Lucas abre a porta traseira para Oliver entrar, enquanto entro em silêncio, ainda com as palavras dele na cabeça.
Quando ele entra do lado do motorista, ajusta o retrovisor e liga o carro, a tensão ainda irradia dele.
Não é o melhor momento para perguntar onde vamos. Mas Oliver, como sempre, não lê o clima.
— Papai — chama, soltando o cinto para se inclinar entre os bancos. — Cadê a surpresa?
Lucas respira fundo, passa a mão pelo rosto e, finalmente, relaxa um pouco os ombros.
— A surpresa — começa, olhando para o filho pelo retrovisor — é que vamos comprar algumas coisas para deixar a casa mais… nossa.
Oliver franze a testa, confuso.
— Mas a gente ainda não tem casa nova.
— Ainda não — Lucas confirma, olhando rapidamente para mim antes de voltar a atenção para a rua. — Mas até termos, vamos deixar o apartamento mais… aconchegante.
— E eu vou poder comprar coisas pro meu quarto? — o pequeno pergunta, empolgado.
— Você pode comprar o que quiser.
Oliver solta um grito tão agudo que meu ouvido tampa. Mas, pelo menos, a animação faz com que Lucas finalmente relaxe.
⋆ ˚。⋆୨୧˚
A loja fica numa das regiões mais exclusivas de Manhattan, o tipo de lugar onde não há preços nas etiquetas porque, se você precisa perguntar, provavelmente não deveria estar ali.
Quando Lucas estaciona em frente ao prédio elegante de vidro e mármore, Oliver já está desafivelando o cinto, empolgado com qualquer coisa que envolva sair do carro.
Lucas abre a porta para ele, enquanto saio e ajusto automaticamente a postura.
Estamos em público e a última coisa que podemos agora é agir como uma família feliz e atrair atenção para nós.
Quando entramos, somos recebidos por uma mulher impecavelmente vestida, com um sorriso profissional e cabelos presos em um coque perfeito.
— Sr. Sinclair — ela cumprimenta, inclinando levemente a cabeça. — Que prazer recebê-lo novamente. Como posso ajudá-lo hoje?
— Estou procurando algumas peças para decorar um apartamento — Lucas responde, colocando as mãos nos bolsos. — Nada muito elaborado, só alguns detalhes para mudar um pouco o ambiente.
A mulher sorri, como se isso fosse exatamente o que ela esperava ouvir.
— Claro. Temos uma nova coleção que pode ser perfeita para o que procura. Por favor, me acompanhem.
Ela começa a caminhar pelo espaço amplo, apontando para diferentes seções enquanto explica sobre tecidos, texturas e “harmonia visual”.
Oliver fica entediado em dois minutos e logo me puxa para a parte de decoração infantil.
O pequeno quer levar absolutamente tudo que envolva dinossauros e espaço, Lucas continua conversando com a atendente e eu… me sinto completamente deslocada.
Porque, embora tudo seja lindo, sei que a peça mais barata aqui provavelmente custa mais do que minha casa. Sei que essa é minha realidade, mas… ainda assim é surreal.
— Srta. Collins — a atendente me chama, interrompendo meus pensamentos. — O Sr. Sinclair gostaria da sua opinião.
Me aproximo e Lucas aponta para duas almofadas que outra mulher está segurando.
— Qual você prefere? — pergunta, me encarando.
Olho para as opções. Uma é branca com detalhes em dourado. A outra é cinza com textura aveludada.
— Eu… — hesito, mas quando ele sorri, relaxo um pouco. — A cinza é bonita.

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