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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 51

POV Isadora Ferraz

O silêncio do apartamento parecia um grito. Me joguei no sofá, o corpo ainda tremendo. Olívia ficou ali, parada, me observando como quem tenta decifrar um enigma.

— Isa… — ela começou, com a voz suave, mas cheia de pontas. — O que aconteceu?

Respirei fundo. Uma, duas, três vezes. Senti o ar arranhar minha garganta como cacos de vidro. O enjoo voltou, misturado com raiva, medo e um gosto metálico que eu não sabia de onde vinha. Levantei os olhos. Olívia estava de pé, os braços cruzados, esperando. Sempre esperando. Mas nunca me deixando sozinha.

— Eu vi... — a voz saiu falhada, baixa, como se não fosse minha. — Na clínica. Elena. Ela estava lá. E… — engoli em seco. — Eu ouvi.

Olívia descruzou os braços, se aproximou devagar. Se sentou na mesinha de centro, na minha frente, me obrigando a olhar pra ela.

— O que você ouviu?

Fechei os olhos. Senti as lágrimas queimando. Não dava mais pra segurar.

— O filho… — a voz quebrou, quase num soluço. — O filho dela não é do Heitor. É do médico. Ela… ela tá com medo de ele descobrir. Tá com medo de ficar sem nada.

Os olhos de Olívia arregalaram. Por um segundo, o rosto dela ficou em silêncio total. Depois, ela se levantou num pulo, começou a andar de um lado pro outro, os passos cortando o chão como lâminas.

— Filha da puta… — murmurou. — Eu sabia que aquela cobra não era só aparência.

Eu respirei, tentando me manter inteira. Mas meu corpo parecia feito de vidro. Cada respiração ameaçava quebrar mais uma parte.

— Ela... — continuei, com dificuldade. — Ela planejou tudo. Queria ficar com ele. Queria me destruir. E agora…

Olívia parou. Se virou pra mim. O rosto dela era puro fogo.

— Você tem noção do que isso significa, Isa? — A voz dela era baixa, mas carregada de fúria. — Isso é a arma que faltava. É o golpe final.

Eu balancei a cabeça, desesperada.

— Eu não sei, Oli. Eu não sei se consigo mais lutar. Eu tô cansada. Tão cansada...

Ela correu até mim, se ajoelhou na minha frente. Segurou meu rosto com força, os olhos colados nos meus.

— Ei. Olha pra mim. — Os dedos dela apertavam meu queixo. — Você já passou do ponto de não retorno, Isa. Você não tem mais volta. Não tem mais casa pra onde fugir.

Uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Ela a secou com o polegar, com uma delicadeza que parecia contrastar com a raiva que queimava nela.

— Você vai usar isso. Vai usar tudo. Cada dor, cada humilhação, cada noite que chorou sozinha. Porque agora… agora você tem a chance de virar tudo de cabeça pra baixo.

— E se eu não aguentar? — sussurrei. — E se eu quebrar no meio do caminho?

Olívia aproximou a testa da minha. Fechou os olhos.

— Então eu quebro com você. E a gente se cola de novo. Mas você não vai desistir. Eu não vou deixar.

O silêncio se instalou. Mas era um silêncio cheio de promessa. De guerra. De recomeço. Eu respirei. Pesado. Profundo. Pela primeira vez, sentindo o peso de cada escolha. De cada renascimento que estava por vir.

Abri os olhos.

— Eu vou acabar com eles. — murmurei, como uma prece sombria.

Olívia sorriu. Um sorriso que era meio tristeza, meio vitória.

— É isso que eu queria ouvir.

Ela se levantou, puxou minha mão, me abraçou. O corpo dela era o único lugar onde eu ainda lembrava como era respirar sem medo. E ali, no meio do silêncio e do caos, eu entendi: a queda deles não ia ser rápida. Ia ser lenta. Dolorosa. Inesquecível.

***

Segunda-feira. O céu cinza parecia refletir o meu humor — pesado, incerto, prestes a desabar. Saí cedo, blazer preto, batom discreto, tentando vestir coragem como quem veste uma armadura furada.

Peguei a bolsa, conferi o celular umas dez vezes no elevador. Quando saí na rua, respirei fundo, o ar frio queimando os pulmões. Caminhei firme. Mas no meio do caminho, algo me travou. Um carro escuro, parado na esquina. O vidro abaixou.

— Isadora!

Capítulo 51 — Adeus 1

Capítulo 51 — Adeus 2

Capítulo 51 — Adeus 3

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