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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 63

POV Isadora Ferraz

As lágrimas desceram quentes, sem que eu pudesse evitar.

— Dante… — minha garganta ardeu. — Esse bebê é seu.

Ele arregalou os olhos. O ar pareceu escapar do quarto por um segundo.

— O quê?

— É seu. — repeti. — Quando dormimos juntos pela primeira vez, naquela noite, no bar... já fazia mais de cinco meses que Heitor não me tocava. Nem um beijo. Nem um carinho. Nada. Eu dormia do lado de um estranho há quase meio ano. Quando eu vim pra cá... eu já estava destruída demais para fingir que ainda existia algo ali.

Dante me encarou. O que passou pelo rosto dele não foi só surpresa, foi um alívio rasgando a pele, um amor que transbordou sem pedir licença.

Ele levou a mão à boca, fechou os olhos, respirou fundo.

— É meu? — murmurou, como se ainda não acreditasse.

Assenti, chorando e rindo ao mesmo tempo.

— É seu.

Ele se levantou. Um passo. Dois. Me puxou com cuidado nos braços e me abraçou como se segurasse o universo.

— A gente vai cuidar dele. E de você. Eu prometo, Isa.

Encostei a cabeça no ombro dele. Fechei os olhos. Pela primeira vez em muito tempo, senti paz. Aquele tipo de paz que só vem quando a verdade encontra abrigo. Ficamos assim por minutos. Ele me embalando, como se o mundo todo estivesse desmoronando lá fora e o único abrigo que existia era o peito dele.

— Eu já estava começando a amar esse bebê, no segundo em que descobri que você estava grávida — ele murmurou, com a voz embargada. — Mas saber que ele é meu... Isa, você me deu tudo.

Soltei um riso choroso, abafado contra a camisa dele.

— Ainda quer me matar por não ter contado antes?

— Quero. — ele respondeu sem hesitar. — Mas só de beijo.

Ele me afastou com carinho, as mãos firmes nas minhas bochechas. Os olhos dele me engoliam inteira, como se tentassem memorizar cada detalhe.

— Eu vou fazer isso dar certo. Não sei como, mas vou. — disse. — Porque... você e esse bebê são tudo o que eu tenho de verdade.

— Eu não preciso de promessas agora. — falei, segurando as mãos dele. — Só fica. Aqui. Comigo. Até as coisas pararem de girar.

— Eu fico. — ele sussurrou, encostando a testa na minha.

***

POV Dante Harrison

Dia seguinte

Acordei antes dela. Coisa rara. Mas o medo de que tudo tivesse sido um sonho me fez abrir os olhos antes do sol subir de vez.

Isadora dormia ali, na minha cama, com a cabeça apoiada na almofada e a manta enrolada nas pernas. A respiração suave, tranquila. Mão pousada sobre a barriga, agora com outro significado. Um mundo inteiro ali, bem debaixo dos meus olhos.

Meu filho. Minha filha. Meu universo novo, bagunçado, inesperado... e completamente nosso.

Me levantei devagar, tentei não fazer barulho. Fui até a cozinha e preparei um café do jeito que ela gosta: forte, com açúcar na medida e uma fatia generosa de bolo que sobrou da noite anterior.

Quando voltei, ela já estava acordada. Cabelos bagunçados, olhos inchados, mas com aquele brilho tímido de quem, apesar de tudo, ainda acredita no amanhã.

— Trouxe reforços. — falei, com um sorrisinho de canto.

Ela sorriu de volta. Daqueles sorrisos que viram abrigo.

— Tá tentando me engordar para o bebê nascer gordinho?

— Tô tentando te fazer feliz. — respondi, sentando ao lado dela.

Ela se ajeitou, pegou a caneca e deu um gole. Fechou os olhos. Soltou um suspiro.

— Isso aqui… parece paz.

— E é. — falei. — A gente merece.

Ficamos em silêncio por um tempo. Só o som da colher batendo no fundo da xícara, a cidade começando a acordar, e o meu coração batendo num ritmo novo.

***

POV Dante Harrison

Fim da tarde chegou como um abraço morno. Olívia e Caio apareceram com sacolas de comida, vinho e aquele olhar de quem quer ver o mundo pegar fogo depois do jantar.

— A rainha da teimosia finalmente cedeu. — Olívia disse, jogando a bolsa no sofá e vindo direto abraçar Isa. — Até que enfim, mulher!

— Eu ia contar... só não sabia como. — Isa murmurou, recebendo o carinho da amiga com os olhos marejados de novo.

— Você não precisava saber como. A gente ia dar um jeito, como sempre. — Olívia falou, e olhou pra mim. — E você, mocinho... lidando bem com a ideia de fraldas, noites sem dormir e alguém vomitando em cima de você?

— Já tenho a Isadora para isso. — brinquei, ganhando um tapa de leve no braço dela.

Caio riu alto e se jogou na poltrona.

— Mas fala sério, Dante... — ele começou, agora mais sério. — Aquela história toda do seu passado... do seu medo de ter filhos. Isso tudo ficou para trás?

Capítulo 63 — O mundo se abriu. Outra vez. 1

Capítulo 63 — O mundo se abriu. Outra vez. 2

Capítulo 63 — O mundo se abriu. Outra vez. 3

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