— Eu nunca estive não nervosa na vida. — confessei a Will.
— É só o seu aniversário, bebê.
— Não é só o meu aniversário, Will. Enzo vem na minha casa. Enzo participará do meu aniversário. Enzo trará o Davi numa comemoração no subúrbio.
— E Enzo se envolve com funcionárias.
Respirei fundo:
— O balde que você me jogou não foi de água fria. Foi de água quase congelada, cheia de gelo.
— Sinceramente, eu acho que ele gosta de você. Por que alguém como ele viria à nossa casa... só por causa do aniversário da... babá do filho dele?
— Eu não sou só a babá — me defendi — a gente se pega, esqueceu?
— Isso a torna... a namorada?
Sentei na cama, atordoada:
— Eu preciso decidir se vou contar ou não sobre o bebê. E quanto mais perto chega da decisão, mais medo e insegurança eu tenho. Quando ele me olha daquele jeito... doce... eu tenho vontade de agarrar-me ao seu pescoço e contar que carrego um bebezinho, um pedacinho dele dentro de mim. Daí quando ele se enfurece e me diz coisas que me magoam, tenho vontade de pegar as minhas coisas e sumir da vida dele, para sempre.
Will me pegou pelas mãos e me obrigou a levantar, enquanto passava pó no meu rosto.
— É preciso isso? — perguntei.
— Você tem que estar linda para Enzo Asheton, o meu cunhado rico e esquisito.
Revirei os olhos.
— Se você se casar com Enzo, acha que ele nos dará uma casa legal? Será que ele me dará um carro para que eu possa visitá-la? Podemos beber drinques na piscina? Ele se abana com dinheiro?
Eu ri. Will falava as coisas mais impossíveis do mundo.
— Chega de falar de mim. Agora vamos para você. E seu peguete? — perguntei. — Pelo visto não é nada sério, já que ele não está por aqui.
— Peguete Pepsi.
— O que quer dizer isso?
— Tinha problemas com a coca.
— Que triste.
— É... não está fácil para ninguém, bebê. Agarre seu bilionário gatérrimo com as duas mãos.
— Will, sobre o agiota...
— Ele vai esquecer, Fê. Eu tenho certeza. Ele também já me ligou algumas vezes e depois nunca mais deu sinal de vida.
— E ele te disse que se você não pagasse cobraria por hora?
— Não exatamente assim. Mas é de praxe, não se preocupe. E não corre o risco de você não pagar, não é mesmo? Afinal, está passando de pobre premium para rica premium. Você ganhou um upgrade da vida, Fê.
Pensando melhor:
— Adoro as suas surpresas. — sorri.
Vai que a atitude dele agora me levasse inconscientemente para uma igreja, com Enzo me esperando com um anel lindo e um “eu te amo, Maçãzinha”.
— O meu presente vem depois do almoço — Letícia sorriu, mostrando a caixa.
Ela me abraçou. E eu não consegui corresponder. Ainda tinha na minha mente as ameaças que ela fez quando descobri sua traição no estacionamento da farmácia.
Ficamos conversando um pouco e eu fingindo que estava prestando atenção. Meus olhos não desviavam do relógio.
Até que a campainha tocou. E meu coração quase parou de bater.
— Deve ser para você, Fernanda. — meu pai deu um sorrisinho, certamente sabendo o quanto eu estava ansiosa por aquela visita.
Levantei, me apoiando no sofá e abri a porta. E ele estava lá, vestindo uma camisa pólo branca e uma calça esportiva caqui. Enzo estava sem terno. E ele conseguia ser ainda mais lindo daquele jeito.
Antes que eu conseguisse esboçar qualquer palavra, Davi se agarrou na minha cintura:
— Maria! Maria! Eu estava com saudade — eu ri, porque tinha saído da casa dele na noite anterior. Não fazia nem 12 horas que estávamos separados.
— Não vai nos convidar para entrar, Maçãzinha? — Enzo perguntou, com um sorriso.
Mal ele sabia que já estava dentro. Dentro da minha vida, dentro do meu coração, dentro da minha alma. E seu filho ocupava o mesmo espaço. Aqueles dois tinham todo o meu coração.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO
Porque não desbloqueiam mais capítulos?...
Excelente leitura...