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A babá é a mais nova obsessão do CEO romance Capítulo 149

Quando me levantei, o sol ainda nem tinha nascido. Maria estava deitada do mesmo jeito ao meu lado na cama do mesmo jeito que a coloquei. Só dava para perceber que estava viva porque o peito se movia com a respiração calma. O sono estava pesado. Imaginei que fosse por conta do cansaço do hospital e tudo que ela passou nos últimos dias.

O celular de Maria Fernanda estava sob a poltrona, ao lado da varanda. Tentei desbloquear, mas pedia senha. Digitei o óbvio: MICHAEL. Senha errada. Mais uma opção de três: Will. Senha errada. Última e eu estava pouco me importando se bloquearia ou não. Digitei Davi. E a tela bloqueou de vez.

Maçãzinha não precisava de um celular, porque através desse meio certamente ela entraria em contato com o garoto zumbi. Peguei o aparelho e botei no meu bolso.

Enquanto ia para o meu escritório, encontrei Pietra.

— Senhor Enzo! — abaixou levemente a cabeça em tom de cumprimento — Acordou cedo hoje.

— Sim, tenho algumas questões a resolver. Leve o café no meu escritório. E assim que a minha esposa acordar, prepare o que ela quiser comer. Leve em conta a lista de alimentos que a nutricionista indicou.

— Pode deixar, senhor Enzo.

Fui para o escritório. Realmente eu tinha algumas coisas para resolver. A questão é que não eram tão importantes. O que eu tinha de mais urgente era deixar imediatamente a cama onde Maçãzinha dormia ao meu lado, ou jogaria por terra tudo que planejei.

Ouvi uma batida na porta e Pietra entrou com uma bandeja trazendo o meu café, do jeito que eu gostava. Ajeitou tudo num canto da minha mesa de trabalho e disse, retirando algo do bolso:

— Senhor, eu encontrei essa caixinha nos pertences da senhora Asheton quando fui peguei as roupas dela para levar para o seu quarto.

Peguei a caixa e fiquei olhando imóvel para o nome: ZOLPIDEM. Meu coração acelerou, o estômago contraiu-se e eu tive vontade de vomitar.

Depois de um tempo, que pareceu uma eternidade, olhei para Pietra:

— Onde você achou isso? Por que só me trouxe agora?

— Estava dentro da mochila dela, num bolso interno. Eu só lhe trouxe porque sei que ela está grávida e temi que esteja tomando algum analgésico e isso pode fazer mal ao bebê. Gestantes precisam ter muito cuidado com esse tipo de coisa.

Retirei da embalagem o blister e verifiquei que das 20 drágeas, 4 haviam sido usadas. Era uma versão de Zolpidem liberação prolongada e na dosagem menor, de 6,25 mg.

Amassei o blister com força até sentir a embalagem machucar minha pele. Encarei Pietra e perguntei:

— Por que você mexeu nas coisas de Maria Fernanda?

Ela arregalou os olhos:

— O senhor pediu que eu levasse tudo para o seu quarto.

— Suma da minha frente, Pietra. Agora. — gritei.

Pietra saiu imediatamente. Apertei tanto o blister que as drágeas se quebraram e esfarelaram. Meu mundo caiu por terra. E toda a crença que, do fundo do meu coração, eu desejei que não tivesse sido ela a culpada.

Maçãzinha era culpada.

Ouvi uma batida única na porta e Aayush entrou. Me encarou por um breve momento e enrugou a testa:

— O senhor... já está acordado?

— Por que a surpresa?

— Geralmente... o senhor não acorda tão cedo. E imaginei que... bem, com a sua esposa e...

— Você não é pago para imaginar. Aliás, eu nem sei por qual motivo você é pago, Aayush. — levantei e fui até ele, parando na sua frente — Por que mesmo eu te pago?

Aayush não disse nada. Abriu a boca e pareceu desistir.

Levantei o Zolpidem deteriorado e joguei no peito dele:

Levantei os olhos e encarei Aayush:

— O que você quer dizer com isso?

— Parece que nos últimos tempos tudo conspira contra a senhora Maria Fernanda nessa casa. Inclusive... eu. — Abaixou a cabeça.

— O que você está querendo dizer com isso?

Aayush posicionou-se ereto e disse, de forma altiva, mas neutra:

— Senhor Enzo, sei que confiança quebrada é algo que não se recupera. Mas lhe peço, encarecidamente, que me deixe resolver essa questão de quem está dopando o senhor e seu filho e por qual motivo.

— Acho que já sabemos, Aayush. O que mais você quer de provas?

— Não faz sentido. Nada faz sentido. A senhora Maria Fernanda ama o Davi e não consigo imaginá-la fazendo nenhum mal a ele.

— Eu também achava isso. E no meu íntimo, torci para que estivesse enganado. Até que recebi isso hoje pela manhã.

— E qual a sua teoria, afinal, senhor Enzo?

— A teoria é óbvia e simples: Maria Fernanda me dopou naquela noite na boate, engravidou de propósito. Se sabia que eu tinha um filho ou não, não tenho certeza. Mas quando se certificou de que Davi existia, decidiu tirá-lo do jogo, para que o filho que carrega seja o único herdeiro.

— Posso dar minha opinião?

— Não. Eu não quero a sua opinião.

— Darei mesmo assim. Em primeiro lugar, a senhora Maria Fernanda parou na sua casa porque nós fomos atrás dela, lembra? Fizemos todo um plano, criando um emprego que nem existia, só para fazê-la aparecer. Em segundo lugar, se ela quisesse realmente enganá-lo, já teria contado sobre a gravidez há muito tempo e não escondido. E em terceiro e mais importante: por que Pietra estava revistando os bolsos internos da mochila da senhora Maria Fernanda se não para encontrar algo comprometedor?

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