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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 36

POV Isadora Ferraz

Eu estava tentando retomar o fôlego, organizando os papéis na mesa, quando ouvi a campainha da recepção. Um bip curto, irritante. Mariana, a estagiária, bateu na porta, enfiou a cabeça, nervosa.

— Isa… tem uma visita… — A voz dela vacilou. — O senhor Heitor Montenegro.

Meu sangue gelou. O ar ficou pesado, como se alguém tivesse derramado chumbo no meu peito.

— Deixa entrar — falei, forçando um tom neutro. Mas por dentro? Eu já estava segurando a espada invisível.

A porta se abriu. Ele entrou. Heitor. De terno impecável, perfume caro, sorriso cínico no rosto. O olhar? Um abismo.

— Boa tarde, esposa — disse, fechando a porta atrás dele, como quem fecha uma armadilha. — Que surpresa me receber aqui... tão elegante.

— O que você quer? — Perguntei, sem levantar da cadeira. Segurei a caneta como se fosse um punhal.

Ele caminhou devagar pela sala, olhando os livros, as pastas, as fotos. Cada passo era um aviso mudo. Cada segundo, uma ameaça.

— Só vim ver como anda a minha mulher… no ambiente de trabalho. — Ele se aproximou da minha mesa, apoiou as mãos, inclinando-se. — Bonito lugar. Bem… intimista.

Eu respirei fundo. Por um segundo, pensei em gritar. Pensar em Dante me deu força.

— Você está invadindo meu espaço.

— Espaço? — Ele riu baixo, aproximando o rosto do meu. — Não existe “teu espaço”, Isa. Você esqueceu? Até seu ar é emprestado.

A raiva subiu pela minha espinha. Eu me levantei. Nossas respirações se misturaram. Odiava sentir o cheiro dele tão perto.

— Você devia cuidar da sua amante grávida, não vir aqui me controlar.

Os olhos dele brilharam. A mandíbula trincou. Ele deu um passo pra frente, e eu recuei.

— Não me provoca, Isadora. Eu ainda sou teu marido. E você ainda carrega meu sobrenome. — A voz dele era um veneno escorrendo, macio, gelado.

Nesse momento, a porta do estúdio de leitura abriu. Dante. O rosto dele era pura tensão. O maxilar duro, os olhos de fogo.

— Tudo bem aqui? — perguntou, a voz baixa, mas carregada de pólvora.

Heitor virou devagar, com um sorriso que parecia cuspido do inferno.

— Ah, o editor. Que conveniente. — Ele deu uma risada curta. — Você acha mesmo que pode protegê-la? Que isso aqui é um romance barato de banca?

Dante deu um passo pra frente. Eu vi os punhos dele fecharem. Eu tremia, mas não recuei.

— Não é da sua conta — disse Dante, cada palavra uma lâmina.

Heitor se virou para mim de novo. Aproximou-se tanto que eu quase senti os dentes dele na minha pele.

— Lembre-se do que eu te falei ontem à noite no jardim — sussurrou. — Eu posso ser teu fim… ou tua salvação.

Eu queria empurrá-lo. Socá-lo. Mas eu congelei. Dante avançou, segurou o braço de Heitor com força. O olhar deles se cruzou como dois trovões no meio da noite.

— Sai da sala dela. Agora. — Dante rosnou.

Heitor olhou para a mão de Dante no seu braço, depois para mim. Riu.

— Que romântico. O protetor. — Ele se afastou com um puxão brusco, arrumou o paletó. — Não esqueça, Isa… tudo que você ama pode virar cinza num estalar de dedos.

Saiu batendo a porta. O silêncio caiu. Eu tremia. Dante ainda estava parado no meio da sala, a respiração pesada. Os olhos em mim. Eu desabei na cadeira. Passei as mãos no rosto. Ele veio até mim, ajoelhou, segurou minhas mãos.

— Ele te machucou? — perguntou, a voz rasgando.

Eu balancei a cabeça. Mas as lágrimas caíam. Ele me puxou pra perto. Encostou a testa na minha.

— Um dia… eu ainda vou arrancar cada dente desse desgraçado. Um por um. — A voz dele era grave, cheia de dor. E promessa.

Eu segurei o rosto dele com as duas mãos. Encostei nossos lábios, só por um segundo.

— Obrigada por estar aqui.

Capítulo 36 — Visitante Indesejado 1

Capítulo 36 — Visitante Indesejado 2

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