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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 47

POV Dante Harrison

Saí do apartamento com o celular no bolso, os punhos cerrados e o coração batendo como um tambor de guerra. No elevador, olhei para o espelho. O reflexo devolveu um homem que eu mal reconhecia. Olheiras fundas, barba crescendo torta, olhar faminto. Não era só desejo. Era ódio. Era um instinto primitivo de proteger.

A rua me engoliu como um mar cinza. Liguei pro detetive.

— Quero cada movimento deles nas próximas 24 horas. Nada escapa.

O cara murmurou um “sim, senhor” nervoso. Ele já sabia que não era hora de vacilar. Caminhei até o carro, bati a porta com força. O painel brilhava, mas meus olhos estavam nublados. Passei a mão no rosto.

“Ela não pode saber agora.” Eu sabia. Sabia que ela estava fugindo de mim. Do que eu representava. Do que eu poderia querer ou não. Mas ela não entendia que… eu não queria nada além dela inteira, viva, livre.

Respirei fundo. Liguei o carro. As imagens de Isa rodavam na minha cabeça como um filme quebrado: Ela rindo. Ela tremendo. Ela me olhando como se eu fosse salvação.

Eu ia atrás deles. De todos eles. Pisei fundo no acelerador. O rugido do motor preencheu meus ouvidos como um grito de guerra.

— Eu avisei… — falei pra mim mesmo, os dentes cerrados. — Vocês mexeram com a mulher errada. E agora… vão conhecer o inferno.

O celular vibrou de novo. O nome do detetive piscava.

“Eles estão reunidos na casa Montenegro. Algo grande está acontecendo. Vou mandar localização.”

A mensagem apareceu na tela do painel. Meu peito se apertou. Eu sorri. Um sorriso cruel.

— Ótimo. Então eu vou até vocês.

A cidade virou borrão na minha frente. Cada farol era um pulso de raiva. Cada esquina, um passo em direção ao abismo. Porque hoje à noite… Eu não ia só vigiá-los. Eu ia deixar um aviso. E Isa? Ela ainda não sabia, mas… o mundo dela estava prestes a mudar.

Estacionei a algumas quadras da mansão Montenegro. O portão principal parecia um animal adormecido, mas eu sabia… lá dentro, todos estavam acordados.

Saí do carro. O vento cortava, mas eu não sentia frio. Cada célula do meu corpo vibrava num ritmo que eu não conhecia. Um ritmo que dizia: vá. agora.

Peguei o celular. A localização batia com o mapa mental que eu montei durante semanas. A entrada lateral, onde os caminhões de entrega paravam, era sempre menos vigiada. Passei pelo jardim. O cheiro de rosas mortas me deu ânsia.

Subi os degraus. Puxei a luva da mão direita, rangendo os dentes. Me aproximei da janela da cozinha. Luz acesa. Risadas abafadas.

Célia. Elena. Heitor. Rafael. Todos ali.

A conversa estava acalorada. Dava pra ouvir fragmentos.

— … precisamos acabar com ela antes que vire mártir… — a voz fria de Célia.

— … você acha que eu vou deixar aquela vadia me enterrar? — Heitor rugia.

— … posso dar um jeito. Posso ir atrás dela de novo… — Rafael.

Senti a bile subir. Fechei os olhos. Segurei o batente da janela com força.

“Eu juro, Isa… por cada lágrima que você derramou.”

Empurrei a janela. Devagar. Entrei. O silêncio foi meu manto.

Cravei os olhos em cada um deles. O sangue subiu quente.

— Boa noite, família Montenegro. — minha voz cortou o ar como um tiro.

Eles congelaram. Rafael foi o primeiro a virar. O sorriso cínico escorregou da cara dele.

Heitor se levantou de um pulo, a cadeira caindo.

— O que você acha que tá fazendo aqui?! — gritou, a veia do pescoço saltada.

Célia segurou o braço de Heitor, pálida como um fantasma.

Elena se afastou, as mãos na barriga, fingindo fragilidade.

— Eu? — dei um passo à frente. — Eu vim avisar que a festa acabou.

Rafael avançou, o rosto retorcido de ódio.

— Você não vai encostar nela de novo, seu merda! — Ele berrou.

Eu sorri. Um sorriso calmo, afiado.

— Ah… Rafael. Sempre tão previsível.

Quando ele veio pra cima, virei o corpo e acertei um soco seco no estômago dele. Ele caiu de joelhos, arfando.

Heitor tentou vir em seguida, mas eu segurei o braço dele, torci e o joguei contra a mesa. A madeira estalou.

Célia gritou. Elena choramingou.

— Escutem bem. — falei, baixo, quase um sussurro, mas cada palavra era uma lâmina. — Chega de manipular. Chega de abusar. Chega de jogar com a vida dela como se fosse um tabuleiro barato.

Me abaixei perto de Rafael. Segurei o rosto dele, forçando-o a me olhar.

Capítulo 47 — Eu não ia fugir sozinha 1

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