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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 42

POV Isadora Ferraz

O celular ainda tremia na mesa quando eu decidi. Eu não ia voltar. Não mais. Olhei pro rosto de Olívia. Ela entendia. Caio parou de rir, a colher congelada no ar. Dante se levantou, devagar, como se meu silêncio fosse uma sirene.

— Eu não vou voltar praquela casa. — Minha voz saiu baixa, mas firme. O tipo de tom que não aceita réplica. — Não dessa vez. Não nunca mais.

Dante respirou fundo, os olhos queimando. Ele deu a volta na mesa e se abaixou na minha frente.

— Então vamos acabar com isso. — Ele disse.

Eu balancei a cabeça, segurando o choro. Olívia colocou a mão no meu ombro, Caio largou a colher e veio para o meu lado.

— A gente já tem tudo — disse Caio, pegando o notebook. — As câmeras. O áudio. As conversas. As agressões. Tudo.

— A gente vai editar. — Olívia completou, os olhos acesos como se estivessem prontos pra guerra. — Mas de um jeito que ninguém consiga deturpar.

— E depois? — sussurrei.

Dante segurou meu rosto entre as mãos, me obrigando a olhar pra ele.

— Depois a gente entrega pra quem não pode ser comprado. — A voz dele era um trovão contido. — Um jornalista grande. Um que odeia os Montenegro. Um que vai derrubar tudo sem pensar duas vezes.

Eu tremia. Mas não de medo. Era outra coisa. Um fogo antigo. Aquele que eu achava que tinha morrido no dia em que virei uma peça decorativa na casa deles.

— Eu conheço um — Dante disse, levantando, pegando o celular. — Spencer Drew. Investigativo. Nunca perdeu uma denúncia. É respeitado. Intocável.

Olívia abriu o notebook, os dedos correndo no teclado. Vídeos surgiam na tela: Rafael no meu quarto, Heitor me agarrando, Célia tramando com Elena. Caio aproximou outra cadeira, começou a ajudar. Eu me levantei, fui até a janela. O sol da manhã parecia zombar de mim. Mas, dessa vez, eu sorri. Porque finalmente... finalmente eu ia parar de ser refém da minha própria vida.

— Isa — Olívia chamou, com os olhos brilhando. — Vem escolher comigo as partes mais fortes.

Fui até ela. Nossas mãos tremiam, mas juntas pareciam mais firmes.

— Isso vai virar um inferno. — Caio comentou, enquanto arrumava os cortes.

— Eu sei. — Eu respondi. — Mas eu já morei no inferno tempo suficiente para saber onde colocar o fósforo.

Dante me olhou. O fogo nos olhos dele encontrou o meu. E eu vi. Não era só sobre vingança. Não era só sobre medo. Era sobre liberdade.

— Depois de hoje... — ele falou, a voz baixa. — Eles não vão mais poder encostar em você.

Eu assenti. Peguei a xícara de café que já estava fria, levantei como se fosse um brinde.

— Ao fim do império.

Caio ergueu uma bolacha. Olívia, o celular. Dante, o olhar. E, naquele instante, eu soube: O caos já estava batendo na porta. E eu, finalmente, estava pronta pra abrir.

***

O silêncio depois da bomba ser lançada era quase ensurdecedor. O vídeo já estava no ar. O jornalista confirmou que ia soltar as matérias aos poucos, como facadas lentas no ventre dos Montenegro.

Mas eu não queria mais me esconder. Eu não queria apenas ver a queda.

Ela me puxou num abraço. Fiquei ali, afundada no cheiro de lavanda do perfume dela, sentindo pela primeira vez que estava, de fato, livre.

— Você vai ter que ser forte, Isa. Porque isso vai ser feio. — Olívia murmurou, afundando o rosto no meu cabelo. — Mas você já foi forte a vida toda. Agora… agora você vai ser invencível.

Quando ela se afastou, os olhos dela brilhavam.

— Amanhã cedo, vou no fórum. Vamos protocolar tudo. — Ela disse, já em modo general, o cérebro funcionando como uma metralhadora. — E Dante...

— Dante não precisa saber agora. — Interrompi, respirando fundo. — Ainda não.

Ela me olhou, surpresa.

— Eu preciso que ele continue sendo minha luz. Não quero arrastá-lo pra lama até eu estar pronta.

Ela assentiu, apertando minha mão uma última vez.

— Tudo bem. — Ela murmurou. — Mas saiba que ele já tá nessa com você, mesmo que você não queira.

Saí do quarto depois de um tempo. A casa toda parecia mais silenciosa. Como se segurasse a respiração esperando o próximo golpe.

Peguei o celular. Abri a câmera frontal. Me olhei.

Eu parecia cansada, pálida, mas havia um brilho estranho no olhar. Um brilho que eu não via desde… nunca.

Eu sorri. Fraco, mas real. Porque hoje, eu matei a mulher que eles criaram. E nasci eu. A mulher que vai escrever o próprio final.

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