POV Isadora Ferraz
Entrei em casa e o silêncio me acertou como um tapa gelado. A mansão parecia maior, mais oca, mais... perigosa. Os funcionários desviavam o olhar. Um deles se atrapalhou com uma bandeja, quase deixou tudo cair. Outro fingiu arrumar um vaso que nem estava torto. Eu continuei andando.
Heitor estava na sala, sentado na poltrona como um rei destronado. A mão segurava um copo de uísque, mas os dedos tremiam. Quando me viu, ele levantou devagar. O rosto vermelho. O maxilar travado.
— Onde você estava até agora? Já passou 2h do horário que você larga, Isadora! — A voz saiu baixa. Baixa demais.
Eu larguei a bolsa no sofá.
— Estava no trabalho.
Ele riu. Um riso curto, cortante.
— Trabalho. Você acha que eu sou idiota?
— Não, Heitor. Eu tenho certeza.
O copo voou contra a parede. O som do vidro se espatifando ecoou como um tiro.
— CUIDADO COM O QUE FALA COMIGO!
— Cuidado? — Eu avancei, os olhos em chamas. — Eu passei anos da minha vida com cuidado. Cuidado para não te irritar, para não falar alto, para não existir demais. Quer saber? Eu cansei.
Ele veio até mim. O hálito cheirava a álcool e raiva. O rosto perto demais.
— Você acha que eu não sei? Você acha que eu não vejo como você olha? Como você anda? Tá se achando livre agora? Com aquele editorzinho de merda?
— Não fala do Dante.
— Eu falo de quem eu quiser! — Ele gritou, tão perto que eu senti a saliva no meu rosto. — Você era minha. Você. É. Minha!
Eu não recuei. Não dessa vez.
— Não. Eu nunca fui sua. Você só alugou a minha dor por tempo demais.
Ele arregalou os olhos, como se eu tivesse cuspido fogo.
— Você vai se arrepender. Vai rastejar de volta. Vai implorar.
— Eu preferia morrer. — cuspi, cada palavra um soco.
Ele me segurou pelo braço, apertando até meu osso doer.
— VOCÊ NÃO ENTENDEU! VOCÊ É MINHA! — Os dedos cravaram, a respiração dele virou um monstro no meu ouvido. — Você pensa que pode se jogar nos braços de outro homem? Você pensa que pode me humilhar na frente do mundo?
Eu puxei o braço com força, sentindo a pele queimar.
— Me solta!
Ele me empurrou. Eu bati no sofá, mas fiquei de pé. O olhar dele era um poço sem fundo. Um abismo.
— Eu vou destruir você, Isadora. Vou acabar com cada pedaço que aquele editor toca. Você vai se arrepender de ter nascido.
Eu respirei fundo. O peito subia e descia como se eu tivesse corrido uma maratona.
— Você já me destruiu. Só esqueceu que eu renasci. E dessa vez... eu não volto mais.
Eu disse, cuspindo cada palavra como veneno. Ele parou. O rosto dele mudou por um instante. Um segundo de silêncio pesado, como se o mundo inteiro prendesse a respiração.
Ela entrou. Os olhos dela estavam molhados, mas não de choro. De raiva. De fome. De uma urgência que eu nunca tinha visto.
— Isa... — comecei a falar, mas ela não deixou.
As mãos dela agarraram meu rosto, os lábios esmagaram os meus. Um beijo brutal, desesperado, quente. O gosto dela invadiu minha boca como um trovão, e eu não pensei em mais nada. As mãos dela desceram pelo meu peito, puxaram a camisa com tanta força que eu ouvi o tecido rasgar. O ar saiu do meu peito num gemido rouco.
— Me toca. — Ela disse entre um beijo e outro, a voz baixa, quase um pedido.
— Você tem certeza...? — tentei, mas ela já estava arrancando meu cinto, empurrando meu corpo pra trás.
As costas bateram na parede do corredor. Eu senti a quentura dela, as mãos dela tremiam enquanto abriam minha calça, e então eu a puxei pra mim. Segurei sua nuca, suas costas, seu quadril. Eu queria segurá-la inteira. Queria que ela sentisse que estava segura.
Mas ali... não era segurança. Era guerra. Era necessidade crua. Levei as mãos até a barra do vestido dela, puxei pra cima, e ela mesma rasgou a calcinha, jogando no chão. Eu gemi só de vê-la assim: crua, sem vergonha, inteira pra mim. Girei, pressionando ela contra a parede fria. Ela arfou, jogou a cabeça pra trás, os cabelos despencando como uma cortina selvagem.
— Dante... — Ela sussurrou.
Eu a peguei pela coxa, levantei, e ela se encaixou em mim como se fosse feita só pra isso. Quando entrei, ela mordeu meu ombro, o grito abafado contra minha pele. Eu tremi inteiro. Segurei com força, empurrando fundo, cada estocada era uma confissão que eu nunca tive coragem de dizer em voz alta.
Devagar primeiro, sentindo cada contração dela, cada gemido abafado. Mas logo perdi o controle. As estocadas ficaram mais brutais, mais profundas, o som dos nossos corpos batendo ecoando pelo corredor. Ela arqueou as costas, os seios pressionados contra meu peito, os dedos se enterrando nos meus ombros.
— Me olha. — Eu mandei. E ela obedeceu.
Os olhos dela eram pura chama. Dor. Raiva. Desejo. Eu quase perdi o controle só de sentir.
— Você é minha agora. Aqui. — Eu disse, a voz tão rouca que parecia vir do estômago.
Ela só conseguiu gemer. O corpo tremia em ondas, as unhas marcando minhas costas. Eu continuei. Mais forte. Mais fundo. O clímax dela chegou rápido. O corpo dela se arqueou inteiro, as pernas me apertaram como se nunca quisessem soltar. Um tremor violento percorreu o corpo dela, as pernas se apertando como uma armadilha, um grito sufocado escapando dos lábios. Eu a segurei com força, continuando a foder ela até o último espasmo, até sentir o próprio orgasmo me engolir, quente, intenso, inesquecível. Despejei tudo nela, fundo, até não aguentar mais, até o mundo parar de girar.
Por um momento, não existia nada. Não existia mansão. Não existia Heitor. Só ela. E eu. Fiquei ali, com a testa colada na dela, ofegante. O suor escorrendo, o cheiro dela grudado na minha pele. Ela me olhou. Não disse nada. Mas os olhos falaram tudo. Eu a abracei. Forte. Como se pudesse costurar os pedaços dela de volta. Porque, naquele instante, eu soube. Ela não veio por amor. Ela veio por salvação. E eu... eu estava fodido. Porque, mesmo assim, eu a deixaria me destruir quantas vezes fosse preciso.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: 7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!”