“Ivy Collins”
Não fechamos os olhos a noite toda.
Passamos o tempo inteiro deitados, abraçados, em silêncio, só aproveitando o momento. Nenhum de nós sequer pensa em dormir.
Como poderia, quando cada segundo que passa é um segundo a menos juntos?
Então, inevitavelmente, o sol nasce e o dia chega. É hora de levantar, ou não vou conseguir sair daqui. E sei que, se não sair, tudo só vai piorar.
Tudo vai se tornar mais perigoso e arriscado.
Engulo o nó na garganta e me arrasto para fora da cama, tentando não pensar demais. Sigo direto para o closet, pego minha mochila e volto para o quarto.
Começo a separar algumas roupas, dobrando cada peça devagar, como se o simples ato de arrumar tudo pudesse atrasar o inevitável.
Lucas passa por mim, indo até o banheiro, mas para ao meu lado. Seus dedos roçam minha cintura por um segundo antes de continuar andando.
Fecho os olhos, segurando a blusa com força.
Alguns minutos depois, ele volta. Dessa vez, para atrás de mim, afastando meus cabelos para o lado e encostando o rosto no meu pescoço.
— Ainda dá tempo de mudar de ideia — murmura contra minha pele.
Fecho os olhos, respirando fundo para não chorar.
— Você sabe que não dá.
Ele não responde. Só me aperta mais e beija meu ombro devagar, como se estivesse tentando memorizar cada centímetro.
Volto a arrumar minhas coisas, mas ele não se afasta. Passa por mim várias vezes, tocando minha cintura, cheirando meus cabelos, me puxando para um beijo demorado que quase me faz desistir.
A cada toque, peço baixinho a Deus para que tudo se resolva logo.
Quando finalmente fecho o zíper, respiro fundo, tentando me preparar para o que vem a seguir.
— Pronto — sussurro, jogando a mochila nas costas.
Lucas vem até mim, segura meu rosto com as duas mãos e me beija devagar, apaixonado. Como se fosse a última vez.
— Eu te amo — ele diz, rouco. — E isso não muda. Não importa quantos dias você fique longe.
— Eu também te amo — respondo, com a voz embargada.
Ele assente, pegando minha mão e entrelaçando nossos dedos.
Em seguida, ele me puxa até a porta do quarto. Quando chegamos à sala, Lucas se vira para mim.
Eu o abraço com força, escondendo o rosto no peito dele, tentando gravar o cheiro, o calor, a sensação de estar nos braços dele.
— Vai ficar tudo bem. Eu prometo — ele sussurra, beijando o topo da minha cabeça. — E vou garantir que isso acabe logo. Que a gente possa voltar a ser… nós.
— Confio em você — sussurro, forçando um sorriso.
Respiro fundo, me afasto e caminho até a porta.
Toco a maçaneta fria, respirando fundo, tentando me preparar para sair. Mas, assim que a giro…
— Ivy?
Meu coração afunda quando me viro e vejo Oliver parado no corredor, de pijama, com os olhinhos ainda sonolentos e confusos.



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