POV Isadora Ferraz
Sentei no banco com os ombros tensos e o coração feito cacos. A conversa com Dante ainda ecoava no peito como um trovão preso. Eu queria respirar, mas o ar parecia pesar demais.
Me abracei. Frio. Céu nublado. Silêncio. Até que… passos. Lentos. Certeiros. Carregados de algo que gelava o estômago antes mesmo de virar rosto.
— Lugar bonito para morrer, não acha?
Virei devagar. E ali estava ele. Rafael. Saindo das sombras como se sempre tivesse pertencido à escuridão.
— O que você está fazendo aqui? — minha voz saiu baixa. A raiva trancada no peito.
— Seguindo ordens. Protegendo você. Ou, quem sabe, me protegendo de você. Tá difícil saber quem é o predador agora.
— Você é doente. Vai embora.
Ele riu. E deu dois passos à frente. Depois mais dois.
— Sabe o que me irrita em você, Isa? Esse teatrinho de mulher forte. Quando todo mundo sabe que você implora pra ser domada.
— Você está ultrapassando todos os limites.
— Limite é pra quem tem medo.
E então ele avançou. Rápido. Como um animal faminto. Segurou meu braço. Forte. Puxou com violência. A bolsa caiu no chão. Eu me debati. Ele me encostou contra a árvore, o hálito azedo colado ao meu rosto.
— Solta! — gritei, socando o peito dele, tentando tirar as mãos dos meus pulsos.
— Eu vi vocês dois. Você não é santa, Isadora. Nunca foi. — Ele pressionou ainda mais. — Me diz… ele já sabe que você geme de verdade quando tem medo?
— Se você me encostar de novo, eu te arranco os olhos.
— Tenta — ele sussurrou, puxando minha cintura com força.
— ELA DISSE PRA VOCÊ SOLTAR. AGORA.
A voz veio como um trovão rasgando o inferno. Dante. Correndo. Furioso. Descontrolado. O capacete voou da mão. Em dois segundos ele estava em cima de Rafael. O soco veio seco. Direto no queixo. Rafael caiu pra trás, mas levantou. Riu com sangue nos dentes.
— Olha só… o herói apaixonado.
— Se você chegar perto dela de novo, eu te mato — Dante grunhiu, a voz rouca, selvagem.
— Vai fazer isso na frente dela? Vai mostrar que é igual a mim?
— Eu nunca vou ser igual a você. Porque eu encosto nela… com consentimento.
Outro soco. Dessa vez, Rafael caiu de vez. Tonto. Rastejando no chão do parque.
— Você vai se arrepender disso — cuspiu.
— Não mais do que você vai se arrepender de ter nascido — Dante respondeu, com o punho sangrando.
Ele se virou pra mim.
— Isa… você está bem?
Eu tremia. O corpo travado. Mas os olhos... estavam firmes.
— Sim. Agora estou.
Dante me puxou pra ele. E eu fui. Desabei nos braços dele. Pela primeira vez, sem fingir força. E quando ele me envolveu e colou os lábios nos meus… Eu soube. Não era só proteção. Era guerra. E ele tinha acabado de entrar nela por mim.
A boca dele ainda estava quente na minha. Mas era o olhar... era aquilo que me desmontava. O jeito como ele me via. Como se soubesse de cada pedaço meu que ainda resistia por dentro, mesmo quando o mundo inteiro tentava enterrar.
Ele não disse mais nada.
Apenas deu um passo para trás, caminhou até a moto encostada na entrada do parque e pegou o capacete. Virou o rosto na minha direção, já com os olhos meio cobertos pela viseira.



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: 7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!”