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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 60

POV Isadora Ferraz

Saí do apartamento do Dante com o coração batendo em compassos irregulares. Não sabia se era a noite que ainda queimava na pele ou o medo do que vinha a seguir. O mundo lá fora parecia o mesmo, mas eu não era mais.

Peguei um táxi direto pro escritório da Olívia. Mandei uma mensagem avisando que passaria a manhã lá.

A recepção me pareceu mais fria que o normal ou era só a minha paranoia me vestindo com espinhos. A recepcionista me ofereceu um sorriso contido.

— A Dra. Olívia está na sala de reuniões. Pode subir, senhora Isadora.

Subi.

E cada degrau me lembrava do quanto aquela guerra era real.

A porta da sala de reuniões estava entreaberta. Respirei fundo antes de empurrá-la.

— Isa. — Olívia levantou de imediato. Seus olhos varreram meu rosto e depois o resto do meu corpo, como se procurasse hematomas invisíveis. — Vem, senta aqui.

Dois advogados estavam à mesa. Um homem com cabelo grisalho bem cortado, olhos atentos e pasta preta na frente. Ao lado dele, uma mulher de blazer vinho e olhar tão afiado que parecia cortar o ar.

— Isadora, prazer. Sou Adriana, especialista em Direito de Imagem e Violência Psicológica. E esse é Dr. Mauro, nosso civilista de guerra.

Eles apertaram minha mão com firmeza. Mãos de quem já segurou verdades pesadas demais.

Sentei. Olívia me passou uma garrafa d'água. Me senti uma ré, mesmo sendo a vítima.

— Nós assistimos os vídeos divulgados pelos Montenegro — começou Adriana. — E já temos uma análise preliminar das edições. Eles estão em vantagem narrativa, mas...

— Nós temos as provas reais — completei.

— Sim. — Mauro sorriu de canto. — E o momento de virada depende de como e quando vamos soltá-las.

Olívia se recostou na cadeira.

— A gente precisa pensar estrategicamente. A bomba deles já estourou. Agora é sobre como desacreditar o material deles e apresentar a verdade com respaldo jurídico.

— E o processo de divórcio? — perguntei.

— Vamos entrar com ele amanhã. — Mauro confirmou. — Pedido de urgência por violência emocional, tentativa de manipulação de narrativa, assédio psicológico e risco à integridade física.

— Vamos pedir medidas protetivas também — Adriana acrescentou. — Principalmente agora que ele te expôs publicamente como emocionalmente instável. Isso é grave. Cruel. E perigoso.

Eu senti a mão de Olívia apertar meu joelho discretamente. Uma âncora.

— Vocês acham que… que eu consigo sair disso sem perder tudo? — perguntei, mais pra mim do que pra eles.

— Você já perdeu o que tinha que perder — Olívia falou antes deles. — Agora é hora de retomar.

Adriana me olhou com aquela firmeza que só mulheres calejadas conhecem.

— Você vai vencer, Isadora. Vai levar o nome de volta. A paz. E se depender de mim, esse homem vai responder por cada centímetro de abuso.

Engoli em seco. Me ajeitei na cadeira.

— Então vamos começar.

Abri minha bolsa e tirei o pen drive com as gravações reais.

— Aqui está a verdade.

E naquele instante, pela primeira vez em semanas, senti algo que quase tinha esquecido como era.

Esperança.

***

POV Isadora Ferraz

O ponteiro do relógio arrastava os segundos como se estivesse com preguiça de existir. 13h17. A cidade lá fora seguia no automático, mas aqui dentro, cada passo meu parecia calculado demais. Entrei na editora com um casaco que me fazia sentir menos exposta, menos... frágil. Me escondi dentro dele como quem se esconde da própria sombra.

Ninguém falou muito. Só acenei com a cabeça pra recepcionista e segui até minha sala. Os corredores estavam mais silenciosos do que o normal. Ou talvez fosse eu. Talvez meu cérebro tivesse ativado algum tipo de isolamento automático, tipo um modo de sobrevivência.

Sentei. Liguei o computador. Abri o documento de revisão. Mas não li uma linha sequer.

As palavras embaralhavam. O monitor parecia longe. E eu... bom, eu só queria continuar fingindo que estava bem. Às horas passaram e eu não percebi que já era fim da tarde.

Foi quando ouvi os três toques na porta. Baixinhos. Quase tímidos. Nem precisei olhar. O coração reconheceu antes dos olhos.

— Bati — disse Dante, parado no batente, aquele sorrisinho de canto nos lábios. — Mas você estava muito concentrada no... seja lá o que fosse isso.

Soltei a caneta devagar. Meu peito apertou.

— Estava tentando distrair a cabeça. — respondi.

Ele entrou, fechando a porta com cuidado. Andou até minha mesa como quem já conhece o caminho e conhece mesmo.

— Pensei em passar aqui antes da gente ir pra casa da Olívia. Ela me mandou mensagem, disse que já está com tudo preparado com Caio.

Assenti. Minhas mãos continuavam inquietas sobre o teclado, como se digitar algo aleatório pudesse me salvar daquele instante.

— Você está bem?

Essa pergunta. Sempre essa pergunta.

Capítulo 60 — Cortaram minha voz. 1

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