Davi arregalou os olhinhos, curioso. Acho que aquela era a melhor forma de contar:
— Branca de neve... bem, ela tinha os cabelos claros e compridos e depois, por algum motivo, os cortou e pintou de preto.
— Acho que ela quis se diferenciar da rainha má. — Davi sorriu.
Caralho, de onde ele tinha tirado tanta inteligência? Porque eu sempre me julguei inteligente, mas quando criança era um bobo inocente. Amanza? Se ela fosse tão inteligente, não estaria presa.
— Quem seria a rainha má, Davi? — perguntei.
— Shirley. — tentou piscar um olhinho.
— O que ela fez para você que a torna má? — fiquei preocupado, embora sempre estivesse atento aos momentos que ela estava com Davi e sabendo que haviam câmeras por toda a casa, embora no momento em que eu mais precisei delas foram desligadas ou, milagrosamente, entraram em pane.
— Ela não é legal com a Maria. E por isso ela é má.
— E com você? Ela é legal? Creio que se não fosse, você não teria pedido que ela fosse a sua babá em vez de Maria.
— Ela não ri. E não brinca.
— Isso a torna má?
— Não. Mas ela é má com Maria.
Respirei fundo, confuso. Eu já sabia daquilo. E há poucos minutos, quando Shirley tentou ferir Maçãzinha falando da morte de sua mãe, ficou ainda mais claro.
Mandar Shirley para o outro lado do mundo? Talvez o certo a fazer. Mas o próprio Aayush havia dito que ela não mentira. Então, não fazia muito sentido desconfiar dela, embora houvesse a rivalidade com Maçãzinha.
A babá anzol queria se tornar mais do que babá naquela casa. Já havia confirmado que o tiro saiu pela culatra. Mantê-la ali seguia sendo a melhor forma de entender o motivo pelo qual tinha aquela tatuagem, algo que ainda me incomodava e deixava em alerta.
— Prometo que não vou mais deixá-la ser má com a Maria. — falei.
— Quando eu me casar com a Maria, sempre vou acreditar nela.
— Esposas as vezes mentem.
— Ela não.
Suspirei. Era melhor ir logo ao ponto antes que Davi não entendesse de fato sobre o que era aquela conversa.
— Voltando à nossa história da Branca de Neve... tinha um... vamos chamar de príncipe.
— Eu?
— Não, na verdade você é um anão.
— Não! Eu quero ser o príncipe. — cruzou os braços e fez cara feia.
— Então você é um príncipe anão.
— Não quero ser um príncipe anão. Eu quero ser um príncipe grande.
— Você pode ser um príncipe grande. Mas eu vou ser maior que você.
Ele estreitou os olhos, parecendo confuso. Ok, até eu fiquei confuso com a necessidade de deixar claro que Branca de Neve era o meu par.
— E quem a Branca de Neve vai escolher? — ele quis saber.
O príncipe maior, óbvio. Mas eu não podia ser tão direto.
— Não é sobre escolhas, Davi. Até porque, acho que a nossa Branca de Neve não deixaria ninguém de fora.
— E o que mais acontece nessa história?
Eu não sabia porra nenhuma de contos de fada. E acho que a história que assistir resumida no Youtube tinha menos de três minutos, o suficiente para eu me inteirar que tinha uma bruxa má, uma maçã envenenada e um príncipe que salvava a donzela.
— Tudo bem. Você não precisa ser meu amigo. Ainda assim nada muda o fato de que sou seu pai.
— Você me odeia e por isso tirou a Maria de mim?
— Pelo contrário, eu te amo tanto que botei ela definitivamente na sua vida.
— Eu não quero um irmãozinho.
— Sinto muito, mas não é sobre querer. Ele já existe. E está na barriga de Maria.
— Pode ser uma irmãzinha? — enrugou a testa, pensativo.
— Talvez seja. Ainda não temos certeza se é menino ou menina.
Me flagrei pensando se ela não tivesse perdido um dos bebês se teríamos um casal, ou gêmeos idênticos.
— Quero que seja menina! — foi enfático.
— Por quê?
— Porque eu não quero dividir a Maria com mais um homem.
Nesse ponto ele tinha razão. Também achei muito homens para uma mulher só. E todos a queríamos com a mesma intensidade. E talvez Maçãzinha não tivesse um bom psicológico para se dividir entre três Ashetons. Dois já eram possessivos e ciumentos o suficiente.
Davi entendeu que Maria Fernanda e eu estávamos casados e que teria um irmãozinho. Se aceitou? Bem, isso já era outra história.
O fiz dormir e quando voltei para o meu quarto encontrei Maria Fernanda no chão, dormindo sobre um lençol.
Respirei fundo. Eu teria que ter muita paciência, porque Maçãzinha faria de tudo para me irritar.
Retirei-a dali, pegando-a no colo e a pus na cama. Alisei seu rosto e me perguntei porque tinha que ser assim. Por que, mesmo com aquele semblante tão descansado, tranquilo e doce, ela poderia ser tão letal?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO
Porque não desbloqueiam mais capítulos?...
Excelente leitura...