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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 53

POV Heitor Montenegro

A tela do celular ainda brilhava na minha mão. A notificação do jornal apareceu como uma facada bem dada: “Exclusivo: Os bastidores do casamento de Isadora Ferraz e Heitor Montenegro, a verdade por trás do escândalo.”

Eu não abri. Eu sabia o conteúdo. Eu vi aquelas merdas sendo editadas. Vi Célia cortar, costurar, manipular como se estivesse bordando uma tapeçaria de mentiras. E mesmo assim… deixei.

Porque no fundo, uma parte de mim queria que ela sentisse. Dor. Raiva. Vergonha. O gosto amargo de ser exposta. Como eu me senti quando ela foi embora. Como eu me senti quando vi ela sorrindo nos braços de Dante.

Passei a mão pelo rosto. A barba crescida arranhava os dedos. Levantei devagar do sofá, a casa vazia engolindo meus passos. Lá fora, o barulho da cidade parecia zombar de mim. Gritos, buzinas, vida acontecendo. Enquanto aqui dentro… o mundo desabava em silêncio.

Fui até o bar. Enchi o copo de uísque. Nem sei qual dose era aquela. A primeira que doía. Ou a última que me destruía.

— Já foi publicado. — disse Célia, entrando sem bater. — Em menos de uma hora, está entre os assuntos mais comentados do país.

Virei o copo inteiro. O fogo desceu rasgando a garganta.

— E aí? Está feliz? — minha voz saiu rouca.

Ela me encarou. Sem um pingo de culpa.

— Isso não é sobre felicidade. É sobre proteção. Sobre controle de dano. Você não entendeu ainda, Heitor? — Ela se aproximou. — Você perdeu. Ela destruiu sua imagem. Seu casamento. Sua sanidade. A única forma de salvar o nome dos Montenegro… era destruir o dela primeiro.

Fechei os olhos. Por um segundo, o rosto de Isa veio inteiro. O choro contido. Os olhos suplicando pra ser ouvida. A coragem de enfrentar um mundo que sempre quis silenciar mulheres como ela. E eu. Eu fui parte do silêncio. Parte do cativeiro.

— Ela vai quebrar. — Célia sussurrou, quase satisfeita. — Vai implorar pra voltar à sombra. Pro canto de onde nunca devia ter saído.

Abri os olhos. Olhei pra minha mãe. E pela primeira vez… senti nojo. Não dela. De mim.

— E se ela não quebrar? — perguntei, baixo.

— Que?

— E se ela não quebrar, Célia? E se ela renascer? Porque ela faz isso. Ela cai bonito. Mas levanta mais bonita ainda.

Célia riu. Riu como quem subestima. Como sempre fez.

— Não existe redenção para uma mulher com a reputação arruinada.

Soltei uma risada seca.

— Então você não conhece a mulher que viveu aqui por 7 anos.

Porque sim, fui eu. Com minhas mentiras, minha obsessão, minha covardia. Fui eu que fiz dela o que ela é agora. E mesmo afundando, mesmo cercado de cinzas e bebida, mesmo sem nada…

eu ainda amava aquela maldita mulher. Mas talvez, amar alguém seja saber… que você nunca vai merecer ela de volta.

***

POV Célia Montenegro

A taça de vinho girava lentamente entre meus dedos. Vinho chileno, safra rara. Sabor de vitória.

A matéria ainda estava no ar. O vídeo, viral. Milhares de comentários. Gente chamando Isadora de louca, manipuladora, desequilibrada. Outros, tentando defendê-la, como se qualquer mulher que grita por socorro ainda merecesse empatia depois de um escândalo.

Inocentes.

A guerra da opinião pública era vencida por quem sabe moldar narrativa. E isso, meu bem, eu fazia de olhos fechados. Me sentei à mesa de vidro, cruzando as pernas com elegância. Peguei o tablet. Cliquei em mais um portal. Manchete em destaque:

"A verdade sobre Isadora Ferraz — vídeos inéditos revelam o lado sombrio da Montenegro."

Sorri. Um sorriso lento. Contido. Como o de uma cobra satisfeita.

— Finalmente, alguém colocou essa garota no lugar dela — murmurei.

POV Isadora

A notificação acendeu a tela do meu celular com o som seco de alerta. O nome do laboratório piscava em azul. Engoli seco. O mundo ao meu redor, os papéis sobre a mesa, o computador em modo de descanso, a xícara de chá esquecida, congelou.

Toquei com o polegar trêmulo. “Resultado disponível. Clique para visualizar.”

Minhas mãos estavam geladas. Meu coração, não, ele batia alto demais, rápido demais. Parecia saber antes de mim. Fechei a porta da sala. Tranquei. Sentei. Respirei fundo. Respirei como quem se prepara pra uma sentença. Cliquei.

As palavras surgiram como uma chuva que cai devagar… e afoga.

"Beta-hCG: 3.175 mUI/mL."

Resultado: Positivo.

Grávida. A mão tremeu. Os olhos se encheram, mas não deixei cair. Não dessa vez. Porque não era tristeza. Era medo. Era choque. Era a vida gritando dentro de mim quando tudo lá fora parecia querer me silenciar.

Levei a mão à barriga. Não tinha nada visível. Só um calor estranho. Um susto silencioso. Uma presença que não era mais só minha.

— Merda… — sussurrei.

Me levantei, como se a cadeira queimasse. Andei em círculos na sala. Pensei em Dante. Pensei em tudo. No caos dos últimos dias.

— Isso não pode estar acontecendo… — sussurrei, sentindo o coração disparar.

Mas estava. O teste de farmácia tinha sido só um aviso. Uma fagulha. Agora era oficial. Real. Clínico. Engoli a notícia como quem engole uma faca. E então… uma certeza me atravessou. Eu não vou contar. Ainda não. Não para Dante. Só para Olívia. Porque o mundo lá fora ainda estava pegando fogo, e eu precisava entender se esse bebê nascia do caos ou da luz. Se nascia para me salvar… ou me destruir. Fechei o e-mail. Apaguei o histórico. Tirei uma cópia do exame e salvei numa pasta com senha. Um segredo entre mim e algo que crescia em silêncio.

Peguei minha bolsa. Fingi normalidade. Ajeitei o cabelo no espelho.

— Você vai ficar bem. — sussurrei, mais pra mim do que pra quem me escutasse dentro de mim.

Saí da sala com a mesma expressão de antes, liguei para Olívia no caminho para confirmar o positivo e ela mais uma vez me garantiu que eu não estava sozinha.

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