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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 68

Nota Pública de Heitor Montenegro – Divulgada nas redes sociais e imprensa nacional

“Nos últimos meses, minha vida pessoal foi arrastada para o centro de uma tempestade midiática. Silenciei. Observei. Sofri.

Errei.

Errei como homem, como marido, como ser humano em frangalhos diante do fim de um casamento que foi, por muitos anos, meu refúgio e minha fortaleza.

Amo Isadora. Sempre amei. E talvez amar demais tenha me cegado. O ciúme, o medo, o desespero de perdê-la para outro homem… me tomaram como uma febre. Não justifico. Apenas encaro minha verdade.

Diante dos fatos, decidi assinar os documentos de divórcio e encerrar esse ciclo com a dignidade que nos resta. Faço isso por mim. Pela minha saúde mental. E por respeito ao que vivemos.

Reconheço que minhas atitudes foram impulsivas. Que agi com raiva. Mas também peço que o público, a justiça e a imprensa me enxerguem como um homem em reconstrução.

Não sou um vilão. Sou um homem em queda livre tentando encontrar o chão.

A Isadora, desejo paz.

Ao público, peço compaixão.

Aos meus erros… encaro de frente. Porque só quem cai sabe a força que precisa pra se levantar.”

— Heitor Montenegro

***

POV Isadora Ferraz

Estava no sofá, enrolada numa manta fina, o notebook no colo e a cabeça pesada demais para qualquer pensamento. Até que meu celular vibrou.

Notificação.

"Heitor Montenegro divulga nota pública sobre o divórcio."

Meus dedos congelaram. Cliquei.

As palavras se desenrolaram na tela como farpas enfiando na pele. Li cada linha com o coração aos socos. Aquela pose de coitado... aquela encenação barata… “Sou um homem em queda livre tentando encontrar o chão.” Tive vontade de rir. Mas saiu um soluço. A raiva veio devagar, queimando por dentro. Um calor que subiu pelo pescoço até queimar os olhos.

“Errei. Amei demais.” Não, Heitor. Você não errou por amar. Você destruiu por controlar. Você manipulou, gritou, me apagou aos poucos como se fosse dono da minha alma. E agora quer bancar o mártir?

Bati o notebook com força. Me levantei no mesmo segundo. Andei pelo apartamento, tentando respirar, tentando não quebrar nada. Mas dentro de mim… eu já estava quebrada demais pra fingir calma.

Peguei o celular e disquei.

— Olivia… você viu?

— Sim. — a voz dela veio carregada de nojo. — Ele é bom nisso. Em escrever cenas, em montar narrativas. Uma verdadeira novela mexicana de um homem em crise existencial.

— E as pessoas…? — engoli seco. — Estão acreditando?

— Metade o chama de corajoso. A outra metade quer cuspir na cara dele. Estamos mexendo com fogo, Isa. Mas você não está mais sozinha.

Condordei e desliguei e joguei o celular no sofá. Ele disse que me desejava paz… Mas me desejava em ruínas.

— O divórcio finalmente vai sair. — Dante entrou no apartamento com aquele sorriso que costumava me acalmar. Hoje, ele só me irritou.

Ele largou as chaves na bancada, se aproximou empolgado, tentando me beijar. Virei o rosto.

— Isa? — ele franziu a testa. — O que foi?

— Nada. — menti, andando até a janela. A vista da cidade me sufocava.

Ele veio atrás.

— O que você está sentindo?

Me virei devagar.

Fechei os olhos. Respirei fundo. A garganta trancada.

— É medo. Medo de perder tudo de novo. Medo de acreditar demais. Medo de que você desista quando tudo ficar mais difícil do que o previsto.

Ele se aproximou, os olhos agora cheios de algo que doía mais do que raiva: decepção.

— Eu não sou o Heitor, Isa. Mas você não pode me amar só pela metade.

Fiquei em silêncio. Porque não sabia o que dizer. Ou talvez soubesse… mas não tinha coragem. Ele deu um passo para trás.

— Quando você souber o que sente… me procura.

Virou as costas. A porta bateu atrás dele. E ali, sozinha, eu percebi: Eu não precisava só de amor. Eu precisava de paz. Mas talvez os dois não conseguissem habitar o mesmo lugar ao mesmo tempo.

***

Eu fechei o zíper da mochila com tanta força que quase arranquei os dentes do maldito fecho. Nem era uma mala de verdade, era a mesma mochila que usei pra fugir da casa de Heitor. Quase irônico. Ou trágico. Eu não sabia mais. Olhei em volta. O apartamento de Dante ainda cheirava a café fresco e perfume masculino. Um lar que quase foi nosso. Quase.

Peguei as poucas roupas que tinha espalhadas pelo quarto. Uma escova de cabelo no criado-mudo. Meus chinelos largados perto da cama. O livro que deixei pela metade na sala. Tudo em silêncio, como se o lugar também segurasse o fôlego.

Eu queria gritar. Queria quebrar alguma coisa. Mas me contentei em passar a mão nos olhos, secar o que ainda restava de lágrimas e me olhar no espelho. A mulher refletida ali... parecia mais velha. Mais cansada. Mas viva.

Peguei o celular.

— Estou indo para aua casa, Oli. — digitei.

A resposta veio quase instantânea: “Tô te esperando. E com bolo.”

Sorri de canto. Quase um alívio. Saí do quarto. Não deixei bilhete. Nem aviso. Que Dante imaginasse o que quisesse. Ele sabia onde me encontrar se quisesse consertar alguma coisa. Desci as escadas como quem desce de um trono que nunca foi meu. O táxi me esperava. O céu, cinza. Tudo combinava com o que eu sentia.

Entrei no carro. Porta fechada. Corte limpo.

Falei o endereço ao motorista. Ele assentiu e ligou o rádio. Eu apoiei a cabeça na janela. As ruas da cidade passavam como um borrão. Pessoas vivendo suas vidas como se meu mundo não estivesse desmoronando de novo. Dessa vez, eu não era uma vítima. Eu estava saindo antes da explosão. Antes que o amor virasse escombros de novo.

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