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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 65

POV Isadora Ferraz

O dia seguiu. Um café rápido antes de entrar na editora, Dante me deixou na porta com um beijo leve e um “boa sorte” sussurrado como um feitiço. A recepcionista me olhou como se eu fosse feita de vidro e talvez eu fosse mesmo, mas de um tipo de vidro que reflete em vez de quebrar.

Subi. Respirei fundo. Encarei o corredor como quem encara uma arena.

Alguns colegas desviaram o olhar. Outros sorriram com gentileza. Mas ninguém comentou nada, nem sobre os vídeos, nem sobre o acidente, nem sobre o burburinho da mídia que ainda pairava feito fumaça. Um silêncio estranho, quase cúmplice. Como se todos soubessem que eu estava de volta, e que não se brinca com quem sobreviveu à própria queda.

Na minha sala, a mesa estava do mesmo jeito que deixei. Um café frio. Algumas folhas impressas. Uma caneta com a tampa mastigada. Tudo comum, quase banal.

Sentei. Liguei o computador. Deixei que o som do teclado me ancorasse de novo.

Mas nem cinco minutos depois, Olívia entrou.

— Como você está? — ela perguntou, sem rodeios.

— Acordei. Escovei os dentes. Passei um rímel e vim trabalhar. Isso já é um milagre. — sorri de canto.

Ela se aproximou, puxou a cadeira à minha frente e me olhou com aquele olhar que atravessa alma.

— E o Lorenzo?

— Me mandou mensagem. Quer marcar uma chamada. — engoli em seco. — Mas eu ainda não respondi.

— Isa… você quer isso?

— Eu… quero entender. Só isso. Quero saber se ele é mesmo quem diz ser. Quero saber se existe alguma peça do meu passado que ainda pode me completar. — olhei pra ela, sincera. — Mas também tenho medo.

— Ter medo é o que nos faz humanos. Mas procurar respostas é o que nos mantém vivas. — ela disse. — Você não precisa fazer isso agora. Mas quando fizer… estarei aqui.

Assenti. Agradecida.

O resto do dia correu no ritmo costumeiro de reuniões, e-mails e planos estratégicos para manter a editora funcionando em meio à polêmica. Dante me mandou mensagens ao longo do expediente, perguntando se eu queria jantar em casa ou fora, se eu estava bem, se o bebê tinha chutado, ainda não, mas a ansiedade dele era quase poética.

Por volta das cinco da tarde, abri o e-mail. Um novo arquivo da equipe jurídica com as movimentações do processo de divórcio.

Assinei digitalmente. Um passo a mais. Um fio cortado. Um peso a menos.

Suspirei. Olhei o celular. A mensagem de Lorenzo ainda piscava na tela. Não respondi. Ainda não. Mas uma parte de mim… já começava a querer.

***

A luz na cozinha era amarelada e suave, como as manhãs que eu costumava inventar nos meus livros. Tudo ali tinha cheiro de lar, alho dourando na frigideira, vinho tinto respirando em taça de cristal, e ele... de avental, cortando legumes como se fosse chef em Paris. Mas estávamos em casa. E eu, estranhamente, estava em paz.

— Não sabia que você cozinhava. — falei, me encostando no batente da porta.

— Eu só cozinho quando gosto muito de alguém. — ele respondeu, sem olhar pra mim.

Minha barriga revirou, culpa da gravidez ou da resposta dele? Ainda não sei.

— E o que exatamente você está tentando cozinhar aí? — provoquei, entrando.

— Risoto de parmesão com alho-poró. E filé ao ponto. Nada muito exótico, mas é honesto. — disse, com aquele sorriso torto que me desmonta em silêncio.

Fiquei olhando. Ele tinha tirado o paletó, dobrado as mangas, e parecia... inteiro. Confiante. Calmo. Tão diferente do Dante que eu conheci nos primeiros meses na editora. E, ao mesmo tempo, tão igual. Como se ele tivesse apenas se permitido florescer.

— Vem cá — ele chamou, me estendendo um pedaço de queijo na ponta da faca. — Experimenta.

Provei. Sorri. Não pela comida. Mas porque, pela primeira vez em dias, eu estava relaxada.

Nos sentamos à mesa logo depois. A comida estava realmente deliciosa, e ele sabia disso. Mas não comentou. Falamos pouco. Rimos de uma piada sem graça que ele contou. Brindamos com vinho sem álcool, por mim, claro, e, depois do prato principal, ele trouxe sorvete.

— Você tem sorvete? — ergui a sobrancelha, surpresa.

— Comprei ontem. De chocolate amargo com pedaços de brownie. — ele disse. — Achei que ia agradar.

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