Entrar Via

7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 6

POV Isadora Ferraz

O chão desapareceu.

— Isso é... um delírio — sussurrei, sem conseguir respirar. — Você quer que eu cuide da amante do meu marido?

— Ela não é amante. É mãe do futuro Montenegro. Isso te coloca em segundo plano, mas ainda te mantém na família. Se você se comportar. Se cuidar bem dela, pode continuar como esposa oficial. Afinal, imagem é tudo.

Olhei pro Heitor.

Ele não disse nada.

Nem um olhar.

Nem um protesto.

Covarde até o fim.

— Eu sou um ser humano. Não um adorno social — falei, com os olhos marejados. — Eu não vou compactuar com isso.

Célia se levantou.

— Então está fora. Hoje mesmo. Arrume suas coisas. Seus cartões já foram bloqueados. Você vai sair daqui com a roupa do corpo se quiser continuar com esse teatro de mártir.

Elena sorriu.

Aquela curva disfarçada de vitória.

Como se eu tivesse perdido uma guerra que nem sabia que estava lutando.

Eu não chorei.

Não ali.

Não na frente deles.

Só encarei aquela mesa...

Aquela mesa onde servi jantares por sete anos.

Onde me sentei esperando amor, esperando futuro.

E vi que, no fim, eu era só um talher a mais.

Desnecessário.

Descartável.

Virei as costas.

Sem prato.

Sem cadeira.

Sem lar.

Mas com algo que ninguém mais ali tinha:

A verdade.

Me recusaram tudo.

Até o direito de existir sob o mesmo teto em que me anulei por sete anos.

Eu disse “não”.

Simples. Sem gritos, sem cena. Apenas um “não” atravessado na garganta como espinho.

Célia arregalou os olhos como se eu tivesse cuspido na mesa de jantar de cristal.

— Não? — ela repetiu, como se a palavra fosse estrangeira.

— Eu não vou cuidar da amante do meu marido. Não vou cozinhar pra ela. Não vou servi-la enquanto carrega um filho que deveria ter sido meu. Isso é doentio.

Heitor se manteve calado. Nem um pingo de vergonha. Parecia um garoto mimado esperando que a mãezinha resolvesse tudo.

Foi quando ela sorriu.

— Então está feito. Você está fora. De tudo. Da casa, da conta, da família. Espero que tenha um lugar para ir, Isadora.

— Tenho. Qualquer lugar é melhor que essa prisão social que vocês chamam de lar.

A serviçal, que me víra passar os últimos sete natais fingindo felicidade, apareceu na porta da sala com os olhos baixos.

— Senhora, a mala dela já está pronta.

Mala.

Singular.

Um pedaço de mim resumido a um retângulo de couro com rodinhas.

— Não se incomode em voltar para buscar o resto. O que ficou, é nosso agora.

— Como um furto autorizado? — retruquei, sorrindo com amargura.

— Como uma limpeza. Sua presença era poeira.

Meu cartão recusou no Uber.

O de crédito.

O de débito.

Até o do mercado.

Ela não estava blefando.

Célia me apagou do sistema como quem deleta um e-mail incômodo.

No saguão do prédio, sentei na mala.

Como mendiga de mim mesma.

O porteiro não ousou me encarar. Mas vi nos olhos dele o julgamento silencioso de quem acredita na história contada pelos mais ricos.

Peguei o celular. Digitando com os dedos trêmulos:

Olívia, me ajuda.

Ela respondeu em menos de um minuto:

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: 7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!”