POV Isadora Ferraz
A noite caiu como uma cortina pesada. O ar dentro do apartamento da Olívia estava denso, mas pela primeira vez... não era só medo. Era algo diferente. Caio abriu uma garrafa de vinho. Olívia trouxe copos. Dante ficou encostado na bancada, de braços cruzados, mas os olhos brilhavam.
— Vamos brindar? — Caio ergueu o copo. — Ao apocalipse Montenegro.
Eu ri. Um riso que saiu rasgado, mas verdadeiro.
— Ao apocalipse. — repeti, erguendo meu copo.
Dante se aproximou. Pegou meu copo, encheu de novo, e me entregou.
— Você vai precisar disso. — ele disse, com um sorrisinho torto.
Nos sentamos no chão da sala. O notebook ainda ligado, as pastas abertas, cada arquivo como um tijolo no muro que eu estava construindo para me proteger ou talvez, para me vingar. Caio abriu um bloco de notas.
— Precisamos organizar as provas. Sequência lógica, cronologia, datas, horários. Quanto mais sólido, melhor.
— E precisamos escolher para quem vamos entregar. — Olívia completou. — Se for só para polícia, eles podem abafar. Se for pra imprensa... é guerra total.
Dante me olhou.
— O que você quer, Isa?
Eu respirei fundo.
— Eu quero tudo. Quero que eles sintam cada centímetro do que me fizeram sentir. Quero que a máscara caia. Quero que não sobre nada além da poeira.
Ele assentiu.
— Então vamos começar.
Caio digitava frenético. Olívia separava arquivos. Eu apontava datas, lembrava detalhes. Dante, o tempo todo, perto. Como um escudo vivo. Em certo momento, Olívia colocou uma música baixa. Alguma playlist antiga nossa, cheia de músicas que a gente gritava bêbada na cozinha. Eu fechei os olhos. Por um segundo, me vi livre. Eu, dançando no meio da sala, rindo alto, sem fantasmas.
Quando abri os olhos, Dante me olhava. Um olhar que queimava. Um olhar que dizia "eu vejo você", sem precisar de palavras. Caio gargalhou alto em algum momento, lendo um e-mail de Heitor cheio de formalidade patética.
— "Prezada Isadora, favor não atrasar as entregas"... O CARA FORÇANDO UMA VIDA NORMAL enquanto a casa está caindo. — Caio riu, quase engasgando.
Eu ri também. Dante riu. Olívia jogou uma almofada nele. Por um instante... éramos só quatro pessoas rindo. Sobrevivendo. Dante pegou uma das garrafas. Serviu mais vinho no meu copo.
— Promete que vai rir assim quando tudo acabar? — ele perguntou, sério, a voz baixa.
Eu segurei o olhar dele.
— Prometo. Mas só se você estiver do meu lado.
Ele sorriu. Um sorriso triste. Mas bonito.
— Então... fechado.
Depois de algumas horas, o vinho já não tinha mais gosto, só coragem líquida.
— A gente podia jogar alguma coisa. — Olívia sugeriu, largada no sofá, com os olhos brilhando de malícia.
— Tipo o quê? — perguntei, rindo.
— Verdade ou consequência. — ela disse, levantando uma sobrancelha. — Todo mundo aqui tem coisa pra confessar.
Caio bateu palmas, animado.
— Eu sou bom nisso!
Dante bufou, cruzando os braços.
— Vocês têm cinco anos?
— Não se faz de santo, Harrison. — Olívia retrucou, atirando uma almofada nele.
— Tá, vai. — Dante ergueu as mãos, rendido. — Mas nada de perguntas idiotas tipo “você já beijou alguém escondido no recreio”.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: 7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!”