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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 34

POV Isadora Ferraz

Fiquei parada no meio do quarto por minutos que pareceram horas. O sangue no chão. O cheiro metálico. O vazio. Meu corpo tremia, mas minha mente... era um vórtice de gritos silenciosos.

Me sentei na beirada da cama. Passei as mãos no rosto. O peito subia e descia como se eu tivesse corrido por uma vida inteira. Peguei o celular. Pensei em mandar uma mensagem pra Olivia. Mas o que eu diria? "Ei, quase fui engolida pelo inferno hoje. Tudo certo. Boa noite"? Deixei o celular cair no colo. Respirei fundo. Outra vez. Mais uma. Não ajudava.

Levantei. Caminhei até o closet. Peguei uma manta fina, vesti por cima da roupa. Abri a porta devagar, como se o corredor pudesse morder. Desci as escadas.

Os funcionários corriam de um lado pro outro. Um homem tirava baldes do quarto. Outra mulher passava pano no corredor. Olhavam pra mim com medo, com pena, com aquela curiosidade podre que a tragédia sempre desperta.

Passei direto. Fui pro jardim.

O ar lá fora era gelado. Cruel. Mas também era mais real que qualquer coisa naquela casa. Sentei num banco perto das roseiras. Cruzei os braços, abracei a mim mesma. Fechei os olhos. O vento balançava as folhas. O mundo continuava girando. Mas, dentro de mim, tudo estava parado. Congelado no momento em que Heitor me segurou pelo rosto. Uma hora. Talvez mais. O tempo não existe quando se está tentando colar os pedaços do próprio espírito.

Ouvi passos atrás de mim.

— Posso? — a voz dele veio baixa, controlada.

Heitor.

Não olhei. Não respondi. Só continuei olhando o vazio na frente. Ele se aproximou. Ficou de pé ao meu lado. Por segundos, silêncio absoluto.

— Já limparam seu quarto — ele disse, como quem fala sobre o tempo ou o valor do dólar. — Você pode voltar quando quiser.

Continuei muda.

— Eu... — ele começou, respirou fundo. — Eu perdi o controle.

Nada. Nenhuma reação.

— O Rafael vai sair daqui. Amanhã cedo. Não quero mais ele nessa casa.

Virei o rosto devagar. Nossos olhos se encontraram. Os dele… pareciam menos ferozes. Mas ainda podres. Ainda perigosos.

— Então é isso? — minha voz saiu baixa, áspera. — Resolve com uma ordem e finge que nada aconteceu?

Ele se ajoelhou na minha frente. Um movimento tão repentino que me fez prender a respiração.

— Isa... — disse, o tom quase suplicante. — Você é a única coisa que ainda faz sentido.

Quase ri. Mas estava muito cansada.

— Eu não sou uma coisa.

Ele engoliu em seco. O olhar tremeu.

— Você não entende. Eu... eu não sei mais quem sou sem você.

Por um segundo, vi um homem despedaçado. Um monstro confuso, com as garras escondidas. Mas só por um segundo. Eu olhei pra ele. Ajoelhado. O vento balançava o cabelo desgrenhado dele, mas o que tremia mesmo era o olhar.

Ele tentou pegar minha mão. Eu puxei.

— Não toca em mim. — Minha voz saiu firme, baixa, gelada. — Você quer saber por que me perdeu? Eu vou te dizer.

Ele tentou falar, mas eu não deixei.

— Me perdeu quando me chamou de louca na frente dos seus sócios. Quando disse que eu precisava "me controlar" porque estava envergonhando você. Me perdeu quando me trancou no quarto por horas, sem comida, só porque eu discordei de uma entrevista. Me perdeu quando me empurrou contra a parede e me chamou de incompetente. Quando me fez sorrir ao vivo, enquanto por dentro eu estava morrendo.

Quando você... — minha voz falhou, mas eu respirei fundo e continuei — ...quando você colocou outra mulher na minha casa. Na nossa cama. Quando você a engravidou enquanto me fazia usar anticoncepcional escondido porque dizia que "não era hora de ter filhos".

O rosto dele ficou pálido. O lábio tremia.

— Isa... eu...

— Cala a boca! — cuspi as palavras como uma lâmina. — Você acha que ainda tem algum direito sobre mim? Você acha que eu sou tua posse? Que eu sou um troféu pra exibir em evento, um alvo pra descarregar sua raiva?

Ele se levantou, tentou de novo se aproximar. Eu dei um passo atrás.

— Eu fiquei. — Continuei, a voz trincada. — Fiquei quando minha mãe morreu, porque você dizia que eu precisava de "estabilidade". Fiquei quando a imprensa me chamou de traidora, porque você disse que era o "preço do amor". Fiquei quando acordei no hospital depois daquela discussão no carro, porque você disse que foi "um susto". Fiquei porque eu ainda achava que tinha salvação em você.

As lágrimas desceram, mas eram quentes, raivosas, não frágeis.

— E você? Você me quebrou. Em cada poro, em cada célula. E agora quer ajoelhar? Quer dizer que me ama?

Ele balançava a cabeça, as mãos trêmulas.

Capítulo 34 — Você não errou. Você escolheu. 1

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