Entrar Via

7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 9

POV Isadora Ferraz

O Uber parecia não andar.

A cidade estava parada, mas o meu peito era o contrário: uma explosão constante, martelando contra as costelas. Segurei o celular com força, como se isso fosse suficiente pra manter as mãos firmes. Não era.

Ele viu.

Dante viu tudo.

A foto.

A mensagem.

A verdade.

E agora... talvez ele nunca mais me olhe da mesma forma.

***

Quando cheguei no apartamento da Olívia, ela ainda não tinha voltado. O silêncio me engoliu. Entrei, larguei a bolsa, tranquei a porta, fechei todas as janelas. Chequei duas vezes se a cortina estava mesmo cobrindo tudo.

Sentei no chão, de costas pra porta, como se pudesse afastar o mundo com as costas.

"Vadias não escapam tão fácil."

As palavras de Heitor giravam como navalhas na minha mente. A foto. O tom de ameaça. A certeza de que ele mandou alguém me seguir. De que ele sabe onde estou, com quem estou, e o que faço.

Eu deveria chorar.

Mas nem isso vinha.

Só um silêncio quente. E um nó na garganta que não descia.

***

Alguém bateu na porta.

Não buzina. Não campainha.

Batidas secas. Rápidas. Intensas.

Eu congelei.

Levantei devagar, sem fazer barulho. Me aproximei da porta com o celular na mão, já digitando uma mensagem pra Olívia.

Mas então ouvi a voz.

— Isadora. Abre a porta. Sou eu.

Dante.

Meu coração disparou.

— Isa, por favor. Eu só quero conversar.

Destranquei.

Devagar.

Ele estava ali.

Respiração acelerada. Os olhos selvagens. O cabelo bagunçado como se tivesse passado as mãos neles mil vezes a caminho daqui.

— Como você soube onde eu moro?

— Eu perguntei a Olívia. Ela me passou. Disse que era urgente.

— Ela não deveria ter...

— Isa, você está com medo. Você saiu daquele bar pálida, tremendo, sozinha. Você queria que eu ficasse lá fingindo que tava tudo bem?

— Eu não queria que você visse aquilo.

— Tarde demais.

Ele entrou devagar, fechou a porta atrás de si.

— Você mentiu pra mim.

A frase veio fria, como uma bofetada que eu merecia.

— Eu omiti.

— Omite-se quando não se sabe. Você sabia. Desde o início.

— Eu tive medo, Dante.

— Medo de mim?

— Não. Medo de que, se eu contasse, você me visse como outra mulher quebrada demais pra ser tocada.

O silêncio caiu entre nós como um raio.

Ele se aproximou.

— Eu não sou seu salvador, Isadora. Não quero ser. Mas você tá brincando de sobreviver sozinha enquanto tem alguém querendo te destruir.

— Eu sei.

— E mesmo assim, você ia aguentar tudo calada?

— Eu não queria misturar isso com o trabalho. Com a chance de recomeçar. Eu tô tentando andar em linha reta com um terremoto atrás de mim.

Dante respirou fundo.

— Ele tá te perseguindo. Isso ultrapassa qualquer linha.

Assenti.

— E ele vai fazer pior, Dante. Ele me odeia por ter saído. Por ter desafiado. Ele disse que vai arruinar minha carreira. Disse que ainda carrego o nome dele.

— Mas você não carrega mais.

— Ainda carrego, legalmente.

— E emocionalmente?

Eu o encarei. Pela primeira vez, firme.

— Não. Emocionalmente, eu me libertei naquela noite em que ele me chamou de útero falido. Emocionalmente, eu o enterrei. Mas o corpo dele ainda anda por aí, e a mão dele ainda aperta a minha vida.

Dante se aproximou mais. Estava perto o suficiente pra eu sentir o cheiro da noite.

— Você vai fazer o que precisa?

— Vou.

Capítulo 9 – Entre o silêncio e o socorro 1

Capítulo 9 – Entre o silêncio e o socorro 2

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: 7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!”