“Ivy Collins”
A empresa parece menos intimidadora do que da primeira vez que estive aqui.
Talvez seja porque hoje não estou invadindo salas em busca de emprego. Hoje estou aqui porque Lucas me pediu para vir com Oliver.
Ele disse que tinha uma surpresa para nós dois.
— Pronto, astronauta? — pergunto, olhando para Oliver ao meu lado.
Ele assente, animado, balançando a mochila nas costas.
— Você se lembra das regras, certo? — continuo, levantando a sobrancelha.
Ele revira os olhos, mas sorri.
— Sem correr. Sem fugir. Sem entrar em salas secretas como no dia em que a gente se conheceu.
— Exatamente — digo, empurrando a porta giratória. — Porque você é um rapazinho educado e vai se comportar.
Caminhamos até a recepção, digo nossos nomes e, em poucos segundos, a recepcionista libera nossas entradas.
Entramos no elevador e, logo depois, as portas se abrem no último andar. A recepção do setor administrativo surge à nossa frente, exatamente como eu lembrava.
— Boa tarde — cumprimento a moça de cabelos claros presos num coque impecável. — O Lu… quer dizer, o Sr. Sinclair está nos esperando.
Ela sorri e começa a digitar no computador, mas, antes que possa responder, Oliver solta minha mão.
— Tô com sede, Ivy! — exclama, já correndo para o bebedouro no corredor lateral.
Sorrio, sem graça, e vou atrás dele quase correndo.
— Oliver, e as regras? — pergunto, vendo-o pular para alcançar o copo.
Ele para e me encara, nada arrependido.
— Desculpa, Ivy. Mas eu tô com sede!
Balanço a cabeça, pego um copo descartável, encho de água e entrego a ele.
É então que ouço saltos ecoando pelo corredor e me viro.
Diana vem em nossa direção, com aquela postura elegante e autoritária que parece ocupar todo o espaço ao redor. Meu corpo inteiro fica tenso.
Quando ela nos vê, a expressão fria se transforma em um sorriso ao ver Oliver ao lado do bebedouro.
— Oliver! — Diana exclama, apressando o passo.
Ele levanta o rosto, ainda com o copo na boca, e sorri ao reconhecer a avó.
— Vovó!
— Meu amor, o que você está fazendo aqui? — pergunta, acariciando os cabelos dele.
— Vim buscar o papai! — responde, animado. — Ele disse que tem uma surpresa!
— Que empolgante, meu amorzinho — Diana murmura, ainda sorrindo.
Finalmente, ela desvia o olhar para mim e o sorriso desaparece no mesmo instante. Seus olhos se fixam nos meus por dois segundos longos demais, incômodos demais.
Então, ela desvia o rosto como se eu fosse parte da decoração. Não me cumprimenta, nem diz nada. É como se ela não reconhecesse minha existência.
Engulo em seco, sentindo o peso de seu desprezo silencioso.
— Bem, a vovó precisa ir agora — diz, beijando o topo da cabeça do neto. — Mas te vejo no fim de semana, está bem?
— Tá bom, vovó! — Oliver responde, empolgado.
Ela se afasta rápido, enquanto Oliver volta a beber água, completamente alheio ao que acabou de acontecer.
Respiro fundo e seguro a mão de Oliver quando ele termina.
Olho para o corredor e vejo Lucas saindo de uma sala. Mas não é a sala de reunião. É a sala dele.
Ele nos vê ao ouvir a voz do filho, e sua expressão muda na hora.
— Por que não avisou que estavam aqui? — pergunta, vindo rápido na nossa direção. — Vocês chegaram agora?
— Há uns… trinta minutos? — respondo, meio sem graça. — A recepcionista disse que você estava em reunião e não quis te atrapalhar.
A mulher se levanta atrás do balcão, visivelmente nervosa.
— Sr. Sinclair, eu…
— Reunião? — Ele corta, claramente irritado. — Você sabia que eles viriam e, além de não me avisar, ainda inventou uma reunião?
— A Sra. Sinclair… ela… — gagueja. — Disse que o senhor estava resolvendo algo para ela e que… não era para incomodá-lo.
Ele fecha os olhos por um segundo, como se estivesse se segurando para não explodir.
Então se vira para os funcionários que começam a observar a cena.
— Escutem bem — diz, apontando para mim e para Oliver. — Eles dois são prioridade absoluta aqui. Não importa onde eu esteja, com quem eu esteja ou o que eu esteja fazendo. Se eles chegarem, eu quero ser avisado imediatamente. Entenderam?
Todos assentem em silêncio, e sinto meu rosto esquentar.
— E se, por algum motivo, alguém achar que qualquer coisa é mais importante do que eles… — ele faz uma pausa, encarando a recepcionista. — Esse alguém pode começar a procurar outro emprego.
A mulher empalidece.
— Sr. Sinclair, eu…
— Você está demitida — ele diz, sem hesitar. — Pegue suas coisas e vá para o RH.
— Mas…
— Agora — ele corta novamente. — Se acha que as ordens da minha mãe estão acima das minhas, então não tem lugar para você aqui.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Babá Proibida do CEO