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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 57

🔥 POV Heitor Montenegro

Duas semanas depois...

O mundo seguiu em frente. As manchetes diminuíram, os debates ficaram mais mornos, e até os olhares de reprovação começaram a dividir espaço com os de dúvida. A guerra se tornara um campo nebuloso onde a verdade e a mentira se beijavam escondidas.

Mas dentro dessa casa, o tempo estagnou. A noite parecia ainda mais sufocante que o normal. A brisa do ar-condicionado não fazia efeito. O silêncio ecoava como uma sentença no quarto enorme e escuro.

Isadora. A palavra grudava na minha mente como um vício. Um nome que eu cuspia em público e sussurrava em silêncio. Ela. Com aquele olhar de promessa e fim. Com aquela boca que um dia me chamava de “meu”. Agora me queimava feito veneno.

Estava em todos os cantos. Na ausência do perfume dela na mansão. No travesseiro que eu me recusei a trocar. Nas músicas que ela odiava e que agora eu ouvia só pra sofrer. Eu perdi ela. Não como quem perde algo que se deixa cair... Mas como quem cava o próprio buraco e empurra o que mais ama lá dentro.

A porta do banheiro se abriu. Elena saiu, enrolada em uma camisola de seda curta demais pra ser confortável. O cabelo molhado, o cheiro de flor que nunca me atraiu.

— Heitor... — ela chamou, manhosa, arrastando o nome como se fosse um convite.

— Hm. — respondi sem tirar os olhos do teto.

Ela veio até a cama, subiu com a leveza ensaiada de quem sabe como manipular. Deitou por cima de mim, a mão fria em meu peito nu.

— Faz tempo que a gente não… — sussurrou no meu ouvido.

Fechei os olhos. Nada. Nenhum arrepio. Nenhuma vontade. Nenhum instinto. A única imagem que me vinha era a de Isadora, naquele vestido verde claro que ela usou no nosso primeiro jantar como marido e mulher. Ela tinha rido alto. Ela era feliz. Antes de mim.

— Heitor... — Elena tentou de novo, puxando minha mão.

— Sai de cima de mim. — pedi, sem levantar a voz.

Ela congelou. Mas não cedeu.

— Por quê? Vai continuar vivendo nessa obsessão por uma mulher que já te enterrou vivo? Ela não vai voltar, Heitor.

— Sai. — falei de novo. Agora mais firme.

Ela se afastou, bufando.

— Você está ficando patético. Ela acabou com a sua imagem, te deixou como um monstro. E mesmo assim...

— Eu sou um monstro, Elena. — cortei, me sentando na cama, olhando direto pra ela. — E o pior? Fui eu quem me transformei nisso. Ela só mostrou o que sempre estive tentando esconder até de mim mesmo.

Ela me encarou. E pela primeira vez... não teve resposta. Nem provocação. Nem sensualidade. Só silêncio. Ela saiu do quarto sem dizer mais nada. Fiquei ali, sozinho, rodeado por lembranças. E foi naquele instante, no silêncio do quarto luxuoso, que eu percebi que Isadora tinha ido embora. Mas ela ainda era tudo que me mantinha acordado.

***

POV Isadora Ferraz

Duas semanas depois…

O mundo não parou. Mesmo com as cicatrizes abertas, mesmo com a alma remendada, as ruas ainda se encheram, os carros continuaram buzinando, e o café da editora ainda subia com aquele cheiro forte que me dava enjoo toda manhã.

Duas semanas se passaram desde o estouro. Desde que minha intimidade foi cuspida na tela de todo brasileiro com internet. Desde que me chamaram de louca, manipuladora, descontrolada. Desde que minha verdade foi estraçalhada em cortes frios e cirúrgicos, transformando dor em espetáculo.

E ainda assim, eu continuei. Não por coragem. Mas porque desistir seria como deixá-los vencer.

Hoje, o burburinho era menor. As redes sociais estavam divididas entre quem achava que eu era vítima, e quem acreditava nas versões plastificadas dos Montenegro. A diferença era que agora… eu não precisava provar nada pra ninguém. Eu só precisava me manter de pé.

O espelho do banheiro refletia meu rosto pálido. O cabelo preso às pressas, os olhos com bolsas de noites maldormidas. E, mesmo assim, havia algo ali que não existia antes. Força. Não aquela força que grita e arranha paredes. Mas a força silenciosa de quem apanha do mundo e volta no dia seguinte.

Capítulo 57 —  Duas semanas depois… 1

Capítulo 57 —  Duas semanas depois… 2

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