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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 8

POV Isadora Ferraz

O dia tinha sido longo, mas nada se comparava à exaustão de carregar o medo nos ombros. A mensagem de Heitor ecoava como um trovão silencioso na minha cabeça. Ameaça velada, palavras afiadas. Ele sabia onde eu estava. Sabia o que eu estava fazendo.

E isso era o bastante pra me fazer duvidar se eu estava mesmo livre.

Estava sentada no sofá da Olívia, ainda com a expressão paralisada, quando ela entrou pela porta com a energia caótica que só ela conseguia carregar.

— Ué, o que houve? Você está pálida. Aconteceu alguma coisa?

Eu não falei. Só estendi o celular com a tela bloqueada. Quando ela viu o nome na notificação, seus olhos afiaram.

— Heitor. O quê agora?

Desbloqueei e mostrei a mensagem. Ela leu em silêncio, os lábios se contraindo a cada palavra.

— Aquele desgraçado está te perseguindo. Ele não aceita perder. Ele não suporta te ver em pé. Acredita nisso?

Assenti com um nó na garganta.

— Eu sinto como se ele tivesse olhos por toda parte. Como se eu estivesse sob vigilância, mesmo aqui.

— Você está segura. Aqui, comigo. Ele não vai encostar um dedo em você, Isa.

Ela me puxou pra um abraço firme, e por um instante, voltei a respirar direito.

— E quer saber mais? Você vai se arrumar, colocar sua roupa mais linda, e sair comigo.

— O quê?

— Isso mesmo. Caio me chamou pra um barzinho hoje à noite. Música boa, gente legal, cerveja na medida. Você vem. Não é um convite. É um resgate.

— Olívia…

— Não quero ouvir. Ele quer te deixar com medo? A gente devolve com vida. Você não vai se esconder. Você vai sair com uma maquiagem foda e uma autoestima nova. Vai me agradecer depois.

Ela já estava fuçando meu armário improvisado quando completou:

— E detalhe: Caio vai levar um amigo. Gato, segundo ele. Editor também. Do tipo que tem voz grave e opinião forte. Vai fazer bem pra tua moral.

— Um editor?

— Uhum. Mas relaxa. É só um bar, não um date. Só vem. Anda.

No banheiro, diante do espelho, eu encarei a mulher do reflexo. Havia olheiras teimosas e uma tristeza presa nos olhos, mas também havia uma determinação bruta, como uma pedra sendo esculpida na força.

Escolhi um vestido preto, com alças finas e decote discreto, mas ousado o suficiente pra lembrar que eu ainda existia como mulher. Meus cabelos estavam soltos, como nos velhos tempos. Passei um batom vinho e rímel. O básico. O necessário.

Quando saí do quarto, Olívia assobiou.

— Agora sim. Isso aí é um tapa na cara do destino. Bora.

***

O bar tinha luzes amareladas, cheiro de comida de verdade e música que não tentava gritar mais alto que as conversas. Era um lugar com alma.

Caio nos esperava numa mesa no canto, já com uma cerveja na mão. Ele se levantou assim que nos viu e abraçou Olívia com o tipo de afeto que faz a gente acreditar que ainda existe gente boa no mundo.

— E esse mulherão? — ele disse, me olhando. — Olívia, você nem me avisou que sua amiga era uma deusa caída do céu.

— Se eu te avisasse, você teria ensaiado uma cantada pior que essa.

Nós rimos, e por um instante, o clima leve me abraçou também.

— Ah, meu amigo já chegou — Caio comentou. — Tá ali no bar pegando os drinks.

Segui o olhar dele… e parei.

Coração acelerado. Garganta seca.

Não. Não podia ser.

O homem no bar virou devagar. Camisa preta dobrada até os cotovelos. Relógio simples, cabelo bagunçado com perfeição ensaiada. E os olhos... os olhos que eu conhecia. Que me atravessavam nas reuniões. Que liam meus silêncios.

