POV Isadora Ferraz
Lorenzo Fabbri.
O nome não parava de piscar na minha mente como um letreiro de neon no escuro.
Eu fiquei ali. Sentada no sofá. A manta sobre minhas pernas parecia mais pesada agora, como se cada fio de lã tivesse sido tecido com perguntas. Um irmão? Um… irmão?
— Tem certeza? — minha voz saiu baixa, quase infantil. — Isso não é algum tipo de golpe? Gente oportunista aparece quando a mídia estoura…
Dante sentou ao meu lado, com aquela paciência firme que ele tem.
— Eu chequei. O nome, os registros da mãe dele. Tudo b**e. O sobrenome dela… é o mesmo da sua mãe antes de casar.
Um arrepio me percorreu. Era como se o universo estivesse me pregando uma peça. Tantas noites achando que eu era só. Que não tinha ninguém. Nem sequer o eco de um parente perdido.
E agora… isso.
— Ele quer me conhecer? — sussurrei.
— Só se você quiser. Ele deixou claro. Disse que não quer te assustar, nem forçar nada.
Fiquei em silêncio. O celular repousava ao lado, como se estivesse prestes a explodir. A mensagem ainda ali. Intocada.
"Quero conhecer minha irmã. Se ela permitir."
A cabeça latejava. O coração... confuso.
— Não sei se consigo, Dante. — murmurei. — Não hoje. Não agora. É demais.
Ele assentiu, me puxando para um abraço silencioso. Minhas mãos estavam frias. O peito, em chamas. Tudo em mim era conflito.
Família. Uma palavra que sempre me soou como um castigo. Agora... talvez não.
Mas permitir?
Isso ainda era uma ponte que eu não sabia se conseguia atravessar.
Ainda.
***
Sonho de Isadora
A casa era a da infância. Não a que morei de fato, mas a que minha mente reconstruiu com saudade. As paredes tinham cheiro de bolo quente e sabonete barato. O chão de madeira rangia baixo. E lá estava ela.
Minha mãe.
Sentada no jardim, sob a sombra de uma árvore que nunca existiu. Usava um vestido branco, simples. Os cabelos estavam presos como sempre faziam quando iam me ensinar alguma coisa. Mas havia algo diferente… os olhos dela. Mais vivos do que jamais me lembrava.
— Isa… — a voz dela saiu como música abafada pela memória.
— Mãe? — minha garganta queimava.
Eu me aproximei. Queria tocá-la. Encostar no rosto dela só pra ter certeza que era real, mesmo sabendo que não era.
Ela sorriu. Aquele sorriso de quem sempre soube mais do que dizia.
— Você tem sido tão forte, minha filha. Mesmo quando acha que não consegue mais.
Eu me ajoelhei aos pés dela. As lágrimas não caíam, porque naquele lugar, a dor era leve, líquida, suspensa.
— Eu sinto tanto sua falta. Eu não sei se estou fazendo certo. Eu tô com medo, mãe. De tudo.
Ela estendeu a mão. Tocou meu rosto com uma calma que desfez todos os nós dentro de mim.
— Você está onde precisa estar. E agora… não está mais sozinha.
— Um irmão…?
Ela assentiu devagar. O olhar cheio de uma ternura antiga.
— Às vezes a vida demora, mas dá um jeito de costurar as pontas soltas. Lorenzo é um ponto esquecido que agora quer ser laço. Você escolhe se quer amarrar.
Fechei os olhos. Respirei o cheiro do colo dela. Camomila, lavanda, saudade.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: 7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!”