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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 37

POV Isadora Ferraz

Entrei em casa e o silêncio me acertou como um tapa gelado. A mansão parecia maior, mais oca, mais... perigosa. Os funcionários desviavam o olhar. Um deles se atrapalhou com uma bandeja, quase deixou tudo cair. Outro fingiu arrumar um vaso que nem estava torto. Eu continuei andando.

Heitor estava na sala, sentado na poltrona como um rei destronado. A mão segurava um copo de uísque, mas os dedos tremiam. Quando me viu, ele levantou devagar. O rosto vermelho. O maxilar travado.

— Onde você estava até agora? Já passou 2h do horário que você larga, Isadora! — A voz saiu baixa. Baixa demais.

Eu larguei a bolsa no sofá.

— Estava no trabalho.

Ele riu. Um riso curto, cortante.

— Trabalho. Você acha que eu sou idiota?

— Não, Heitor. Eu tenho certeza.

O copo voou contra a parede. O som do vidro se espatifando ecoou como um tiro.

— CUIDADO COM O QUE FALA COMIGO!

— Cuidado? — Eu avancei, os olhos em chamas. — Eu passei anos da minha vida com cuidado. Cuidado para não te irritar, para não falar alto, para não existir demais. Quer saber? Eu cansei.

Ele veio até mim. O hálito cheirava a álcool e raiva. O rosto perto demais.

— Você acha que eu não sei? Você acha que eu não vejo como você olha? Como você anda? Tá se achando livre agora? Com aquele editorzinho de merda?

— Não fala do Dante.

— Eu falo de quem eu quiser! — Ele gritou, tão perto que eu senti a saliva no meu rosto. — Você era minha. Você. É. Minha!

Eu não recuei. Não dessa vez.

— Não. Eu nunca fui sua. Você só alugou a minha dor por tempo demais.

Ele arregalou os olhos, como se eu tivesse cuspido fogo.

— Você vai se arrepender. Vai rastejar de volta. Vai implorar.

— Eu preferia morrer. — cuspi, cada palavra um soco.

Ele me segurou pelo braço, apertando até meu osso doer.

— VOCÊ NÃO ENTENDEU! VOCÊ É MINHA! — Os dedos cravaram, a respiração dele virou um monstro no meu ouvido. — Você pensa que pode se jogar nos braços de outro homem? Você pensa que pode me humilhar na frente do mundo?

Eu puxei o braço com força, sentindo a pele queimar.

— Me solta!

Ele me empurrou. Eu bati no sofá, mas fiquei de pé. O olhar dele era um poço sem fundo. Um abismo.

— Eu vou destruir você, Isadora. Vou acabar com cada pedaço que aquele editor toca. Você vai se arrepender de ter nascido.

Eu respirei fundo. O peito subia e descia como se eu tivesse corrido uma maratona.

— Você já me destruiu. Só esqueceu que eu renasci. E dessa vez... eu não volto mais.

Eu disse, cuspindo cada palavra como veneno. Ele parou. O rosto dele mudou por um instante. Um segundo de silêncio pesado, como se o mundo inteiro prendesse a respiração.

Capítulo 37 — Fúria ou redenção? 1

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