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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 28

POV Isadora Ferraz

A noite chegou abafada. A mansão parecia ainda mais claustrofóbica depois do almoço com Célia. O veneno dela ainda corria pelas minhas veias como um lembrete: a guerra é diária, mas a vingança é uma vez só, e tem que ser perfeita.

Mandei mensagem para Olivia.

Isa: Preciso sair. Urgente.

Oli: Já tô te esperando. Caio também. Bar discreto, mesmo esquema. Sem imprensa, sem flash. Só aliados.

Falei que ia sair pra “espairecer a cabeça” e deixei a mansão pela garagem dos fundos. Rafael estava na sala, assistindo algum programa policial com um sorriso entediado. Ele me lançou um olhar de lado, mas não disse nada. Ainda.

O bar era pequeno, escondido, com música ambiente e pouca luz. Olivia me abraçou forte. Caio já estava na mesa, com o tablet na mão.

— E então? — ela perguntou. — O inferno particular continua?

— Pior. Agora tem um novo demônio no jogo. Rafael.

— Sabíamos que eles iam apelar, mas isso... — Caio balançou a cabeça. — Isso é doentio.

— E vocês? Como ficou o estrago do vazamento no último evento?

— Rendeu, Isa — ele respondeu. — Uns jornalistas correram atrás. A imagem se espalhou. A família Montenegro ainda está tentando controlar os danos. Mas... é só o começo.

— E eu quero mais. Quero expor tudo. Mas para isso... preciso de provas. Visuais. Áudio. Conversas. Confissões.

— Você quer colocar câmeras — disse Olivia, direto.

Assenti.

— Nos lugares certos. Escritório. Biblioteca. Sala de reuniões. Corredor dos quartos. Sala de jantar. Mas... sem levantar suspeitas.

— Vai ser difícil com Célia vigiando cada canto — ela alertou. — E Rafael? Aposto que ele fareja qualquer tentativa.

— Por isso preciso de ajuda. Técnica. E timing.

Caio colocou o tablet na mesa, virou a tela pra mim.

— Já pensei nisso. Microcâmeras em formato de parafusos. Algumas funcionam como botões. Outras são disfarçadas em molduras e interruptores. Imagem de boa qualidade. E armazenamento em nuvem com acesso remoto criptografado.

— Onde você arrumou isso?

— Tenho amigos na parte cinza da internet.

— Eu amo vocês — murmurei, quase rindo de nervoso.

— A questão vai ser instalar — disse Olivia. — Célia tem empregados. Rafael ronda à noite. Elena vive tentando jogar charme pra cima de todo mundo. Vai precisar de um plano dentro do plano.

— Já tenho o começo. Amanhã tem missa de domingo. Célia nunca falta. Heitor vai com ela. Elena provavelmente vai também, para fazer papel de boa moça. Se eu conseguir um intervalo de trinta minutos sozinha em casa...

— Trinta minutos são suficientes — disse Caio. — Me dá a planta da casa. A gente traça os melhores pontos e eu te entrego as câmeras amanhã, antes das oito.

— E se alguém descobrir?

— Aí você diz que é por segurança. Que está traumatizada com a última invasão. Que precisa se sentir protegida. É legítimo. Eles não vão querer admitir que estão te encurralando de novo.

— E Rafael?

— Cuidado dobrado com ele — disse Olivia, sombria. — Ele vai tentar se aproximar. Vai querer provocar. Desestabilizar. Mas se você se manter fria... ele não vai saber onde atacar.

Fiquei em silêncio por alguns segundos.

— Eu quero que tudo isso vá parar num livro. Mas antes disso... vai parar na delegacia. Com nomes. Com datas. Com vídeos.

— Vai ser arriscado, Isa — Caio murmurou.

— Já é arriscado respirar naquela casa.

Nos despedimos uma hora depois. Olivia me abraçou com força. Caio me entregou um pendrive com o sistema de acesso remoto e as instruções básicas. Amanhã... a casa vai virar um estúdio. E eles, os protagonistas da própria ruína.

No caminho de volta, parei no sinal. E foi ali que vi, novamente. Na calçada do outro lado da rua, Dante. Sozinho. Sentado na moto. O capacete apoiado no tanque. O olhar... perdido no nada. Mas quando o semáforo abriu, ele olhou direto pra mim. Como se soubesse.

E pela primeira vez... não desviou o olhar.

Nem eu.

***

Estacionei perto da entrada lateral do Parque mais próximo. O céu estava pesado, o vento cortava como navalha. Mas era melhor do que qualquer teto Montenegro. Aqui, pelo menos, o veneno era só no ar. Caminhei devagar. A cada passo, um peso diferente. As ameaças. As mentiras que fui obrigada a engolir. O beijo de ontem à noite. A lembrança dele.

E então... o som. Moto. Silenciosa, como se estivesse respeitando minha dor. Virei o rosto antes mesmo de ver.

Capítulo 28 — Vigilância Silenciosa 1

Capítulo 28 — Vigilância Silenciosa 2

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