— A história dos meus pais nunca foi um conto de fadas. Minha mãe renunciou à herança para ficar com ele. E ele escolheu a si mesmo, não a família. Hoje acho que foi só um negócio que os uniu. Eles brigavam muito, sempre pelas traições do meu pai. Ele provavelmente tinha outra família, a do meu irmão bastardo. Nós temos a mesma idade, então o caso era antigo. Ele mantinha duas famílias, mas a minha era a que ele menos se importava.
— Como você se sente com relação a isso?
— Eu... — bem, eu não tinha certeza de como Enzo reagia frente a isso — Eu... tenho tentado criar laços.
— E a família da sua mãe?
— É a escória da sociedade.
A psiquiatra arqueou uma sobrancelha:
— Como assim?
— Eram piores que a família do meu pai.
— Você tem contato com a família da sua mãe?
— Na verdade não. Metade morreu e a outra metade está presa.
A doutora pigarreou.
— Sim, doutora, sei que é bem estranho. E ainda assim, quando eu digo que são mafiosos, ninguém acredita.
— Como você lidou com tudo isso durante a sua infância, adolescência e fase adulta?
— Virei paranoica e bipolar.
— Diagnosticada?
— Não. Eu vim aqui para a senhora me diagnosticar.
— Não se pode fazer isso em um único atendimento.
— Mas eu lhe contei coisa pra caralho. Então não saio daqui sem uma resposta. Não tem como eu não ser lesada, entende? Eu só quero saber se tem cura.
— Bem...
— Antes de me dar o diagnóstico, faltou uma coisa.
— Ainda tem mais? — ela franziu a testa e arregalou os olhos.
— Sim. Minha mãe tentou matar... o meu irmãozinho.
— Meu Deus! E o que aconteceu com ela? Pagou pelo crime? Foi presa? Internada numa clínica psiquiátrica?
— Não foi presa... porque... já estava morta.
— Eu acho que você precisa... de duas terapias na semana. E se não estivesse grávida, eu iniciaria imediatamente com o uso de medicamentos.
Sorri:
— Graças a Deus. Eu tenho cura para a minha bipolaridade.
— Por que você acha que sofre de bipolaridade, senhora Asheton?
— Simples: num dia eu sou um anjo, no outro um demônio. Um dia eu trato o meu marido feito um príncipe e no outro acho que ele conspira contra mim.
— Atualmente o transtorno bipolar é definido como uma condição de saúde mental crônica, complexa e de base neurobiológica, causada principalmente por oscilações extremas e patológicas do humor. Mas não é só isso.
— Não?
— Essas variações vão além das mudanças de humor normais, alternando entre episódios de mania e hipomania, euforia ou irritabilidade extrema e depressão profunda.
— Creio que não seja uma depressão profunda. Mas mudanças de humor e euforia e irritabilidade fazem parte do meu cotidiano.
— A mania ou hipomania é um período de energia muito elevada, euforia exagerada, grandiosidade, autoestima inflada, pensamento acelerado, fala rápida e redução da necessidade de sono. A hipomania é uma forma mais leve, sem sintomas psicóticos.
— Psicóticos? — fiquei apavorada — isso é genético?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO
Porque não desbloqueiam mais capítulos?...
Excelente leitura...