POZ ENZO
Eu preferi pensar que era uma ilusão de ótica. Porque Maçãzinha, em estado perfeito de lucidez, jamais ficaria nua na sacada da minha casa, deixando que todos a vissem como veio ao mundo.
Corri e ao abrir a porta, ela rebateu e senti o estrondo na minha testa. Fiquei um pouco tonto e cambaleei até a escada. Minha pressa era tanta que minhas pernas falharam e rolei três degraus abaixo. Caí de mal jeito, por cima do pé e senti uma dor aguda no tornozelo.
Puta que pariu! Arrastei meu corpo até o quarto, imaginando que, à essas alturas, Maçãzinha já estava se masturbando para o jardineiro.
Quando abri a porta do quarto, ela seguia na sacada, completamente nua, olhando para o nada. Abri a boca para falar, mas minha respiração estava tão acelerada e eu cansado a ponto de não conseguir emitir palavras.
Senti o suor escorrer pelas minhas têmporas. Maçãzinha virou-se na minha direção:
— Onde você estava, marido?
— Ponha a porra da sua roupa. Agora! — era para sair um grito, mas não deu certo.
Imaginei que meu tornozelo havia quebrado, pois doía demais.
Maria Fernanda me olhou por um tempo, suspirou e sorriu:
— Ok, vou botar a minha roupa. Isso porque sou uma esposa muito obediente.
Maçãzinha pegou o vestido do chão e procurou algo no bolso, de onde retirou uma calcinha. Era a porra da calcinha de Shirley, que eu tinha deixado propositalmente na cama aquela manhã.
— Não vista essa porra! — gritei.
— Por que não? — ela fez beicinho, provocante — eu achei que você gostava de calcinhas assim, seu filho da puta.
— Maçãzinha, não! — implorei enquanto ela deslizava a calcinha lentamente pelas pernas.
— Traidor, infiel, nojento, doente! — ela disse, num tom de voz calmo.
Me aproximei dela, sentindo meu tornozelo implorar por atenção:
— Se você quer fazer uma competição de quem trair mais, eu irei vencer, Enzo Asheton.
— Maçãzinha... — parei porque eu nem sabia o que dizer.
Só de pensar nela com outro homem eu já tinha taquicardia, princípio de infarto, dor de cabeça... e no tornozelo.
— Vou foder com todos os homens que trabalham nessa casa... começando por Aayush.
— Aayush? — meneei a cabeça, atordoado — Você está tendo um caso com Aayush? Está apaixonada por ele?
— Calma, querido! — ela sorriu, falando lentamente — Aayush será o primeiro porque ele é o mais bonito. Ouvi dizer que indianos são bons de cama. Depois eu vou dar para o seu jardineiro...
— Ok, eu falo a verdade — respirei fundo — eu comprei a calcinha da Shirley.
— Você o que?
— Eu comprei a calcinha dela... para te fazer ciúme.
Maçãzinha retirou a calcinha que já chegava na altura dos joelhos e jogou na minha direção. Dei um passo rápido para o lado, evitando que aquela coisa me atingisse.
— Eu não acredito que você fez isso!
— Eu só queria saber... se você ainda sentia algo por mim. — fui sincero.
— E eu sinto. Raiva e pena.
— Pena?
— Por você ser sequelado. E achar que eu ainda gosto de você.
Sorri:
— “Ainda”? Se você usou o “ainda” é porque um dia gostou.
— Não.
— Mas eu gosto de você. E por isso comprei a calcinha dela.
— Jura que essa é a sua forma de demonstrar que gosta de mim?
— Desculpa se meu jeito de dizer que gosto de você não lhe agrada.
— Por que não a calcinha de Pietra? Por que tinha que ser a da Shirley?
— Acho que não seria nada sexy você encontrar uma calcinha da Pietra na cama.
— Poderia ter comprado uma nova, seu idiota. Agora eu toquei nessa coisa contaminada. Posso ter sido envenenada, já que Shirley é uma cobra peçonhenta.
Sentei na cama. Meu tornozelo doía para caralho.
— Por favor... ponha a roupa. — pedi.
— Implore.
— Eu imploro.
Pus a mão na sua testa, mas não estava febril. Ajustei a temperatura do ambiente para 25 graus.
Maria Fernanda estava sentada com as pernas dobradas, descansando o queixo sobre os joelhos.
Esperei que a banheira enchesse completamente e retirei minha própria roupa, entrando para ficar junto dela. A porra do meu tornozelo doía, parecendo que não pararia até que eu tomasse um analgésico. Mas Maçãzinha precisava mais de mim do que o meu tornozelo.
— Não... — ela me olhou — não quero que me toque.
— Vou tocar, mas prometo que não da forma como você está pensando.
— Não...
— Vou te fazer uma massagem e lavar os seus cabelos, ok? Juro que não passará disso. Você está muito tensa.
Ela mordeu o lábio e ficou me olhando por um tempo. Depois disse:
— Eu não confio em você.
— Eu já não me importo. Você pode me dopar, pode tentar me matar... ainda assim eu vou te perdoar, mil vezes se for necessário. Porque você é muito importante para mim. E... não vivo sem você.
Eu disse mesmo tudo aquilo? Não, eu não devo ter dito. Certamente era coisa da minha cabeça.
Maria Fernanda abaixou a cabeça e disse, num tom de voz baixo:
— Eu jamais faria algum mal a você.
Ela já tinha dito aquilo várias vezes. E eu sempre estava tão nervoso e desconfiado que nunca parei para ouvi-la de fato. Escorreguei e fui para trás dela, trazendo-a para junto de mim.
A abracei e beijei seus ombros. Ela não esboçou nenhuma reação. E eu nem queria que ela esboçasse. Eu só queria... que Maçãzinha ficasse bem e parasse de chorar. E foda-se que todo mundo a viu pelada. Eu mandaria arrancar os olhos de cada um que atreveu a olhar para ela.
Quando percebi que ela relaxou, comecei a massagear seus ombros. Eu não sabia porra nenhuma sobre massagem. Mas as poucas vezes que vi, parecia ser daquela forma.
— Se sente melhor? — perguntei, afastando seus cabelos e beijando a sua nuca.
— O bebê... parece estar sugando todas as minhas energias.
A apertei com força contra mim:
— Vamos ver com a médica se está tudo bem.
Ela não disse nada.
— E se eu te der um cortador de grama — sussurrei em seu ouvido — Você ficaria mais feliz?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO
Porque não desbloqueiam mais capítulos?...
Excelente leitura...