calada, mas o maxilar dela ia apertando a cada frase.

— Eu sabia que ele era um lixo, mas não sabia que era um lixo inteligente. Esse tipo é o pior.

— Ele não vai parar, Oli. Ele não vai desistir até me destruir. Até eu implorar.

— Então a gente não implora. A gente reage.

— Como? A polícia não vai fazer nada. E eu não tenho provas suficientes pra ferrar com ele.

— Mas você tem algo mais perigoso.

— O quê?

— O tempo. E o talento. Você é escritora, Isa. E ele subestimou isso.

Suspirei.

— Não sei se sou forte o bastante.

— Você é. Tá com medo? Claro que está. Mas já aprendeu a andar com medo nos ombros. E agora, Isa... agora você sabe que não está mais sozinha.

Ela segurou minha mão com força. Um gesto simples. Mas tão raro… Tão precioso.

— Agora vai. Se arruma. Vai trabalhar. Anda de salto como se tivesse uma espada na sola.

Assenti.

***

Vesti a saia preta de cós alto, a blusa branca com os punhos dobrados. Prendi o cabelo num coque firme.

Batom vermelho. Olhos marcados. Perfume seco. Uma mulher em guerra veste sua dor como perfume.

Antes de sair, Olívia me abraçou.

— Se ele te seguir, grita. Mas grita com o que você escreve, não só com a garganta. Mulheres como você não nascem duas vezes. E ele sabe disso. É por isso que ele quer te enterrar.

***

Peguei o metrô.

No metrô, tudo parecia igual. As buzinas, os passos rápidos, os cafés apressados. Mas dentro de mim, algo se movia com dentes. Uma inquietação que não vinha da cidade, mas do medo enraizado sob a pele.

Cheguei na frente da editora. O prédio espelhado refletia o que eu tentava esconder. E então eu senti, aquele arrepio seco, gélido, como um toque sem mãos.

Olhei para o outro lado da rua. Um homem de boné e óculos escuros estava parado, jornal aberto diante do rosto. Mas ele não lia. Quando nossos olhos se cruzaram, ele abaixou o jornal e sorriu. Um sorriso curto, cínico, um veneno puro. Atravessou a rua sem pressa, passou por mim, e o ombro roçou o meu. Nem uma palavra. Só um aviso silencioso: sabemos onde você pisa.

Não corri. Não tremi. Entrei firme. No espelho do elevador, minha expressão estava intacta, como se nada tivesse me atravessado. Mas os olhos… os olhos sabiam. Heitor mandou alguém. A guerra começou.

Saí do elevador com passos treinados, firmes, quase teatrais. Um ritual de sobrevivência: andar como se nada. Quando abri a porta da minha sala, Dante já estava lá. Sentado na cadeira da minha mesa, os olhos escuros fixos em mim, mas não duros, atentos.

— Você está atrasada — ele disse, sem tom de cobrança, só constatando.

— Teve um problema no metrô — respondi, sem emoção.

— Tá tudo bem?

Capítulo 11 – Com os olhos nas costas 1

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