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A babá é a mais nova obsessão do CEO romance Capítulo 166

POV MARIA FERNANDA

Me senti mais disposta naquela manhã. Embora Enzo não tivesse me levado para o nosso quarto durante a madrugada, tentei botar na minha cabeça que ele só tinha esquecido.

Vê-lo no escritório com Shirley e depois a porta se fechando com os dois dentro do escritório foi doloroso. Mas eu sabia que Enzo era desconfiado com relação à babá, então preferi acreditar que tratavam de algum assunto profissional.

Aliás, tinha alguém de quem Enzo não desconfiava? Ah, sim! Davi. Mas certamente quando meu menininho crescesse, ele também desconfiaria do filho.

Assim que entrei no nosso quarto, percebi que a cama estava desfeita. Por que Pietra não havia feito a cama? Eu detestava comer na cama bagunçada. De bagunçada bastava a minha vida e a porra do meu coração.

Quando empurrei o edredom para o lado, a fim de me ajeitar numa melhor posição para assistir televisão, deparei-me com uma calcinha fio dental. E minha respiração parou por alguns segundos.

Engoli em seco e pus o objeto cortante no bolso do vestido. Objeto cortante porque cortou o meu coração. Vestido porque nada mais servia em mim. Calças pareciam me comprimir até a alma. E nunca na vida me pareceram tão desconfortáveis.

Ouvi uma leve batida na porta e Pietra entrou:

— Seu café, senhora Asheton.

Pietra estava mais gentil comigo. E procurei entender que nem todo mundo era simpático. Meu pai não era simpático com pessoas que não tinha laços. Michael não era muito simpático. Will era simpático demais. Enfim... eu precisava aceitar o jeito das pessoas.

Suspirei quando vi a maldita maçã com a casca vermelha, o suco, o chá de erva doce e as torradas integrais cobertas de geleia natural.

Agora que eu era praticamente rica, embora não soubesse por quanto tempo, assim que o bebê nascesse comeria pratos gigantes de batatas fritas com Ketchup e maionese. E que não inventassem de não fritar no óleo.

Só de pensar em comida meu estômago roncou. E por um breve momento esqueci da arma cortante que eu carregava no bolso.

Enzo me traiu na nossa própria cama, com Shirley.

— Obrigada, Pietra.

Enquanto Pietra ajustava as cortinas e abria as janelas, ouvi outra batida na porta. Me muni da xícara de chá quente, levantando-a em direção à porta. Eu jogaria na cabeça de Enzo. O queimaria e quebraria sua cabeça que vivia em curto circuito.

Mas não era ele, infelizmente. Sorri e fingi apreciar o chá sem açúcar e de gosto horroroso.

— Como está a minha paciente preferida? — perguntou a médica do dia.

— Cansada e sonolenta. Só tenho vontade de dormir.

Ela riu:

— Tudo normal da gravidez. E conforme a barriga for crescendo, você pode se cansar ainda mais. Poderá sentir também dor nas costas, azia, um pouco de falta de ar e inchaço nos pés e mãos.

— O inchaço já começou. — mostrei minhas mãos.

— Além do sono e fadiga, você pode sentir vontade mais frequente de urinar, além de contrações de treinamento.

— Contrações de treinamento? — fiquei pasma — o corpo já começa as contrações do parto?

— Mais ou menos isso. — ela sorriu.

— E as bolhas no estômago. Normal?

— Bolhas no estômago? — ela meneou a cabeça e riu — Essa sensação pode ser o bebê começando a mexer.

Alisei minha barriga, que agora já dava sinais reais de que tinha um ser humano se formando ali dentro.

Meu bebê começava a tentar contato.

— Acho que quando ele se mexer de verdade, não usando bolhas para se comunicar, eu vou entender que é real. — opinei.

— Você deve manter a dieta da nutricionista. Sei que detesta frutas e verduras, mas é crucial que coma todos os dias.

— Eu como. Pelo bebê, não por mim.

— Boa garota. — ela pegou a minha mão de forma carinhosa — te vejo sempre no quarto. Precisa sair e pegar sol. Banhos de sol moderados durante a gravidez são benéficos, principalmente por estimular a produção de vitamina D, essencial para a formação óssea do bebê. A luz solar também fortalece o seu sistema imunológico e pode inclusive melhorar seu humor.

— Só de pensar em carregar meu corpo por aí já fico cansada. — suspirei, fazendo uma careta.

— Claro que não. Eu tomo todos os dias... no mesmo... horário. — por um breve momento fiquei incerta ser realmente tinha levado para o outro quarto.

— Não deve ser tão difícil lembrar, senhora Asheton, já que toma sempre no mesmo dia e hora. — Pietra arqueou uma sobrancelha.

Mordi o lábio, envergonhada. Eu achei que tomava todos os dias de manhã. Mas talvez minha mente estivesse me pregando peças. Tudo culpa do Enzo.

— Eu... não lembro onde coloquei. — dei de ombros — providencie outro frasco, por favor.

— Claro.

Pietra pegou alguns itens que Enzo tinha jogado na poltrona e disse:

— Encontrei seu ácido fólico — ergueu o frasco na minha direção.

— Onde?

Eu não lembrava de tê-lo tirado do lugar de sempre. Tampouco onde coloquei.

— No parapeito da janela. — riu.

Suspirei:

— Eu queria a Maria Fernanda antiga de volta. Estou acabada. Cansada, com sono o tempo todo, gorda e... esquecida.

— Tudo sintoma da gravidez.

Pietra entregou-me o frasco e ingeri o ácido fólico e depois me dediquei a comer a porra da maçã. Dei uma mordida e ergui:

— Sabia que eu tenho uma maçã tatuada na bunda, Pietra?

Ela foi em direção a porta, com a sobrancelha arqueada:

— Que bom que gosta de maçãs, senhora Asheton. Agora trate de alimentar esse pequeno herdeiro. — sorriu e saiu.

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