Dante.

— Oh, ali! — Caio acenou. — Harrison! Chega aí!

Harrison. O sobrenome que eu só usava no trabalho. O sobrenome que agora se aproximava com dois copos na mão.

— Olívia, Isa, esse aqui é meu irmão de alma: Dante Harrison. Editor da Vertigem.

Dante parou. Me olhou.

Eu congelei. Ele também.

— Srta. Ferraz? — disse, a voz baixa, surpresa contida.

— Sr. Harrison. — respondi, num fio de voz.

Caio riu.

— Espera. Vocês se conhecem?

— Trabalhamos juntos — respondi, ao mesmo tempo que Dante soltava:

— Ela é minha autora.

— Opa — Caio riu, achando tudo muito casual. — Olha só, o mundo é minúsculo.

Dante me entregou o copo.

— Estamos fora do escritório — disse, com aquele meio sorriso carregado de subtexto. — Então... me chama só de Dante.

Meu coração pulou.

— Tudo bem, Dante.

O barulho das garrafas, a música ao fundo, nada chegava direito até mim. Só o calor do olhar dele, tão firme que chegava a doer.

— Harrison... — Caio cutucou Dante no braço. — Me fala, cara, como foi aquele convite do seu pai para assumir a presidência lá em Milão? A gente ficou esperando sua resposta.

Dante riu de leve, mas os olhos ainda estavam cravados em mim. Um riso curto, perigoso.

— Eu recusei. — Ele falou como se fosse dizer “não quero sobremesa”. — Não trocaria minha liberdade por um trono que não me representa.

— Você podia ser dono do maior conglomerado editorial da Europa, cara! — Caio insistiu, rindo. — É o tipo de coisa que ninguém recusa.

— Dinheiro demais, ego demais... — Dante deu de ombros. — Prefiro criar algo meu. Pequeno, mas meu. A Vertigem ainda é só o começo.

Eu engoli seco. Porque agora eu entendia. Não era só um editor qualquer. Não era só “o chefe”. Ele era alguém que podia ter o mundo, mas escolheu construir um universo próprio. Um homem que dizia "não" para milhões, mas dizia "sim" para uma causa, uma paixão. E eu... eu estava no centro disso.

— Sabe o que dizem, né? — Caio continuou, gargalhando. — Um Harrison não foge do poder. Ele cria o próprio.

— Exato. — Dante me olhou de novo, dessa vez com um brilho indecifrável. — E eu nunca gostei de ser mandado. Prefiro mandar.

As palavras martelaram dentro de mim. "Prefiro mandar." Arrepio. Um frio na espinha que virou calor nas veias. Dante Harrison, filho de Daniel Harrison, que é dono da maior holding editorial da Europa, é meu editor, meu chefe… e agora, o homem que me olhava como se tivesse acabado de descobrir que o mundo inteiro pode se resumir a um par de olhos pintados de vinho e dúvida.

As conversas ao redor pareciam ecoar distante. Caio falava de política literária, Olívia ria com ele, e eu… eu só ouvia o som da minha respiração, meio acelerada, meio tremendo.

— Está tudo bem? — Dante perguntou, inclinando-se levemente.

Assenti.

— Só surpresa. Eu não fazia ideia de que você era… amigo do Caio.

— E eu não sabia que a melhor autora que já assinei contrato era amiga da mulher mais barraqueira da minha vida. — ele riu, e eu ri junto.

A tensão era palpável. Não a do tipo ruim — a outra, a que arrepia os braços e deixa a nuca quente. A que pede toque mesmo em silêncio.

— Quer sair um pouco daqui? — ele perguntou, inclinando mais o corpo. A voz baixa. A intenção alta.

Capítulo 8 – Uma saída e um reencontro inesperado 1

Capítulo 8 – Uma saída e um reencontro inesperado 2

Capítulo 8 – Uma saída e um reencontro inesperado 3

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