POV Enzo
Eu realmente tinha que ter viajado para Noriah Norte. Mas consegui protelar um pouco mais a obrigação. Ficar longe de Davi e Maria Fernanda por um dia inteiro era impossível. E cada vez mais eu me convencia de que deixar a presidência da empresa era o melhor a fazer.
E a viagem que deveria me fazer voltar à noite ou no dia seguinte não só sequer saiu do papel, mas também reduziu meu tempo na H&A naquele dia.
Cheguei a tempo de pegar Davi na escola e levá-lo para a natação.
— Papai, papai... você veio me buscar! — Davi correu na minha direção e o ergui para o alto, como ele adorava.
Depois recebi um abraço apertado, daqueles que me fazia querer que o mundo parasse para que ele não crescesse e pudesse caber sempre nos meus braços, protegido, meu.
— Hoje vou te levar até a aula de natação. — expliquei.
— E a Maria?
— Ela estará em casa, esperando por você quando chegar.
Levei-o para o carro no colo. Quando o botei no banco de trás e ajustei o cinto, Davi perguntou:
— Ela vai me buscar na próxima semana, não é mesmo?
— Não gostou que eu vim? — perguntei, enquanto ligava o carro e me movimentava em direção ao próximo destino. — Resolvi fazer isso porque quero ficar ainda mais tempo com você.
— Eu gostei que você veio, papai. Fiquei muito, muito feliz. Só que eu não gosto de ficar longe da Maria. Na verdade, eu queria ficar com ela para sempre, o dia e a noite... e também nos domingos.
Ah, filho, eu também queria muito isso!
— Prometo que em breve isso irá acontecer. E Maria ficará conosco... ainda mais tempo.
— E poderemos ir com ela aos domingos ver o tio Will e o vovô Elói?
— “Tio” e “vovô”? De onde você tirou isso, Davi? — perguntei, olhando-o pelo espelho retrovisor.
— Eles disseram que se eu quisesse, poderia chamá-los assim.
— Mas não acho que isso seja... prudente.
— Concordo, papai — ele tentou piscar um olho — hoje eu perguntei para a professora como devo chamar o pai e o irmão da minha futura esposa. E ela disse que devo chamar de cunhado e sogro.
Estreitei os olhos, surpreso:
— Falou isso com a sua professora?
— Sim, falei. Porque isso me preocupa muito.
— O que o preocupa?
— Tudo... tudo que tem a ver com a Maria. Tenho medo de ela não me esperar e ficar com outro homem.
Engoli em seco. Aquele rival era bem difícil de manter longe. E não passava pela minha cabeça fazer qualquer coisa contra ele. Eu sempre fui muito ciumento com tudo na vida. E dizer que não senti um leve ciúme de ouvir Davi falando aquilo seria mentir para mim mesmo. Mas o sentimento de impotência foi maior. Eu queria poder evitar a decepção dele.
— Você entende que a Maria é bem mais velha do que você, não é mesmo?
— Eu já fiz os cálculos. Foi como uma historinha matemática. Usei desenhos de maçãs.
— Desenhos de maçãs?
— Fiz vinte e três maçãs e risquei sete. Sobraram dezesseis maçãs.
Espera aí... meu filho estava fazendo cálculos usando maçãs? E queria dessa forma saber a quantidade de anos que o separava de Maçãzinha?
Maria Fernanda sonhava em ser a Branca de Neve. Duvido que passou pela sua cabeça que seria a madrasta.
— Deveria ter riscado seis. Essa é a sua idade. Aliás, faz pouco tempo que você completou seis anos.
— Prefiro fazer de conta que já tenho sete. Isso me dá um ano de vantagem. — sorriu, de forma travessa.
— São... muitas maçãs de diferença. — o olhei brevemente. — Não acha dezesseis maçãs demais?
— Não acho não. É o mesmo número de maçãs que você tem de diferença dela.
— Oi. — falei num tom de voz baixo para não assustá-la.
Ela virou-se na minha direção e sorriu. Se Maçãzinha soubesse o quanto seu sorriso me aliviava. Não só o corpo, mas também a alma.
— Eu...
Não consegui concluir. Davi passou por mim, quase me derrubando e correu na direção dela. Os dois se abraçaram. E fiquei ali, observando, como se fosse a cena mais linda do mundo. Aliás, era a cena mais linda do mundo.
O que eu poderia querer mais do que meu filho ser apaixonado pela madrasta? Ah, sim, eu poderia querer que ele não desejasse casar-se com ela no futuro.
Davi contava seu dia a Maria Fernanda, mas os olhos dela estavam em mim... me queimando, me massacrando.
Me aproximei e fiz menção de abraçá-la, mas me contive.
— Davi, iremos jantar e depois Maria o botará na cama. — determinei.
Meu filho me encarou:
— Mas... é cedo, papai.
— Precisa cumprir horário. Tem aula amanhã.
— Mas o meu horário de dormir é...
— O horário mudou. Vai dormir uma hora mais cedo.
— Não! — cruzou os braços — não vou dormir mais cedo.
— Vai dormir mais cedo e pronto.
— Você não pode me obrigar a dormir.
— Mas posso te obrigar a deitar e fechar os olhos.
— Enzo! — Maçãzinha exclamou, com os olhos arregalados.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO
Porque não desbloqueiam mais capítulos?...
Excelente leitura...