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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 58

POV Isadora Ferraz

O relógio marcava 19:32. Minha mão tremia levemente ao passar o batom. Aquela cor vinho queimado, intensa, como se quisesse lembrar a mim mesma de que eu ainda estava aqui. Que eu ainda era mulher, e não só sobrevivente.

A barriga ainda era invisível. Mas o peso do segredo? Não. Esse crescia mais a cada passo.

— Vai com o verde — Olívia gritou da sala, sem nem olhar. — O vestido verde. Deixa o Dante sem ar. E confunde ele. Que homem não surta com mistério?

Soltei uma risada curta, nervosa. O verde-musgo de alcinha, decotado nas costas e com fenda lateral, estava pendurado ali, me encarando como se dissesse: "Você ainda sabe ser desejada."

— Não sei se… — comecei, mas Olívia apareceu na porta com os braços cruzados.

— Vai, mulher. A noite é tua. O Dante também.

Levantei as sobrancelhas, mas cedi. O tecido escorregou pelo meu corpo como um sussurro antigo. Ele me abraçava nas curvas certas, disfarçava o enjoo, e deixava meu pescoço exposto. Vulnerável. Forte.

Penteei os cabelos num coque baixo, com algumas mechas soltas. Perfume atrás das orelhas. No pulso. Na clavícula. Aroma de dama-da-noite e recomeço. Respirei fundo. Olhei no espelho uma última vez. A mulher ali… ainda era eu. Mas com cicatrizes douradas.

A campainha tocou. Meu coração pulou. Senti como se cada parte do meu corpo tivesse parado por um segundo, só pra ouvir melhor aquele som.

Fui até a porta. Abri devagar. E lá estava ele. Dante. De blazer escuro, camisa branca meio aberta no peito, perfume amadeirado e olhar em brasa. A mandíbula marcada. O cabelo um pouco bagunçado. E aquela postura de quem tinha vindo pra me devorar inteira, mas só se eu deixasse.

Ele travou por um segundo ao me ver.

— Porra… — ele soltou, num sussurro rouco. — Você está… inacreditável.

— Boa noite para você também — brinquei, tentando manter o tom leve. Mas minhas pernas… minhas pernas traíam toda minha fachada de calma.

Ele se aproximou, devagar. Com um pequeno buquê de rosa branca na mão.

— Para você — disse, entregando. — Porque você é paz. Até quando tudo está em guerra.

Segurei o buquê, tentando não desabar.

— Obrigada.

— Pronta?

Assenti. Peguei a bolsa. Antes de sair, Olívia apareceu na porta do corredor.

— Juízo, Isa. E se ele te olhar muito, você desvia. Ou… você encara de volta. A escolha é tua.

— Vai dormir, Olivia! — gritei, rindo, sem olhar pra trás.

Descemos. O carro dele estava parado em frente. Clássico. Preto. Misterioso. Ele abriu a porta para mim. E quando sentei, cruzando as pernas, senti os olhos dele queimando minha pele.

— Você faz ideia do que causa, Isadora?

— Não. E nem quero saber. — retruquei, mas um sorriso escapou.

No caminho, silêncio e tensão. O tipo de silêncio que diz mais do que mil palavras. O tipo de silêncio onde cada respiração conta. Onde o desejo dança entre um suspiro e outro. Eu encarei a janela. Mas sentia o olhar dele.

Sabia o que ele queria. Sabia o que eu também queria. Mas tinha algo entre nós. Algo mais profundo. Um campo minado de passado, guerra e um bebê que ele não sabia que existia.

***

O restaurante era discreto, elegante, meio escondido no coração da cidade. Luz baixa, taças reluzindo, velas tremeluzindo como promessas sussurradas. O tipo de lugar feito para encontros que queimam devagar.

Dante puxou minha cadeira, cavalheiro. Mas o toque dele no meu ombro... foi puro incêndio. Sentei, ajeitando o vestido ou tentando, porque aquele maldito tecido insistia em subir. Ele notou. Claro que notou.

— Esse vestido está me matando. — ele murmurou, a voz baixa e rouca, com um sorriso torto. — E nem é pelo decote.

— Se quiser, posso trocar por um moletom e sair correndo — retruquei, erguendo uma sobrancelha.

— E eu correria atrás.

Sorri, desviando o olhar. Foco, Isadora.

O garçom apareceu, ele pediu vinho, eu pedi um suco. Dante manteve os olhos em mim o tempo todo, como se tivesse medo que eu sumisse ali mesmo.

— Você está mais calada do que o normal. — ele comentou, depois do primeiro gole.

— Estou tentando me lembrar como… confiar. — minha resposta saiu antes mesmo de eu processar.

Ele se inclinou levemente, os cotovelos apoiados na mesa.

Capítulo 58 — O vestido verde 1

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