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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 33

POV Isadora Ferraz

Fechei o notebook com tanta força que quase quebrei a tela. Joguei ele na poltrona, andei de um lado pro outro como um animal enjaulado. O coração ainda martelava na garganta.

Então... TOC, TOC.

Eu congelei. O som na porta do meu quarto. Baixo. Persistente.

— Isa... — a voz. O veneno. O lodo. Rafael.

Segurei a respiração.

— Posso entrar? — ele insistiu, mas a pergunta era falsa. Ele já estava girando a maçaneta.

A porta abriu devagar. Ele entrou, encostou, fechou atrás de si. Meu estômago virou ácido.

— Que cara é essa? — ele perguntou, andando pelo quarto como se fosse dele. — Te peguei no flagra? Alguma coisa te deixou... nervosa?

— Sai daqui. — Minha voz saiu gelada, mas calma. Quase como um sussurro de faca.

Ele sorriu. Deu mais um passo. Passou o dedo na escrivaninha. Olhou minhas roupas espalhadas. Cheirou o ar.

— Tá diferente aqui. — Ele aproximou. — Você está diferente.

— Eu disse... sai daqui.

Ele chegou tão perto que senti o cheiro nojento de uísque velho e desespero. Passou a mão pelo meu cabelo, como se fosse um gesto afetuoso. Meu corpo inteiro gritou de nojo.

— Onde você dormiu na noite que não voltou para casa, hein? — Ele rosnou, baixo. — Foi no parque? Ou com o outro? Hein?

Segurei o pulso dele, afastei com força.

— Não encosta em mim.

Ele riu. Um riso quebrado, doente, cheio de fissura.

— Você se acha tão intocável... — Ele inclinou a cabeça. — Mas eu já te toquei, sabia? Mesmo que só aqui. — Apontou pra cabeça dele, batendo o dedo. — Você já é minha.

Minha respiração acelerou. Meu estômago revirava.

— O que você quer? — cuspi, o ódio afundando nos meus ossos.

Ele aproximou ainda mais, a boca quase encostando no meu ouvido.

— Eu quero ouvir você gritar. Não agora... não aqui. Mas em breve.

Dei um passo pra trás, bati na parede. Ele me encurralou. O rosto dele deformado num sorriso sádico.

— Eu sinto o cheiro dele em você... — Rafael murmurava, os lábios quase roçando meu ouvido. — Você acha que ele vai te salvar? Ele vai morrer antes.

E então… um estalo. A porta abriu com violência. Um estrondo.

— O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO AQUI? — a voz rasgou o ar.

Heitor.

Os olhos dele, vermelhos, dilatados. O corpo todo tenso como se fosse explodir. Rafael virou devagar, ainda com aquele sorriso nojento.

— Heitor… — Rafael abriu os braços. — Calma, primo. Eu só estava fazendo uma visitinha de boa noite...

— DE BOA NOITE? — Heitor avançou, empurrando Rafael com tanta força que ele bateu na parede. — VOCÊ ACHA QUE EU SOU IDIOTA? QUE EU NÃO OUVI?

Rafael riu, limpou o canto da boca onde bateu.

— Você tá irritado, primo… Tá com ciúmes?

— EU VOU TE MATAR! — Heitor gritou, socando o peito de Rafael, que caiu de joelhos.

Eu fiquei paralisada. O quarto parecia girar. O ar sumiu.

Rafael ergueu o rosto, o sangue escorrendo do lábio partido. Ele ainda riu, cuspindo no chão.

— Olha só... o marido apaixonado acordou. Agora quer bancar o cavaleiro? Depois de tanto tempo me usando como cão de guarda, agora quer me expulsar?

Heitor puxou Rafael pelo colarinho.

— EU TE COLOQUEI AQUI PRA VIGIAR, NÃO PRA TOCAR NA MINHA MULHER!

— Mulher? — Rafael gargalhou, cuspindo mais sangue. — Aquela ali? — Ele me apontou com o dedo tremendo. — Ela não é mais tua, Heitor! Ela já foi, tá ouvindo? Tá suja! Ela já gemeu pra outro homem, e você sabe disso!

O som daquela frase me atravessou como uma lâmina.

Heitor empurrou Rafael no chão, montou em cima dele e começou a socar. Um, dois, três, quatro... o som dos ossos quebrando. O quarto inteiro reverberava cada impacto.

— VOCÊ VAI APRENDER A RESPEITAR! — Heitor rugia, os punhos cobertos de sangue.

Elena soltou um grito, correu para o corredor, a respiração falhada. Rafael saiu cambaleando pelo corredor. Célia foi atrás, olhando pra mim com puro ódio nos olhos, como se eu tivesse puxado o gatilho.

A porta bateu. O silêncio engoliu o quarto, pesado como concreto. Heitor virou devagar. As mãos sangrentas. O peito subindo e descendo. O olhar cravado em mim.

— Você... — ele começou, a voz baixa, rouca, perigosa. — Você trouxe isso para dentro da minha casa.

— EU?! — Eu avancei um passo, os olhos em chamas. — EU não trouxe nada! Ele que é o teu monstro, o teu lixo, o teu reflexo!

Ele veio até mim, tão perto que eu podia sentir o cheiro metálico do sangue misturado ao perfume caro.

— Você acha que é melhor que eu? — sussurrou, o rosto colado ao meu. — Você acha que ele te tocaria se você não fosse tão... tão convidativa?

— Você é doente! — Eu cuspi as palavras. — O Rafael é um lixo, mas você... você é o poço. Você é a lama!

Ele me agarrou pelos braços. Forte. As unhas cravando na pele.

— EU NÃO VOU PERDER VOCÊ. — Ele tremia. — VOCÊ É MINHA. VOCÊ SEMPRE VAI SER MINHA.

— Eu nunca fui sua. — Minha voz saiu baixa, fria. — Eu só estava sobrevivendo.

O rosto dele desabou. Por um segundo, eu vi. Atrás da raiva. Atrás da loucura. Um buraco. Um homem despedaçado que nunca existiu inteiro.

Mas durou um segundo. Ele me puxou tão forte que meu corpo bateu no peito dele. O olhar era puro fogo, uma mistura grotesca de desejo e raiva.

— Você vai ficar. — Ele murmurou, o rosto perto demais. — Você vai sorrir. E vai continuar sendo minha esposa.

— Nunca mais. — Eu sussurrei.

Ele tremeu. A respiração dele virou um rugido baixo. Ele me segurou pelo rosto, apertando o maxilar.

— Não testa a minha paciência, Isa. Eu posso te fazer sumir antes mesmo que percebam.

Eu não desviei o olhar. Nem por um segundo. Ele soltou meu rosto, deu um passo pra trás. Passou a mão nos cabelos. Respirava como um touro prestes a atacar.

Então, devagar, foi até a porta. Abriu.

— Você vai ficar aqui. — Disse, antes de sair. — Vai pensar no que você fez.

A porta bateu. Eu fiquei sozinha. No quarto. No meio do sangue. Do cheiro ácido da violência. Do som do meu coração quebrado. Mas, mesmo assim… Eu sorri. Um sorriso frio. Letal. Porque cada ferida, cada ameaça, era só mais um tijolo na fundação do que eu estava construindo.

E, quando a hora chegasse… eu ia derrubar cada um deles.

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